domingo, 10 de abril de 2011

De coco

"Louco! O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil."

Texto: Trecho da música "O Bêbado e o Equilibrista".
Sequência de imagens: Charles Chaplin, René Magritte, Ilustração do filme "Laranja Mecânica, Cena do filme Cabaret, Foto capturada em navegações pela internet (sem os devidos créditos, quem souber a autoria, avise-me), Cena do filme Aristogatas, Cholita boliviana, Luminária do meu quarto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rabiscos coletivos

Dancei sobre corpos, papéis e carvão em uma tarde de sábado toda desenhada. Para que as margens do papel e do corpo se dissolvam em rabiscos coletivos e experimentais.





Fotos de Eddy Pontes.
Atividade do grupo "Desenha!"

Paisagens doloridas

Acolho meu cansaço e seu desatino num ritual de pensar a vida pela sua brevidade. A morte, quando sentada na cadeira ao lado, rouba da gente os sossegos de antes... de depois... e coloca em nosso colo o agora... urgente e arbitrário.

Ainda dolorido pela paisagem e [o]dores do final de semana, meu choro se converte em palavras.

Ao fazer uma mortalha de palavras, rabisco meu luto pelas perdas de gente que a gente gosta, de tempo, de viços, de esperanças e lembranças. Todas elas.

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poço de desassossego

Sempre que chega o outono, olho para o Wolney que ainda espera o diferente. Do poço do desassossego nenhuma conquista o satisfaz, nenhuma felicidade o acalma.

Foto de Elinor Carucci

terça-feira, 29 de março de 2011

Um único plano-sequência

O meu único plano-sequência depois de ver esse videoclipe é querer a música e a Alice Braga pra mim!

domingo, 27 de março de 2011

Em cada canto

Uma música fez a saudade do meu pai escorrer pelo meu rosto e depois plantou nostalgias em cada canto.

Ele reunia pequenos acordes para medir a alma boêmia que lhe dirigia os passos. Apesar de não ser tátil ou vísivel, seu canto era capaz de locomover sua própria existência.

Hoje, as cordas de aço estão surdas. No silêncio daquele canto não há mais modas de viola a desafinar. Está lá. E só se sabe saudade porque, mesmo ausente, ressoa memórias audíveis em traços e acordes de corpo inteiro.

Foto: Wolney Fernandes
Texto originalmente produzido para o blog Sentidos Simultâneos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Assim seja!

Naquilo que me diz respeito, prefiro acreditar que o meu compromisso é com aquilo que move meus olhos. Sou desejante de espuma, sonho e água com gás.
Aceito o gosto amargo na boca e a opacidade dos olhos que não brilham mais ao me encarar.
Sussurro a vida que pulsa toda sexta-feira insistindo em fazer da segunda um ano novo!
Não me preocupo com a devassidão e a dualidade que me habitam.
Minhas ressacas de não dormir me distanciam da imagem que eu desejo ver refletida no espelho.
Me perco em sopas de letrinhas que escorrem pelas minhas bondades e me encontro nas monstruosidades que me circundam.
Naquilo que me diz respeito assim é... e assim seja!

Foto: Wolney Fernandes

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pé de Goiaba

Quando os pés de goiaba desenham piqueniques, ranhuras e doçuras.


Fotos: Glayson Arcanjo e Wolney Fernandes

quarta-feira, 23 de março de 2011

Precárias vontades

Vontade de habitar paredes descascadas para que as marcas do tempo em beleza se transformem.

Imagem de Yves Marchand. Olhei aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

Sem regras

01. Escape - Philip Glas
02. Old Habits Die Hard - Mick Jagger
03. Cálice - Maria Bethânia
04. Crazy - Patsy Cline
05. Traduzir-se - Nara Leão e Fagner


A brincadeira começou assim.
Imagem capturada aqui.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Medos plantados

Na escola eu não colava por medo. Vontade eu tinha aos montes. Principalmente em dias de prova de Educação Moral e Cívica. Futebol eu não sabia jogar e, só para me enturmar, sempre me oferecia para ser o goleiro. Nem preciso dizer do pavor que fazia meu coração bater na boca quando a bola de mim se aproximava.

Nunca gostei de andar descalço e só largava os chinelos para subir em árvores no quintal. Apesar das macaquices em jabuticabeiras e pés de tamarindo eu nunca tive um osso quebrado. Só destroncado. Gesso eu nunca usei, mas sempre que precisava a Vó Ricó me benzia a espinhela caída.

Cresci e as bolas de agora ainda me assustam. Tenho medo da morte por não crer [ainda?] no sentido da vida. Repasso, mentalmente, o que precisa ser feito, mas fico adiando a elaboração do meu imposto de renda. Tenho vontade de falar o que eu quero, mas acabo engolindo o que não desce goela abaixo. Ainda me doem os pés porque descubro que os medos continuam plantados em meus quintais.

Foto: Wolney Fernandes

sábado, 19 de março de 2011

Desenformados

Depois de caminhar o dia inteiro pelas ruas da Cidade de Goiás, nossa vontade era encerrar a maratona com um bom empadão goiano. A porta do restaurante, entreaberta, trouxe dúvidas se o estabelecimento já estava funcionando. Resolvemos arriscar e entrar. Antes de chegarmos ao fim do corredor, uma mulher veio nos avisar: "Ainda não abrimos, pois os garçons só chegarão em meia hora". Perguntamos a ela se havia a possibilidade de comprarmos dois empadões para viagem. A fome aliada à vontade de experimentar a iguaria nos atravessava e foi com alegria que ouvimos a mulher dizer que era possível atender nosso pedido.

Com rapidez ela já foi preparando o pacote e desembuchou: "São R$ 9,00... [pausa] ...cada um!". Levamos um susto e perguntamos o porquê do preço elevado. Ela, displicentemente nos explicou que estávamos pagando também pela fôrma onde o empadão fora assado, pois não era possível desenformá-lo. Empertigados, argumentamos: "Mas não queremos o recipiente. O que vamos fazer com uma fôrma de empadão? Nesse caso, preferimos comer aqui mesmo".

Contrariada, ela sentenciou que só seria possível comermos ali depois da chegada dos garçons. Fomos pra porta do restaurante e sentamos na calçada à espera dos mesmos. Meia hora depois, a mulher sai pela porta e com esperança perguntamos: "Os garçons já chegaram?". Ela, toda displicente e faceirando pela calçada responde com aquele desdém típico de quem não está nem aí: "Não, eles saíram bem tarde e nem sei que horas eles chegam."

Indignados e esfomeados, abandonamos nosso posto de espera para irmos embora. No caminho, topamos com outro estabelecimento que dizia em letras bem grandes: "Empadão Goiano". Novamente animados, entramos e, sem olhar no cardápio, solicitamos: "Dois empadões e uma Coca-Cola". Na hora da conta, o moço do caixa anuncia: "São R$ 24,00". Novo susto! Nos entreolhamos e, já com a respiração fora de ritmo, arriscamos perguntar: "Qual o valor de cada empadão?". "Dez reais" é a resposta que recebemos.

A ponto de nos jogarmos pela escadaria abaixo, pagamos sem dizer uma só palavra e saímos pela rua afora com aquela sensação de patetice estampada no rosto. Pagamos R$ 1,00 a mais pelo empadão e ainda saímos desenformados.

Imagem capturada aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Morangos à beira do abismo

Todas as vezes que as muitas atividades nas quais estou envolvido me colocam em abismos distantes do blog [esse espaço tão querido] eu me lembro de uma história contada por Rubem Alves:

"Um homem caminhava por uma floresta. Estava escuro porque a noite se aproximava. De repente ele ouviu um rugido terrível. Era um leão. Ele ficou com muito medo e começou a correr. Mas ele não viu o caminho por onde ia porque estava escuro e caiu num precipício. No desespero da queda ele se agarrou ao galho de uma árvore que se projetava sobre o abismo. Lá em cima, na beirada do abismo, o leão. Lá em baixo, no fundo do abismo, as pedras. E foi então que, olhando para a parede do abismo ele viu que ali crescia uma planta verde que tinha um fruto vermelho: era um morango. Ele então estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso."

Pendurado em precipícios, os registros no blog fazem parte da minha lista de morangos a serem comidos [em outra ocasião talvez valha a pena falar de outros morangos tão deliciosos quanto este aqui].

Por enquanto, naquilo que me diz respeito, prefiro acreditar que o meu compromisso é com aquilo que move meus olhos salivantes de sabores, espuma e sonho.

Então fica registrado e combinado assim: que os sabores substituam os sumiços!

Imagem de Michael Arnold. Achei aqui.

terça-feira, 1 de março de 2011

Sobre coleções, capas de discos e latas de leite Ninho























Minha coleção de tampinhas de garrafa eu guardava na lata de leite Ninho. Todas elas vinham com imagens dos SuperAmigos. Bastava retirar aquela rodelinha de plástico [que não existe mais] do fundo da tampinha para transformá-la em item de colecionador.

As figurinhas do Ping Pong Pantanal eram recortadas com precisão para fazer caber 12 em uma folha de papel sulfite colorido. Depois de coladas, o destino dado a elas era a pasta-catálogo em uma sofisticação que nenhuma lata de leite poderá alcançar um dia.

Na parede ao lado da cama, cuidadosamente organizados e fixados com percevejos, saquinhos plásticos exibiam meus gibis favoritos. Em convivências harmoniosas, Homem-Aranha, Chico Bento, Recruta Zero e Tio Patinhas dividiam o mesmo espaço no grande mural.

As fitas K7 continham músicas do rádio em gravações escolhidas a dedo [e muita paciência]. Ao lado delas ficavam as fitas VHS com capas fabricadas manualmente usando recortes de revistas de cinema. O que faltava era completado com letras riscadas e lapidadas pelo designer gráfico que já morava em mim sem que eu o soubesse.

Nacionais, Internacionais, Trilhas Sonoras e Clássicas são as categorias que regem a organização do meu acervo de músicas em MP3. Dentro de cada uma destas categorias há outros detalhamentos que facilitem a rápida localização da canção desejada com o mínimo de tempo possível. O toque final vem com a inserção das capas dos discos garimpadas pela internet em sessões de pura arte e meditação.

Imagem: Cena do filme "Uma Vida Iluminada". Olhei aqui.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ensaio sensual da boneca Badia

Fotos: Wolney Fernandes.
Texto e produção: Rosi Martins

Na penumbra, a timidez sedutora...

Em um gestual rompante de dança contemporânea, Badia esquece os problemas do nervo ciático e mostra que fazer arte é percepção, intuição e emoção. Sua partitura de ação física é perfeita.

Esse corpo, adepto da yoga e da RPG, até desconcerta a gente. Ginga, samba, brasilidade, fouveirice, malemolência!

Com languidez, Badia escorre e esbalda volúpias e seduções. Ela tinha medo das fotos ficarem apelativas, mas [para o nosso deleite] o fotógrafo experiente usou de psicologia e convenceu esta beldade a posar.

Corpicho só na base do pilates, do método Feldenkrais, da acupuntura (ela já foi almofada de alfinetes no ateliê de figurinos), t'ai chi chuan...

Momento, talvez, de reflexão. Olhar perdido, olhar "pro antonte", desanuviada... mas sem perder o contato com a corporeidade, a presença cênica, o tônus muscular. Seus ídolos? Laban, Delsarte, Alexander, Reich, Martha Graham, Pina Bausch e Ana Maria Braga.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"A vaidade mata quando a beleza é muita"

De imediato, ao deixar a bolsa enorme na cadeira que separava o meu lugar e o dela, perguntou: "Como é seu nome?" - Fiz cara de paisagem para disfarçar minha surpresa diante da abordagem inesperada e respondi: "Meu nome é Wolney". A desconhecida de quarenta e tantos anos sentada do meu lado era alta, cabelos nos ombros e montes de pulseiras no braço.

"Menino, mas que coincidência! Wolney é o nome do meu cunhado que morreu" - notei que seus olhos conferiam a senha que tinha nas mãos com os números que apareciam no painel digital da agência central dos correios. Ela apertava os olhos e esticava o braço para enxergar melhor e continuou: "Conhece o Apolo?"
Antes que pudesse pronunciar um "não" audível ela se antecipou: "Apolo, aquele deus do amor lá dos gregos". Ao abrir a boca para responder, ela me deu maior tapão no ombro e, como se fóssemos velhos conhecidos, sapecou: "Apolo, aquele que morreu afogado porque era muito bonito." Dei um sorriso amarelo e corrigi: "Você quer dizer Narciso?"

"Isso! Esse aí mesmo. Eu confundo as bolas dos deuses. Meu cunhado morreu igual ao Naciso".

"Afogado?". Perguntei com um riso no canto dos lábios quando ela pronunciou Narciso sem a letra "r".

"Não. O Wolney morreu porque era bonito demais. A coitada da minha irmã já não tinha mais testa. Foi chifre demais que ele colocou nela. Era com mulher, era com homem. Você sabe como é caminhoneiro, né? Meu cunhado não deixava passar ninguém. Ele era bonito demais da conta". Sem entender direito a causa da morte daquele Wolney - que fora abençoado com a beleza clássica dos deuses gregos - ousei perguntar: "Mas como foi que ele morreu?". Com um movimento brusco ela saltou de pé no exato momento em que o barulho da campanhia indicando a próxima senha ressoou e remexendo na bolsa jeans explicou: "Doença venéra" [a palavra 'venérea' pronunciada sem o "e"].

"Teve que cortar o troço fora. Durou ainda uns dois anos, mas morreu quando a doença voltou. E foi a boba da minha irmã quem cuidou dele até o dia da morte. Ele só aceitava ela pra dar banho nele. Pediu perdão a ela pelas traições e morreu jovem: 42 anos. Moço bonito que nem ele, só artista de novela"

Ao encontrar a lixa de unha que procurava na bolsa, sentou novamente e continuou, agora em um tom mais tranquilo: "É por isso que eu digo, a vaidade mata quando a beleza é muita! Só sendo de família boa pra escapar!".

Nesse exato instante, minha senha piscou no painel: "Minha vez!" consegui me despedir rapidamente e enquanto caminhava para o balcão tentei entender direito aquele monólogo, mas não consegui. Depois, enquanto me dirigia até a saída, notei [com o rabo do olho] que ela tinha mudado de lugar e agora reclamava dos nomes das ruas de Goiânia a um homem com um olhar ainda mais confuso que o meu.

Suspirei aliviado: "Escapei!"

Pintura: "No espelho das águas" de John Waterhouse. Imagem capturada aqui. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

[com]pressões

De vez em quando o que guardo aqui dentro, transborda. Sou eu mesmo pedindo passagem para vomitar raivas e frustrações engolidas e remoídas pelo "foda-se" não dito.
De vez em quando esqueço que a tristeza é parte da brincadeira.
De vez em quando acredito que amores possam surgir da coragem de me apresentar por minhas falhas, feridas e imperfeições.
De vez em quando, pelas [com]pressões, prefiro habitar o solo lunar para frequentar o lado escuro da lua nova.
De vez em quando quero mais fazer bom uso da imagem do que ser usado por ela.
De vez em quando rezo, como sugeriu Rilke, para que a beleza me permita contemplar o horrível, sem ser por ele destruído.

Imagem: Fotografia de Carl Kleiner

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

I Started a Joke*

Na cena mais tocante de "O Vencedor" (The Fighter, EUA, 2010), o filho viciado em crack, diante da mãe decepcionada, pronuncia os primeiros versos da música "I Started a Joke" do Bee Gees:

"Eu comecei uma piada
que fez o mundo inteiro chorar,
mas eu não vi
que era uma piada sobre mim"

O verso reflete o drama vivido pelo coadjuvante Christian Bale [roubando a cena] diante de uma vida de fracassos que ele, incessantemente, tenta colorir com tonalidades mais vívidas, sem se dar conta da fragilidade dessa tentativa.

Na tela, encenações inventadas parecem refletir verdades profundas. Do lado de cá, "ferindo a cabeça com coisas que eu disse", penso nas piadas que eu conto sobre mim mesmo e de como elas pintam camadas [finas?] sobre quem verdadeiramente sou.

Imagem capturada aqui.
(*) Título e referências da música do Bee Gees.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vontade destampada

Sabe aquela vontade de ter um ateliê pra espalhar desenhos por todo canto e não juntar nunca mais? Pois é, destampou a crescer de uma hora pra outra e tá difícil mantê-la sossegada.

Foto: Wolney Fernandes

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Eterno

A imagem e a idéia vieram do blog "Grifei num livro". 
A citação é de Carlos Drummond de Andrade.
A dúvida sobre qual grifo mostrar é minha.
............................

Atualização => Dúvida dissipada: a escolha recaiu sobre um grifo meu no livro "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde. Veja aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sobre violetas escondidas

Desenhar é "presentear" (tornar presentes) diferenças e momentos vividos de ordenação interna-externa; é subverter a ordenação interna-externa; é subverter a ordem; é estar inquieto; é ser "violáceos-violetas" sem máscaras; é ser uma pessoa perturbadora da ordem estabelecida; é construir "outra vida" - uma vida singular; é estar atento às infinitas possibilidades.

Trecho do livro "Por que se esconde a violeta" de Lucimar Bello.
Imagem: "Nu com meias violeta e cabelo preto" - deseho de Egon Schiele

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Para cantar o todo que eu [não] sou

Shuffle

Vi no blog da Trip e achei a idéia tão boa que resolvi fazer aqui. Funciona assim: Pegue seu mp3, aperte a tecla "shuffle" e registre a sequência com as cinco primeiras músicas em uma playlist.
Abaixo segue a minha:

01. Across the Universe - Rufus Wainwright
02. If the light go out - Katie Melua
03. Ouro pra mim - Renata Arruda
04. Lies - Marketa Irglova & Glen Hansard
05. Pranto Livre - Elza Soares

Imagem capturada aqui.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"A perfeita justaposição da obra"

Outro dia, pesquisando livros de arte por aí, me deparei com isso aqui:

"Como entender arte moderna:
Lembra das aulas de interpretação de texto da escola, em que todo mundo acaba encontrando sentidos que o próprio autor nunca sequer imaginou para as suas palavras? Com obras de arte é a mesma coisa. O segredo é passar o máximo de convicção. Para tanto, ter algumas frases de efeito na manga pode ajudar muito. Você pode começar admirando 'a perfeita justaposição da obra' ou comentar como 'o toque dionisíaco de liberdade sensual e indomável' mexeu com você."

Fotografei o parágrafo para nunca mais lembrar do livro.
Fogueira nele!

Imagem: pintura de Lasar Segall. Achei aqui.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cruzada

- Saio correndo do trabalho tendo apenas cinco reais no bolso
- Chego no shopping Bougainville
- Me coloco na fila para sacar dinheiro no caixa automático do Banco do Brasil
- Descubro que a opção "saque" está indisponível
- Mudo para a fila do Banco 24h
- Descubro que o sistema está fora do ar
- Sigo para a fila da Caixa Econômica
- Descubro que o computador central está inoperante
- Subo até a bilheteria do cinema
- Descubro que eles não aceitam cartão
- Vomito toda minha indignação na atendente
- A moça atrás de mim, com pressa, me oferece dois reais
- Compro o ingresso
- Sigo até a lanchonete do cinema para comprar refrigerante
- Descubro que eles não aceitam cartão
- Caminho bufando entre as mesas da praça de alimentação até o Subway
- Descubro que a opção de compra com cartão está fora do ar
- Tenho a sensação de que estou vivendo em um século diferente do atual
- Vou até o Bob's e, milagrosamente, consigo comprar o refrigerante
- Entro para ver o filme
- Antes dos créditos iniciais, me lembro que na saída é preciso pagar o estacionamento
- Tenho vontade de rolar escada abaixo