domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Confissões
Talvez esse não seja um bom momento para confissões, mas que fazer quando se erra no princípio e no depois?
Vivo me repetindo em instantes letivos porque nunca aprendo a deixar os pés no chão. Asas pra voar me carregam em brisas sem direção. Não adianta cortá-las porque elas brotam pelos sopros cumpridos em adorações ditas em noites de lua.
Por minha culpa, minha tão grande culpa deixo de lado as imperfeições poéticas que imaginei para recolher as reais. Aquelas que me colocam em esperas carregadas de eternidades.
Tomara meu desejo de construir confusões e acolher confissões se faça eterno. Desconfio que não, pois eu sei dos meios, mas nunca dos fins.
Foto: Wolney Fernandes
Vivo me repetindo em instantes letivos porque nunca aprendo a deixar os pés no chão. Asas pra voar me carregam em brisas sem direção. Não adianta cortá-las porque elas brotam pelos sopros cumpridos em adorações ditas em noites de lua.
Por minha culpa, minha tão grande culpa deixo de lado as imperfeições poéticas que imaginei para recolher as reais. Aquelas que me colocam em esperas carregadas de eternidades.
Tomara meu desejo de construir confusões e acolher confissões se faça eterno. Desconfio que não, pois eu sei dos meios, mas nunca dos fins.
Foto: Wolney Fernandes
terça-feira, 19 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Perguntas [im]possíveis
Do "Livro das Perguntas" de Pablo Neruda, sete suspiros me beijam incessantemente:
"- A quem posso perguntar que vim fazer neste mundo?
- É verdade que as esperanças devem regar-se com orvalho?
- Por que choram tanto as nuvens e cada vez são mais alegres?
- Como ganhou sua liberdade a bicicleta abandonada?
- De que cor é o perfume do pranto azul das violetas?
- Quantas semanas tem um dia e quantos anos tem um mês?
- Onde está o menino que eu fui? Está dentro de mim ou se foi?"
Imagem de Isidro Ferrer.
"- A quem posso perguntar que vim fazer neste mundo?
- É verdade que as esperanças devem regar-se com orvalho?
- Por que choram tanto as nuvens e cada vez são mais alegres?
- Como ganhou sua liberdade a bicicleta abandonada?
- De que cor é o perfume do pranto azul das violetas?
- Quantas semanas tem um dia e quantos anos tem um mês?
- Onde está o menino que eu fui? Está dentro de mim ou se foi?"
Imagem de Isidro Ferrer.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Primeiros Fascínios
Em um breve intervalo de tempo, perto da madrugada que é quando a lua quer se fazer sol, começo a notar meus pés se afastarem do chão. E sinto medo. No entanto, aos poucos, entendo que pra dizer de felicidades só é preciso ouvir.
Nos maciços silêncios do branco da página é possível entrever o outro lado. Então, o depois começa a se desenhar em linhas tênues e tranquilas tamanha a transparência revelada pela voz que me fala.
Na ausência de prazos, na certeza em saber que nem tudo o que se quer pode ser alcançado, acolho todos os espasmos do mundo em meu corpo para escutar os ecos de meus primeiros fascínios. E tal como a lua com seu brilho acalentador, sinto uma fonte gotejante de boas sensações.
Foto: Wolney Fernandes
Nos maciços silêncios do branco da página é possível entrever o outro lado. Então, o depois começa a se desenhar em linhas tênues e tranquilas tamanha a transparência revelada pela voz que me fala.
Na ausência de prazos, na certeza em saber que nem tudo o que se quer pode ser alcançado, acolho todos os espasmos do mundo em meu corpo para escutar os ecos de meus primeiros fascínios. E tal como a lua com seu brilho acalentador, sinto uma fonte gotejante de boas sensações.
Foto: Wolney Fernandes
terça-feira, 12 de abril de 2011
Sobre o tempo
O mundo, cada vez mais acelerado, faz a gente querer pular as fases e chegar mais rápido diante do nosso destino. Tudo é feito para a gente não perder tempo. A lei e a ordem do dia é uma só: Corra! Mas todos os dias durmo com uma dúvida: será que existe um bom motivo pelo qual vale a pena essa correria toda?
Nas palavras de Raduan Nassar, um esboço de resposta:
"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; [...] rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; [...] pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas..."
Foto: Wolney Fernandes
Nas palavras de Raduan Nassar, um esboço de resposta:
"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; [...] rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; [...] pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas..."
Foto: Wolney Fernandes
domingo, 10 de abril de 2011
De coco
"Louco! O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil."
Texto: Trecho da música "O Bêbado e o Equilibrista".
Sequência de imagens: Charles Chaplin, René Magritte, Ilustração do filme "Laranja Mecânica, Cena do filme Cabaret, Foto capturada em navegações pela internet (sem os devidos créditos, quem souber a autoria, avise-me), Cena do filme Aristogatas, Cholita boliviana, Luminária do meu quarto.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Rabiscos coletivos
Dancei sobre corpos, papéis e carvão em uma tarde de sábado toda desenhada. Para que as margens do papel e do corpo se dissolvam em rabiscos coletivos e experimentais.
Fotos de Eddy Pontes.
Atividade do grupo "Desenha!"
Fotos de Eddy Pontes.
Atividade do grupo "Desenha!"
Paisagens doloridas
Acolho meu cansaço e seu desatino num ritual de pensar a vida pela sua brevidade. A morte, quando sentada na cadeira ao lado, rouba da gente os sossegos de antes... de depois... e coloca em nosso colo o agora... urgente e arbitrário.
Ainda dolorido pela paisagem e [o]dores do final de semana, meu choro se converte em palavras.
Ao fazer uma mortalha de palavras, rabisco meu luto pelas perdas de gente que a gente gosta, de tempo, de viços, de esperanças e lembranças. Todas elas.
Foto: Wolney Fernandes
Ainda dolorido pela paisagem e [o]dores do final de semana, meu choro se converte em palavras.
Ao fazer uma mortalha de palavras, rabisco meu luto pelas perdas de gente que a gente gosta, de tempo, de viços, de esperanças e lembranças. Todas elas.
Foto: Wolney Fernandes
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Poço de desassossego
Sempre que chega o outono, olho para o Wolney que ainda espera o diferente. Do poço do desassossego nenhuma conquista o satisfaz, nenhuma felicidade o acalma.
Foto de Elinor Carucci
Foto de Elinor Carucci
terça-feira, 29 de março de 2011
Um único plano-sequência
O meu único plano-sequência depois de ver esse videoclipe é querer a música e a Alice Braga pra mim!
domingo, 27 de março de 2011
Em cada canto
Uma música fez a saudade do meu pai escorrer pelo meu rosto e depois plantou nostalgias em cada canto.
Ele reunia pequenos acordes para medir a alma boêmia que lhe dirigia os passos. Apesar de não ser tátil ou vísivel, seu canto era capaz de locomover sua própria existência.
Hoje, as cordas de aço estão surdas. No silêncio daquele canto não há mais modas de viola a desafinar. Está lá. E só se sabe saudade porque, mesmo ausente, ressoa memórias audíveis em traços e acordes de corpo inteiro.
Foto: Wolney Fernandes
Texto originalmente produzido para o blog Sentidos Simultâneos.
Ele reunia pequenos acordes para medir a alma boêmia que lhe dirigia os passos. Apesar de não ser tátil ou vísivel, seu canto era capaz de locomover sua própria existência.
Hoje, as cordas de aço estão surdas. No silêncio daquele canto não há mais modas de viola a desafinar. Está lá. E só se sabe saudade porque, mesmo ausente, ressoa memórias audíveis em traços e acordes de corpo inteiro.
Foto: Wolney Fernandes
Texto originalmente produzido para o blog Sentidos Simultâneos.
sábado, 26 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Assim seja!
Naquilo que me diz respeito, prefiro acreditar que o meu compromisso é com aquilo que move meus olhos. Sou desejante de espuma, sonho e água com gás.
Aceito o gosto amargo na boca e a opacidade dos olhos que não brilham mais ao me encarar.
Sussurro a vida que pulsa toda sexta-feira insistindo em fazer da segunda um ano novo!
Não me preocupo com a devassidão e a dualidade que me habitam.
Minhas ressacas de não dormir me distanciam da imagem que eu desejo ver refletida no espelho.
Me perco em sopas de letrinhas que escorrem pelas minhas bondades e me encontro nas monstruosidades que me circundam.
Naquilo que me diz respeito assim é... e assim seja!
Foto: Wolney Fernandes
Aceito o gosto amargo na boca e a opacidade dos olhos que não brilham mais ao me encarar.
Sussurro a vida que pulsa toda sexta-feira insistindo em fazer da segunda um ano novo!
Não me preocupo com a devassidão e a dualidade que me habitam.
Minhas ressacas de não dormir me distanciam da imagem que eu desejo ver refletida no espelho.
Me perco em sopas de letrinhas que escorrem pelas minhas bondades e me encontro nas monstruosidades que me circundam.
Naquilo que me diz respeito assim é... e assim seja!
Foto: Wolney Fernandes
quinta-feira, 24 de março de 2011
Pé de Goiaba
Quando os pés de goiaba desenham piqueniques, ranhuras e doçuras.
Fotos: Glayson Arcanjo e Wolney Fernandes
Fotos: Glayson Arcanjo e Wolney Fernandes
quarta-feira, 23 de março de 2011
Precárias vontades
Vontade de habitar paredes descascadas para que as marcas do tempo em beleza se transformem.
Imagem de Yves Marchand. Olhei aqui.
Imagem de Yves Marchand. Olhei aqui.
terça-feira, 22 de março de 2011
Sem regras
01. Escape - Philip Glas
02. Old Habits Die Hard - Mick Jagger
03. Cálice - Maria Bethânia
04. Crazy - Patsy Cline
05. Traduzir-se - Nara Leão e Fagner
A brincadeira começou assim.
Imagem capturada aqui.
02. Old Habits Die Hard - Mick Jagger
03. Cálice - Maria Bethânia
04. Crazy - Patsy Cline
05. Traduzir-se - Nara Leão e Fagner
A brincadeira começou assim.
Imagem capturada aqui.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Medos plantados
Na escola eu não colava por medo. Vontade eu tinha aos montes. Principalmente em dias de prova de Educação Moral e Cívica. Futebol eu não sabia jogar e, só para me enturmar, sempre me oferecia para ser o goleiro. Nem preciso dizer do pavor que fazia meu coração bater na boca quando a bola de mim se aproximava.
Nunca gostei de andar descalço e só largava os chinelos para subir em árvores no quintal. Apesar das macaquices em jabuticabeiras e pés de tamarindo eu nunca tive um osso quebrado. Só destroncado. Gesso eu nunca usei, mas sempre que precisava a Vó Ricó me benzia a espinhela caída.
Cresci e as bolas de agora ainda me assustam. Tenho medo da morte por não crer [ainda?] no sentido da vida. Repasso, mentalmente, o que precisa ser feito, mas fico adiando a elaboração do meu imposto de renda. Tenho vontade de falar o que eu quero, mas acabo engolindo o que não desce goela abaixo. Ainda me doem os pés porque descubro que os medos continuam plantados em meus quintais.
Foto: Wolney Fernandes
Nunca gostei de andar descalço e só largava os chinelos para subir em árvores no quintal. Apesar das macaquices em jabuticabeiras e pés de tamarindo eu nunca tive um osso quebrado. Só destroncado. Gesso eu nunca usei, mas sempre que precisava a Vó Ricó me benzia a espinhela caída.
Cresci e as bolas de agora ainda me assustam. Tenho medo da morte por não crer [ainda?] no sentido da vida. Repasso, mentalmente, o que precisa ser feito, mas fico adiando a elaboração do meu imposto de renda. Tenho vontade de falar o que eu quero, mas acabo engolindo o que não desce goela abaixo. Ainda me doem os pés porque descubro que os medos continuam plantados em meus quintais.
Foto: Wolney Fernandes
domingo, 20 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Desenformados
Depois de caminhar o dia inteiro pelas ruas da Cidade de Goiás, nossa vontade era encerrar a maratona com um bom empadão goiano. A porta do restaurante, entreaberta, trouxe dúvidas se o estabelecimento já estava funcionando. Resolvemos arriscar e entrar. Antes de chegarmos ao fim do corredor, uma mulher veio nos avisar: "Ainda não abrimos, pois os garçons só chegarão em meia hora". Perguntamos a ela se havia a possibilidade de comprarmos dois empadões para viagem. A fome aliada à vontade de experimentar a iguaria nos atravessava e foi com alegria que ouvimos a mulher dizer que era possível atender nosso pedido.
Com rapidez ela já foi preparando o pacote e desembuchou: "São R$ 9,00... [pausa] ...cada um!". Levamos um susto e perguntamos o porquê do preço elevado. Ela, displicentemente nos explicou que estávamos pagando também pela fôrma onde o empadão fora assado, pois não era possível desenformá-lo. Empertigados, argumentamos: "Mas não queremos o recipiente. O que vamos fazer com uma fôrma de empadão? Nesse caso, preferimos comer aqui mesmo".
Contrariada, ela sentenciou que só seria possível comermos ali depois da chegada dos garçons. Fomos pra porta do restaurante e sentamos na calçada à espera dos mesmos. Meia hora depois, a mulher sai pela porta e com esperança perguntamos: "Os garçons já chegaram?". Ela, toda displicente e faceirando pela calçada responde com aquele desdém típico de quem não está nem aí: "Não, eles saíram bem tarde e nem sei que horas eles chegam."
Indignados e esfomeados, abandonamos nosso posto de espera para irmos embora. No caminho, topamos com outro estabelecimento que dizia em letras bem grandes: "Empadão Goiano". Novamente animados, entramos e, sem olhar no cardápio, solicitamos: "Dois empadões e uma Coca-Cola". Na hora da conta, o moço do caixa anuncia: "São R$ 24,00". Novo susto! Nos entreolhamos e, já com a respiração fora de ritmo, arriscamos perguntar: "Qual o valor de cada empadão?". "Dez reais" é a resposta que recebemos.
A ponto de nos jogarmos pela escadaria abaixo, pagamos sem dizer uma só palavra e saímos pela rua afora com aquela sensação de patetice estampada no rosto. Pagamos R$ 1,00 a mais pelo empadão e ainda saímos desenformados.
Imagem capturada aqui.
Com rapidez ela já foi preparando o pacote e desembuchou: "São R$ 9,00... [pausa] ...cada um!". Levamos um susto e perguntamos o porquê do preço elevado. Ela, displicentemente nos explicou que estávamos pagando também pela fôrma onde o empadão fora assado, pois não era possível desenformá-lo. Empertigados, argumentamos: "Mas não queremos o recipiente. O que vamos fazer com uma fôrma de empadão? Nesse caso, preferimos comer aqui mesmo".
Contrariada, ela sentenciou que só seria possível comermos ali depois da chegada dos garçons. Fomos pra porta do restaurante e sentamos na calçada à espera dos mesmos. Meia hora depois, a mulher sai pela porta e com esperança perguntamos: "Os garçons já chegaram?". Ela, toda displicente e faceirando pela calçada responde com aquele desdém típico de quem não está nem aí: "Não, eles saíram bem tarde e nem sei que horas eles chegam."
Indignados e esfomeados, abandonamos nosso posto de espera para irmos embora. No caminho, topamos com outro estabelecimento que dizia em letras bem grandes: "Empadão Goiano". Novamente animados, entramos e, sem olhar no cardápio, solicitamos: "Dois empadões e uma Coca-Cola". Na hora da conta, o moço do caixa anuncia: "São R$ 24,00". Novo susto! Nos entreolhamos e, já com a respiração fora de ritmo, arriscamos perguntar: "Qual o valor de cada empadão?". "Dez reais" é a resposta que recebemos.
A ponto de nos jogarmos pela escadaria abaixo, pagamos sem dizer uma só palavra e saímos pela rua afora com aquela sensação de patetice estampada no rosto. Pagamos R$ 1,00 a mais pelo empadão e ainda saímos desenformados.
Imagem capturada aqui.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Morangos à beira do abismo
Todas as vezes que as muitas atividades nas quais estou envolvido me colocam em abismos distantes do blog [esse espaço tão querido] eu me lembro de uma história contada por Rubem Alves:
"Um homem caminhava por uma floresta. Estava escuro porque a noite se aproximava. De repente ele ouviu um rugido terrível. Era um leão. Ele ficou com muito medo e começou a correr. Mas ele não viu o caminho por onde ia porque estava escuro e caiu num precipício. No desespero da queda ele se agarrou ao galho de uma árvore que se projetava sobre o abismo. Lá em cima, na beirada do abismo, o leão. Lá em baixo, no fundo do abismo, as pedras. E foi então que, olhando para a parede do abismo ele viu que ali crescia uma planta verde que tinha um fruto vermelho: era um morango. Ele então estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso."
Pendurado em precipícios, os registros no blog fazem parte da minha lista de morangos a serem comidos [em outra ocasião talvez valha a pena falar de outros morangos tão deliciosos quanto este aqui].
Por enquanto, naquilo que me diz respeito, prefiro acreditar que o meu compromisso é com aquilo que move meus olhos salivantes de sabores, espuma e sonho.
Então fica registrado e combinado assim: que os sabores substituam os sumiços!
Imagem de Michael Arnold. Achei aqui.
"Um homem caminhava por uma floresta. Estava escuro porque a noite se aproximava. De repente ele ouviu um rugido terrível. Era um leão. Ele ficou com muito medo e começou a correr. Mas ele não viu o caminho por onde ia porque estava escuro e caiu num precipício. No desespero da queda ele se agarrou ao galho de uma árvore que se projetava sobre o abismo. Lá em cima, na beirada do abismo, o leão. Lá em baixo, no fundo do abismo, as pedras. E foi então que, olhando para a parede do abismo ele viu que ali crescia uma planta verde que tinha um fruto vermelho: era um morango. Ele então estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso."
Pendurado em precipícios, os registros no blog fazem parte da minha lista de morangos a serem comidos [em outra ocasião talvez valha a pena falar de outros morangos tão deliciosos quanto este aqui].
Por enquanto, naquilo que me diz respeito, prefiro acreditar que o meu compromisso é com aquilo que move meus olhos salivantes de sabores, espuma e sonho.
Então fica registrado e combinado assim: que os sabores substituam os sumiços!
Imagem de Michael Arnold. Achei aqui.
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Sobre coleções, capas de discos e latas de leite Ninho
Minha coleção de tampinhas de garrafa eu guardava na lata de leite Ninho. Todas elas vinham com imagens dos SuperAmigos. Bastava retirar aquela rodelinha de plástico [que não existe mais] do fundo da tampinha para transformá-la em item de colecionador.
As figurinhas do Ping Pong Pantanal eram recortadas com precisão para fazer caber 12 em uma folha de papel sulfite colorido. Depois de coladas, o destino dado a elas era a pasta-catálogo em uma sofisticação que nenhuma lata de leite poderá alcançar um dia.
Na parede ao lado da cama, cuidadosamente organizados e fixados com percevejos, saquinhos plásticos exibiam meus gibis favoritos. Em convivências harmoniosas, Homem-Aranha, Chico Bento, Recruta Zero e Tio Patinhas dividiam o mesmo espaço no grande mural.
As fitas K7 continham músicas do rádio em gravações escolhidas a dedo [e muita paciência]. Ao lado delas ficavam as fitas VHS com capas fabricadas manualmente usando recortes de revistas de cinema. O que faltava era completado com letras riscadas e lapidadas pelo designer gráfico que já morava em mim sem que eu o soubesse.
Nacionais, Internacionais, Trilhas Sonoras e Clássicas são as categorias que regem a organização do meu acervo de músicas em MP3. Dentro de cada uma destas categorias há outros detalhamentos que facilitem a rápida localização da canção desejada com o mínimo de tempo possível. O toque final vem com a inserção das capas dos discos garimpadas pela internet em sessões de pura arte e meditação.
Imagem: Cena do filme "Uma Vida Iluminada". Olhei aqui.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Ensaio sensual da boneca Badia
Fotos: Wolney Fernandes.
Texto e produção: Rosi Martins
Na penumbra, a timidez sedutora...
Em um gestual rompante de dança contemporânea, Badia esquece os problemas do nervo ciático e mostra que fazer arte é percepção, intuição e emoção. Sua partitura de ação física é perfeita.
Esse corpo, adepto da yoga e da RPG, até desconcerta a gente. Ginga, samba, brasilidade, fouveirice, malemolência!
Com languidez, Badia escorre e esbalda volúpias e seduções. Ela tinha medo das fotos ficarem apelativas, mas [para o nosso deleite] o fotógrafo experiente usou de psicologia e convenceu esta beldade a posar.
Corpicho só na base do pilates, do método Feldenkrais, da acupuntura (ela já foi almofada de alfinetes no ateliê de figurinos), t'ai chi chuan...
Momento, talvez, de reflexão. Olhar perdido, olhar "pro antonte", desanuviada... mas sem perder o contato com a corporeidade, a presença cênica, o tônus muscular. Seus ídolos? Laban, Delsarte, Alexander, Reich, Martha Graham, Pina Bausch e Ana Maria Braga.
Texto e produção: Rosi Martins
Na penumbra, a timidez sedutora...
Em um gestual rompante de dança contemporânea, Badia esquece os problemas do nervo ciático e mostra que fazer arte é percepção, intuição e emoção. Sua partitura de ação física é perfeita.
Esse corpo, adepto da yoga e da RPG, até desconcerta a gente. Ginga, samba, brasilidade, fouveirice, malemolência!
Com languidez, Badia escorre e esbalda volúpias e seduções. Ela tinha medo das fotos ficarem apelativas, mas [para o nosso deleite] o fotógrafo experiente usou de psicologia e convenceu esta beldade a posar.
Corpicho só na base do pilates, do método Feldenkrais, da acupuntura (ela já foi almofada de alfinetes no ateliê de figurinos), t'ai chi chuan...
Momento, talvez, de reflexão. Olhar perdido, olhar "pro antonte", desanuviada... mas sem perder o contato com a corporeidade, a presença cênica, o tônus muscular. Seus ídolos? Laban, Delsarte, Alexander, Reich, Martha Graham, Pina Bausch e Ana Maria Braga.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
"A vaidade mata quando a beleza é muita"
De imediato, ao deixar a bolsa enorme na cadeira que separava o meu lugar e o dela, perguntou: "Como é seu nome?" - Fiz cara de paisagem para disfarçar minha surpresa diante da abordagem inesperada e respondi: "Meu nome é Wolney". A desconhecida de quarenta e tantos anos sentada do meu lado era alta, cabelos nos ombros e montes de pulseiras no braço.
"Menino, mas que coincidência! Wolney é o nome do meu cunhado que morreu" - notei que seus olhos conferiam a senha que tinha nas mãos com os números que apareciam no painel digital da agência central dos correios. Ela apertava os olhos e esticava o braço para enxergar melhor e continuou: "Conhece o Apolo?"
Antes que pudesse pronunciar um "não" audível ela se antecipou: "Apolo, aquele deus do amor lá dos gregos". Ao abrir a boca para responder, ela me deu maior tapão no ombro e, como se fóssemos velhos conhecidos, sapecou: "Apolo, aquele que morreu afogado porque era muito bonito." Dei um sorriso amarelo e corrigi: "Você quer dizer Narciso?"
"Isso! Esse aí mesmo. Eu confundo as bolas dos deuses. Meu cunhado morreu igual ao Naciso".
"Afogado?". Perguntei com um riso no canto dos lábios quando ela pronunciou Narciso sem a letra "r".
"Não. O Wolney morreu porque era bonito demais. A coitada da minha irmã já não tinha mais testa. Foi chifre demais que ele colocou nela. Era com mulher, era com homem. Você sabe como é caminhoneiro, né? Meu cunhado não deixava passar ninguém. Ele era bonito demais da conta". Sem entender direito a causa da morte daquele Wolney - que fora abençoado com a beleza clássica dos deuses gregos - ousei perguntar: "Mas como foi que ele morreu?". Com um movimento brusco ela saltou de pé no exato momento em que o barulho da campanhia indicando a próxima senha ressoou e remexendo na bolsa jeans explicou: "Doença venéra" [a palavra 'venérea' pronunciada sem o "e"].
"Teve que cortar o troço fora. Durou ainda uns dois anos, mas morreu quando a doença voltou. E foi a boba da minha irmã quem cuidou dele até o dia da morte. Ele só aceitava ela pra dar banho nele. Pediu perdão a ela pelas traições e morreu jovem: 42 anos. Moço bonito que nem ele, só artista de novela"
Ao encontrar a lixa de unha que procurava na bolsa, sentou novamente e continuou, agora em um tom mais tranquilo: "É por isso que eu digo, a vaidade mata quando a beleza é muita! Só sendo de família boa pra escapar!".
Nesse exato instante, minha senha piscou no painel: "Minha vez!" consegui me despedir rapidamente e enquanto caminhava para o balcão tentei entender direito aquele monólogo, mas não consegui. Depois, enquanto me dirigia até a saída, notei [com o rabo do olho] que ela tinha mudado de lugar e agora reclamava dos nomes das ruas de Goiânia a um homem com um olhar ainda mais confuso que o meu.
Suspirei aliviado: "Escapei!"
Pintura: "No espelho das águas" de John Waterhouse. Imagem capturada aqui.
"Menino, mas que coincidência! Wolney é o nome do meu cunhado que morreu" - notei que seus olhos conferiam a senha que tinha nas mãos com os números que apareciam no painel digital da agência central dos correios. Ela apertava os olhos e esticava o braço para enxergar melhor e continuou: "Conhece o Apolo?"
Antes que pudesse pronunciar um "não" audível ela se antecipou: "Apolo, aquele deus do amor lá dos gregos". Ao abrir a boca para responder, ela me deu maior tapão no ombro e, como se fóssemos velhos conhecidos, sapecou: "Apolo, aquele que morreu afogado porque era muito bonito." Dei um sorriso amarelo e corrigi: "Você quer dizer Narciso?"
"Isso! Esse aí mesmo. Eu confundo as bolas dos deuses. Meu cunhado morreu igual ao Naciso".
"Afogado?". Perguntei com um riso no canto dos lábios quando ela pronunciou Narciso sem a letra "r".
"Não. O Wolney morreu porque era bonito demais. A coitada da minha irmã já não tinha mais testa. Foi chifre demais que ele colocou nela. Era com mulher, era com homem. Você sabe como é caminhoneiro, né? Meu cunhado não deixava passar ninguém. Ele era bonito demais da conta". Sem entender direito a causa da morte daquele Wolney - que fora abençoado com a beleza clássica dos deuses gregos - ousei perguntar: "Mas como foi que ele morreu?". Com um movimento brusco ela saltou de pé no exato momento em que o barulho da campanhia indicando a próxima senha ressoou e remexendo na bolsa jeans explicou: "Doença venéra" [a palavra 'venérea' pronunciada sem o "e"].
"Teve que cortar o troço fora. Durou ainda uns dois anos, mas morreu quando a doença voltou. E foi a boba da minha irmã quem cuidou dele até o dia da morte. Ele só aceitava ela pra dar banho nele. Pediu perdão a ela pelas traições e morreu jovem: 42 anos. Moço bonito que nem ele, só artista de novela"
Ao encontrar a lixa de unha que procurava na bolsa, sentou novamente e continuou, agora em um tom mais tranquilo: "É por isso que eu digo, a vaidade mata quando a beleza é muita! Só sendo de família boa pra escapar!".
Nesse exato instante, minha senha piscou no painel: "Minha vez!" consegui me despedir rapidamente e enquanto caminhava para o balcão tentei entender direito aquele monólogo, mas não consegui. Depois, enquanto me dirigia até a saída, notei [com o rabo do olho] que ela tinha mudado de lugar e agora reclamava dos nomes das ruas de Goiânia a um homem com um olhar ainda mais confuso que o meu.
Suspirei aliviado: "Escapei!"
Pintura: "No espelho das águas" de John Waterhouse. Imagem capturada aqui.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
[com]pressões
De vez em quando o que guardo aqui dentro, transborda. Sou eu mesmo pedindo passagem para vomitar raivas e frustrações engolidas e remoídas pelo "foda-se" não dito.
De vez em quando esqueço que a tristeza é parte da brincadeira.
De vez em quando acredito que amores possam surgir da coragem de me apresentar por minhas falhas, feridas e imperfeições.
De vez em quando, pelas [com]pressões, prefiro habitar o solo lunar para frequentar o lado escuro da lua nova.
De vez em quando quero mais fazer bom uso da imagem do que ser usado por ela.
De vez em quando rezo, como sugeriu Rilke, para que a beleza me permita contemplar o horrível, sem ser por ele destruído.
Imagem: Fotografia de Carl Kleiner
De vez em quando esqueço que a tristeza é parte da brincadeira.
De vez em quando acredito que amores possam surgir da coragem de me apresentar por minhas falhas, feridas e imperfeições.
De vez em quando, pelas [com]pressões, prefiro habitar o solo lunar para frequentar o lado escuro da lua nova.
De vez em quando quero mais fazer bom uso da imagem do que ser usado por ela.
De vez em quando rezo, como sugeriu Rilke, para que a beleza me permita contemplar o horrível, sem ser por ele destruído.
Imagem: Fotografia de Carl Kleiner
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Aleatoriedades do dia
01. Sodade - Cesaria Evora
02. Fools in Love - Inara George
03. I Saw daddy today - Yann Tiersen
04. Heard them stirring - Fleet Foxes
05. Sobre o tempo - Pato Fu
A brincadeira começou assim.
Imagem capturada aqui.
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