quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nomenclaturas contemporâneas

Dia desses, pedi um texto para uma das turmas onde dou aula na UFG e quando expliquei a quantidade de caracteres que compõe uma lauda, um dos alunos tratou rapidamente de acalmar a classe, explicando: "Calma gente! São só dez postagens no twitter".

Foto capturada aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Jeito de Existir

Meus erros se desenham em vias paralelas. Minhas besteiras comentam, falam de mim pelas perpendiculares, mas eu sei delas porque toda véspera de aniversário é assim! Me ponho a prestar atenção naquilo que no restante do ano deixo guardado. As vontades de inventar novos chãos engordam e começo a abrir caminhos sem saber da minha própria direção.

Envelhecer realça peculiaridades de um olhar que considera o passado no traçado de planos futuros. Se antes as estações me pareciam embaralhadas, agora já consigo perceber as nuances desse vento de outono que chama, de mansinho, o inverno. Embora não tenha escolhido uma vida com décimo terceiro, vez por outra é ela que me garante risos fáceis. Vez por outra, é ela que me furta o viço.

E sigo assim, vacilante entre as bobagens e as obrigações típicas desse mês de junho. Um pobre atormentado descobrindo seu jeito de envelhecer. Um pobre atormentado desenhando seu jeito de existir.

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 31 de maio de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Nas bancas

Na banca da Rua 04
Enquanto olho algumas capas, um homem baixinho conversa com o dono da banca de revistas:
- Ela era bonita demais! Eu lembro dela passeando pela rua. A puta mais gostosa que essa cidade já viu e agora tá casada.
- O Genivaldo é corajoso!
- Pois é, eu tenho minhas dúvidas e não coloco minha mão no fogo, pois não acredito em ex-puta e nem em ex-viado.

Na banca da Avenida Goiás
Um rapaz chega e, num assombro só, desembucha a quem está dentro da banca:
- Vocês acreditam que tem dois homens se beijando ali na esquina?
Um velho de bigode deixa a revista que está folheando e se vira, indignado:
- Culpa da Dilma!

Imagem capturada aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sessão da Tarde

A Sessão da Tarde era o cinema que acomodava os primeiros batimentos do meu coração de cinéfilo. A batida era no ritmo dos filmes de adolescentes da década de 80 que eu assistia milhões de vezes sem me cansar. Narrativas previsíveis, figurinos de brechó e trilhas sonoras imbatíveis faziam parte do pacote sempre emoldurado por histórias [dramáticas?] de amor e comédia, típicas da idade.

Para minha surpresa, boa parte dos meus preferidos estão disponíveis no YouTube. A sessão nostalgia começou na semana passada e não tem data para terminar. Salve, mestre John Hughes e santa Molly Ringwald.

1. Curtindo a Vida Adoidado
2. A Garota de Rosa Shocking
3. Namorada de Aluguel
4. Alguém muito especial
5. Quase igual aos outros
6. Admiradora Secreta

Imagem capturada aqui

domingo, 22 de maio de 2011

Bis da semana























As músicas que mereceram bis no meu iPod esta semana:

01. Sunday - Hurts
02. Midnight Room - Blaudzun
03. Fuga nº 1 - Thiago Pethit
04. Go Your Own Way - Fleetwood Mac
05. Cuitelinho - Mônica Salmaso
06. The Things You Said - Depeche Mode
07. In my Boat - Cocoon
08. A Legacy of Confort - Martin Phipps
09. Piscar o Olho - Tiê
10. Arms - Christina Perri

Imagem capturada aqui.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quando carinhos chegam dentro de caixinhas

São Jorge em camiseta, invenções dobradas em caixinhas de papel, batuques de coco a barroco...

Carinhos em forma de presentes que aqueceram meu coração nesta semana. E olha que meu aniversário é só no mês que vem!

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pensar à lápis

"Eu não uso caneta. Não me acostumo. Já viu que a caneta corre no papel, assim, sem freio? Então, se a gente erra e quer arrumar, aí emporcalha tudo. Fica aquela desinteria de tinta!

Agora, o lápis não! O lápis é maravilhoso porque ele agarra o papel, ele aceita a borracha, ele obedece a mão e ao pensamento da gente. Aliás, eu sou um homem que só consegue pensar à lápis."

Trecho do filme "Narradores de Javé"
Imagem capturada aqui.

sábado, 7 de maio de 2011

Os Fios de Vó Cecília
























Vó Cecília colhia algodão de dois pés que ela mesma havia plantado no quintal. Com a saia do vestido feito concha, entrava em casa carregando os frutos brancos. No desfiar dos dias, descaroçava, cardava, fiava no fuso de mão e enrolava a linha em novelos que ela guardava pendurados atrás da porta do quarto.

Pouco tempo antes de morrer, me chamou e disse que aquela penca de novelos tinha uma finalidade: se fazer pano para um corte de camisa para mim. Ela se foi e eu nunca soube que fim levou os fios que ela tecia com tanto zelo. Talvez por isso, todas as vezes que abro o guarda-roupa para pegar uma camisa, minha memória a alcança.

Foto: Wolney Fernandes

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Esquecimentos

Esquecimentos tiram da gente pequenas alegrias. E as primeiras a partirem sem despedidas são aquelas baldias que brotam em pormenoridades. Junto com elas, as lembranças escapam, mas deixam um perfume bom que se espalha depois que vasos de alabastro se quebram.

Imagem de Vincent Van Gogh. Olhei aqui.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Céu de Suely

A impermanência instaurada pelas utopias que nos movem vida afora é o azul que dá o tom do filme "O Céu de Suely" (Brasil, 2006). Uma falta que vai além do material move Hermila, a protagonista, a voltar para sua cidade natal no interior no nordeste. Um filho no colo, a espera de um amor que nunca chega e a descoberta da solidão fazem com que ela decida rifar uma noite de sexo para conseguir o dinheiro necessário para que a vida continue à partir dali.

O retorno se cumpre pela vontade de partir novamente. Na inquietação diante de um cotidiano sem surpresas, cada trecho da narrativa parece extrair significados que não precisam de auto-explicação. A mudança experimentada por dentro marca um descompasso com a aparente imutabilidade que se cristaliza do lado de fora.

Uma parábola que não termina quando o retorno para a casa parece não dar conta das questões plantadas no coração. Nas palavras de T.S. Eliot: "E ao final de nossas longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez". A resposta silenciosa que o filme dá a esta sentença vale cada pedaço de céu mostrado em diversas sequências durante a história. Destaque para a última cena, talvez um dos finais mais belos que o cinema nacional já mostrou.

Imagem capturada aqui.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Camadas temporais

O relógio de bolso da Novelo é uma das peças mais legais da nova coleção, pois mistura camadas de tempo entre passado e presente.
Pra se perder em variações clássicas e se encontrar em estilos bem contemporâneos.

Foto: Wolney Fernandes

domingo, 1 de maio de 2011

Afogamento

Lá em casa a pescaria começava no quintal, bem debaixo do pé de manga. Era lá que tinha terra preta e úmida, morada preferida das minhocas. Ainda menino, minha inaptidão para a pesca considerava uma atrocidade ter que espetar o anzol naqueles seres indefesos que se retorciam a cada furo.

Atirá-las aos peixes era crueldade ainda maior e meu coração ficava pequenino em saber que não havia salvação nem para a isca, nem para o pescado e muito menos para mim. Afinal, nas pescarias, minha função era ficar calado, enjoado e afogado pelo desejo de estar em outro lugar.

Imagem capturada aqui.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Confissões

Talvez esse não seja um bom momento para confissões, mas que fazer quando se erra no princípio e no depois?

Vivo me repetindo em instantes letivos porque nunca aprendo a deixar os pés no chão. Asas pra voar me carregam em brisas sem direção. Não adianta cortá-las porque elas brotam pelos sopros cumpridos em adorações ditas em noites de lua.

Por minha culpa, minha tão grande culpa deixo de lado as imperfeições poéticas que imaginei para recolher as reais. Aquelas que me colocam em esperas carregadas de eternidades.

Tomara meu desejo de construir confusões e acolher confissões se faça eterno. Desconfio que não, pois eu sei dos meios, mas nunca dos fins.

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 18 de abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

Perguntas [im]possíveis

Do "Livro das Perguntas" de Pablo Neruda, sete suspiros me beijam incessantemente:

"- A quem posso perguntar que vim fazer neste mundo?
- É verdade que as esperanças devem regar-se com orvalho?
- Por que choram tanto as nuvens e cada vez são mais alegres?
- Como ganhou sua liberdade a bicicleta abandonada?
- De que cor é o perfume do pranto azul das violetas?
- Quantas semanas tem um dia e quantos anos tem um mês?
- Onde está o menino que eu fui? Está dentro de mim ou se foi?"

Imagem de Isidro Ferrer.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Primeiros Fascínios

Em um breve intervalo de tempo, perto da madrugada que é quando a lua quer se fazer sol, começo a notar meus pés se afastarem do chão. E sinto medo. No entanto, aos poucos, entendo que pra dizer de felicidades só é preciso ouvir.

Nos maciços silêncios do branco da página é possível entrever o outro lado. Então, o depois começa a se desenhar em linhas tênues e tranquilas tamanha a transparência revelada pela voz que me fala.

Na ausência de prazos, na certeza em saber que nem tudo o que se quer pode ser alcançado, acolho todos os espasmos do mundo em meu corpo para escutar os ecos de meus primeiros fascínios. E tal como a lua com seu brilho acalentador, sinto uma fonte gotejante de boas sensações.

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobre o tempo

O mundo, cada vez mais acelerado, faz a gente querer pular as fases e chegar mais rápido diante do nosso destino. Tudo é feito para a gente não perder tempo. A lei e a ordem do dia é uma só: Corra! Mas todos os dias durmo com uma dúvida: será que existe um bom motivo pelo qual vale a pena essa correria toda?

Nas palavras de Raduan Nassar, um esboço de resposta:
"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; [...] rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; [...] pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas..."

Foto: Wolney Fernandes

domingo, 10 de abril de 2011

De coco

"Louco! O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil."

Texto: Trecho da música "O Bêbado e o Equilibrista".
Sequência de imagens: Charles Chaplin, René Magritte, Ilustração do filme "Laranja Mecânica, Cena do filme Cabaret, Foto capturada em navegações pela internet (sem os devidos créditos, quem souber a autoria, avise-me), Cena do filme Aristogatas, Cholita boliviana, Luminária do meu quarto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rabiscos coletivos

Dancei sobre corpos, papéis e carvão em uma tarde de sábado toda desenhada. Para que as margens do papel e do corpo se dissolvam em rabiscos coletivos e experimentais.





Fotos de Eddy Pontes.
Atividade do grupo "Desenha!"

Paisagens doloridas

Acolho meu cansaço e seu desatino num ritual de pensar a vida pela sua brevidade. A morte, quando sentada na cadeira ao lado, rouba da gente os sossegos de antes... de depois... e coloca em nosso colo o agora... urgente e arbitrário.

Ainda dolorido pela paisagem e [o]dores do final de semana, meu choro se converte em palavras.

Ao fazer uma mortalha de palavras, rabisco meu luto pelas perdas de gente que a gente gosta, de tempo, de viços, de esperanças e lembranças. Todas elas.

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poço de desassossego

Sempre que chega o outono, olho para o Wolney que ainda espera o diferente. Do poço do desassossego nenhuma conquista o satisfaz, nenhuma felicidade o acalma.

Foto de Elinor Carucci