Páginas

Mostrando postagens com marcador instantes compartilhados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador instantes compartilhados. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O apanhador de desperdícios*


Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.

Texto: Manoel de Barros
Foto: Wolney Fernandes

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Top Friday


Hoje, juntei as sete primeiras músicas que apareceram no feed do meu facebook e acabei com uma playlist deliciosa. Escuta só!

01. You - Keaton Henson [da timeline do Jorge A. Santana]
02. Take me to Church - Kiesza [da timeline do Ricardo Rodrigues]
03. There's a place in hell for me and my friends - Morrissey [da timeline da Isabela Preto Junqueira]
04. True Colors - Cindy Lauper [da timeline do Raul Castro]
05. You Can't Hurry Love - The Supremes [da timeline da Lúrian Louise]
06. I Blame Myself - Sky Ferreira [da timeline do Acrop Acrop]
07. Come Get it Bae - Pharrell Williams e Miley Cyrus [da timeline do Vitor Marques]

Imagem capturada aqui.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A Boa Manhã*


Apenas passo os olhos pelos jornais; jogo-os fora, alegremente, porque eles pretendem dar-me notícia de muitos problemas, e eu não tenho nem quero problema nenhum.

Acordei um pouco tarde, abri todas as janelas para o sábado louro e azul, e o mar me deu bom-dia. Passa um pequeno barco branco no mar de safira: como vai ligeiro, como vai contente, com seu bigodinho de espumas brilhantes! Uma ave se detém um instante peneirando, depois mergulha na vertical em grande estilo; quando volta, um pequeno peixe brilha em seu bico.

Chupo uma laranja, e isto me dá prazer. Estou contente. Estou contente da maneira mais simples – porque tomei banho e me sinto limpo, porque meus braços e pernas e pulmões funcionam bem; porque estou começando a ficar com fome e tenho comida quente para comer, água fresca para beber.

Nenhuma tristeza do mundo nem de meu passado me pega neste momento. Tenho prazer em ver que a Ilha Rasa está lá direitinha, em seu lugar, com o farol branco. Vejo ao longe, saindo da praia, dois amigos; estão conversando e rindo. Tomaram seu banho de mar, vão almoçar; estou contente porque os amigos vão bem e suas mulheres esperam crianças. Saúde e prosperidade! Estou contente porque recebi uma boa notícia. Nada de extraordinário, mas uma notícia muito simpática.

Sei que o mundo está cheio de horríveis problemas – e eu mesmo, pensando bem, tenho alguns bem chatos. Mas não estou pensando neles; estou vivendo nesta fresca manhã um momento de bem-estar, de felicidade.

Ora, considerando que a felicidade é uma suave falta de assunto, eu me despeço de todos com um cordial bom-dia e vou almoçar. Não quero contar prosa, mas tenho arroz, feijão, carne, alface, laranja, pão, tudo o que um ser humano necessita para viver bem.

Um velho amigo vem honrar a minha mesa; falaremos com simpatia das mulheres bonitas desta formosa capital. Conversa de brasileiros! Bom dia, passem bem todos com suas mulheres, com seus amigos, com suas amantes também.


O texto é do Rubem Braga, mas nesta manhã fiz dele um tesouro só meu!
A foto eu encontrei no "Poeme-se"

(*) In, Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 118

domingo, 8 de setembro de 2013

"O menino que carregava água na peneira"


Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre os orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menina fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho, você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

[Manoel de Barros]

Imagem capturada aqui.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Notações sobre o silêncio


Em meio ao caos que habita o meu peito nas últimas semanas, tenho notado rastros de silêncio por aí:

"O silêncio fala"
[no facebook da Julia Mariano]

"Que silêncio alto!"
[na voz de quem gostou da peça "Uma Noite de Lua" de João Falcão]

"Há um silêncio no qual nenhum som se faz ouvir.
Há um silêncio no qual som algum pode existir"
[do filme "O Piano"]

"Criar o vazio em torno de si para encontrá-lo em si. Não ouvir mais ninguém, não dizer mais nada. Escutar o seu silêncio."
[no facebook do Sérgio Veleiro]

"Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura"
[do poema "Escuta" de Manoel Bandeira]

"Ouvido insone
motor de carros passando na rua;
buzina de carros;
buzina (buzina?) de trem passando longe;
latido de cachorro.
pingos;
tique-taque de relógio;
minha respiração;
pulsação do meu coração;
meus pensamentos."

Rua Fernando Esquerdo, 08/07/2013, 22h43
[no facebook da Késia Decoté]

"De repente a música parou e, na quietude da tarde eu pude ouvir o relógio de pulso no canto da mesa. Tive medo daquele silêncio em forma de tique-taque."
[eu, em uma nota no celular na tarde da última quinta-feira]

Foto roubada no Instagram do Raí Costa Filho. Porque nela o silêncio transborda em delicadezas difíceis de nomear.

domingo, 31 de março de 2013

Andeiro


"O velho pé de ipê ao pé da serra
estende os braços pro desfiladeiro
carrega sobre os ombros toda história
que viu e ouviu ao pé do tabuleiro
É dono do silêncio mais profundo
que por sinal é o som mais verdadeiro
de tudo o que se passa neste mundo
de tudo o que é eterno e passageiro

Seus braços bem abertos para a vida
acenam de um modo sobranceiro
despedem quem já estava de partida
e acolhem quem fugiu do aguaceiro
E eu que só estava de passagem
me sinto em casa nesse paradeiro
deixei de lado o peso da bagagem
e repensei meu rumo, meu roteiro
e recontei meus passos de andeiro"

[Gladir Cabral]

Foto: Wolney Fernandes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Catador de poesia


Procurei poesia pelo facebook e encontrei essas aqui:

‎"Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais,
a gente levanta,
a gente sobe,
a gente volta”


[João Guimarães Rosa] via Carmem Lucia Teixeira

.............................

"Todo aquele que dorme vira de novo criança, 

porque durante o sonho não se pode fazer o mal nem prestar contas à vida..." 

[Fernando Pessoa] via Agno Flávio Santos

.............................

“O que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem. O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.”


[Adélia Prado] via Vanessa A. Correia

.............................

‎"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça."


[Cora Coralina] via Gisele Costa

.............................

‎"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, 
não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

[Cecília Meireles] via Célia Regina Oliveira

.............................

Poesia em forma de imagem na foto de Leandro Andrade que ilustra esta postagem.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Instantes Compartilhados


A ideia é escolher um tema e passar o dia recolhendo compartilhamentos relacionados pela timeline do facebook. Ao final, haverá sempre uma lista, no mínimo inusitada, para rechear as possibilidades de encontros e múltiplas associações que só a internet é capaz de viabilizar.

Pra começar, juntei músicas para fazer uma playlist!

01. O que é o que é - Gonzaguinha [compartilhada por Lídia Leal]
02. She's in Fashion - Suede [compartilhada por Alessandro Magalhães]
03. Until the Sun Comes - Rival Sons [compartilhada por Marília Assis]
04. Bullet With Butterfly Wings - The Smashing Pumpkins [compartilhada por Lydia Himmen]
05. Dumb Ways to Die - Tangerine Kitty [compartilhada por André Barz]
06. You Learn - Alanis Morissette [compartilhada por Adson Amorim]
07. Gigantic - The Pixies [compartilhada por Mário Cavalcante]
08. Le Chat du Cafe des Artistes - Charlotte Gainsbourg & Beck [compartilhada por Lupe Vasconcelos]
09. Edge of Seventeen - Stevie Nicks [compartilhada por Yuri Lopes]
10. Consumado - Arnaldo Antunes [compartilhada por Jaciara Pires]

Imagem capturada aqui.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Debaixo d'água

você.
os peixes.
o vazio preenchido.

debaixo d'água, se formando como um feto
- serenoconfortávelamadocompleto -
sem chão, sem teto, sem contato com o ar.
mas tinha que respirar.*

Delicadamente, a Camila Pereira me enviou, de presente, os textos e a imagem acima. Por tanta beleza, não consegui guardar só pra mim.

Imagem: Francesco Clemente
[*] Citação da música "debaixo d'água" de Arnaldo Antunes

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Manuseie com cuidado!


Avisos de posse e uso:

1. A posse desse caderno, de todos os desenhos, sentimentos e poéticas contidos no mesmo pertencem a Wolney Fernandes.

2. A reprodução física ou digital ou sorridente do conteúdo deste caderno é de direito daquele que detém a posse do mesmo.

3. À partir do momento em que a tinta, os cheiros, o suor e o café secaram no papel, os desenhos aqui contidos deixaram de pertencer à sua criadora.

4. O caderno deverá ser acompanhado pelos seguintes itens:
     - Um peixe de celofane com instruções de como dar vida ao mesmo.
     - Uma lixa para sentir a asperidade das quintas-feiras e dos domingos à tarde.
     - Um pedaço de azul da minha segunda-feira.
     - Um pedaço de fio encerado para amarrar os problemas da vida.
     - Um timão para a navegação dos sonhos.
     - Uma concha para lembrar do fragmento de mar que há em todos nós.
     - Um botão para a casa solitária da camisa.
     - Uma ficha telefônica para o caso de voltar ao tempo das ligações de orelhão e precisar ligar para alguém.
     - Um peixe-pássaro para nadar até a lua.
     - Grãos de café do quintal da minha avó.
 .................................................................

Ana eu conheci na aula de desenho. Sua vontade de desenhar o mundo e rabiscar a vida era tão grande que me contagiava. Ana era aluna, eu, professor. Ana confiou a mim sua história que é uma das mais lindas que eu já ouvi. Por ela, eu sei que é possível um amor que se constrói por encontros e delicadezas, destes que cartografam geografias afetivas em realidades possíveis. Este mês, Ana me presenteou com um caderninho recheado de afetos e carinhos que ventilaram belezas guardadas no coração. Ana é amiga, eu, seu eterno admirador!

Foto: Wolney Fernandes

sexta-feira, 30 de março de 2012

Pequenas Ternuras


"Quem não se envergonha da beleza do pôr-do-sol ou da perfeição de uma concha; quem se desata em riso à visão de uma cascata; quem não se fecha à flor que se abriu de manhã; quem se impressiona com as águas nascentes, com os transatlânticos que passam, com os olhos de animais ferozes; quem se perturba com o crepúsculo; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem se sente leve perto da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga perceber o "pensamento" do boi e do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e, mesmo aparentemente livres como os outros, andarão por toda parte acorrentados, atados aos pequenos amores da grande armadilha terrestre."

[Paulo Mendes Campos]

Imagem: Wolney Fernandes

sexta-feira, 23 de março de 2012

Meio Amores


Vim postar um texto sem saber direito o que escrever. Daí pensei em tantas coisas: nas canções da Nara, nos filmes de Sofia Coppola, nas dores de Frida, nos poemas do Manoel de Barros, nas texturas de Rothko – todas meio amores assim jogados ao mar. Sem entender as razões pelas quais foram escritas, compostas, desenhadas... elas chegam até mim para iluminar meus dias.

Imagem de Mark Rothko. Olhei aqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Todos os sonhos do mundo"


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

[Álvares de Campos]

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Roteiro básico para fabricar Sereias"


“Piso na areia, percebo o bilhete laranja espetado no graveto seco,
'escolha uma dia de verão em que a água esteja muito
fria, aguarde até que uma menina (dessas com menos de
nove anos, com os ossos ainda tenros) entre no mar, sem
que haja alguém por perto, e, sem desvestir as roupas, entre
no mar também e a carregue pela cintura, nadando rápido
até os dois desfalecerem; ela se tornará sereia',
dobro obilhete e o enfio no bolso, evito encarar o oceano,
algo me aguarda nas espumas da rebentação”

Poesia de Paulo Scott
Imagem: Wolney Fernandes

domingo, 4 de dezembro de 2011

Arco-Íris Portátil
A Todo Instante por Gláucio Henrique Chaves


Gláucio Henrique Chaves é filho dedicado às belezas que só a mãe natureza sabe oferecer. Vive prestando atenção em paisagens e marcas do tempo lá para os lados das Minas Gerais. Para saber mais: EFGoyaz
O Semeador
A Todo Instante por Marcos Vinícius Ramos

Saiu o semeador a semear...
Dentre uma variedade de sementes
visíveis e invisíveis por aí, qual semear?
Minhas mãos, acostumadas, pedem trigo ou algodão.

Trigo para os moinhos-dragões,
na luta por um existência diária;
mais um poente, outro nascente,
à espera de fartura, de pão.

Algodão para os teares da história,
com repassos e tramas tão sutis.
Fio a fio se faz uma vida,
sem paixão e com alma ferida.

Uma parte da semente caiu na beira da estrada...
Não mais as mesmas sementes.
Pois os pássaros ficaram famintos;
e os espinhos não sufocam ninguém.
Meu coração anseia por uma nova semente,
como teus olhos por uma nova imagem.

Semente nova,
imagem nova,
e uma história humana de sempre,
sem panos e sem pão.

Marcos Vinícius Ramos é poeta de natureza. Para mergulhos em versos de pura beleza, clique aqui.

domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre o grande amor


"Eu sempre achei que o amor, o grande amor fosse incondicional. Que quando houvesse um grande encontro entre duas pessoas, tudo pudesse acontecer. Porque se aquele fosse o grande amor, ele sempre voltaria triunfal. Mas nem todo amor é incondicional. Acreditar na eternidade do amor é precipitar o seu fim. Porque você acha que esse amor aguenta tudo, então, de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo. Um grande amor não é possível. E talvez por isso é que seja grande - para que nele caiba o impossível."

Texto da série "Afinal, o que querem as mulheres?"
Imagem: Ilustração de Olaf Hajek
Sede
A Todo Instante por Adriano Antunes


Longo é o caminho que percorro a procura de respostas para indagações antigas. Percurso intransferível que gera desconforto, totalmente compreensível, como sentir sede no deserto. O viver ensina, e a todo instante surge nova peça desse quebra-cabeça gigante, composto por inúmeros efeitos sem aparente causa. Sigo a dica dos testados, ato contínuo, inicio pelos cantos sem noção de centro, remonto a causa pelos efeitos, esforço paciente. Ontem, asas amarradas ao solo; hoje, tentativas de vôo raso, rápido, observo maravilhado, a sede de busca que sempre habitou em mim.

Adriano Antunes ventila escritas vindas do sul com a propriedade de quem deixa pegadas difíceis de apagar. Para seguir seus rastros, clique aqui.
Imagem: Marcelo Fedrizzi, fotógrafo

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Para meu querido Wolney, com amor.
A Todo Instante por Gwavira Gwayá


A todo instante, a vida pode nos surpreender. Qual a melhor maneira para estarmos receptivos às surpresas? Será preciso andar distraídos por veredas pouco familiares? Ou seria melhor nos colocarmos atentos, observadores obstinados? Não nos é dado saber, jamais... Quando a vida explodirá a poucos passos de nós, rompendo cascas, ali, à beira da via movimentada, na forma de uma ninhada de quero-queros? Como saber qual sobreviverá à difícil travessia dos primeiros dias? E, de repente, a breve visão da luz da manhã banhando a cria nova, depois da chuva, sob os olhos atentos do casal de quero-queros, prontos a atacar qualquer visitante indesejado... Pronto: o dia já terá valido a pena!

Gwavira Gwayá
Terra Gwayá, 9 de novembro de 2011

Gwavira Gwayá borda delicadezas e trança alegrias com risos soltos. Possui a voz mais linda que eu já ouvi e tem um blog de notas e rabiscos. Para conhecer mais, clique aqui.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

[a]guardando instantes
A Todo Instante por Odailso Berté


Instantaneamente vários deles desfilam pela minha memória: o poço onde fios de cabelo viravam cobras, o açude rodeado por pés de ariticum e guavirova, o parreiral onde a cobra verde me assustou, os canteiros de flores que ajudei minha mãe fazer, a xícara de café com leite sobre a mesa na manhã em que acordei sozinho, o dia em que calcei uma sandália feminina envergonhando meu pai perante amigos, a flor amarela que avistei perto do limoeiro, as garças brancas na aveia verde, o lapso entre o músico e o policial, amor e título, exigência e displicência, o medo de...

Desde sempre os movemos e somos movidos por eles. Revendo-os me abraço e me [co]movo. Vou e volto neles, pois me constituem. Os que foram e os que virão, com suas cobras, flores, sandálias e amores.

Parafraseando Cazuza, o instante não pára. O mundo não pára, nos não paramos. Quer dizer, um dia vamos parar, depois de [a]guardarmos muitos instantes. Mas eles seguirão acontecendo.

Odailso Berté veio do sul e vive inventando passos de dança para levantar a poeira e as folhas do cerrado. Para conhecer mais: Dançamentos