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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Mais de Mim

Um exercício bom (e difícil) é perceber como as pessoas que convivem comigo me enxergam. Como amanheci com o ego lá nas alturas, resolvi juntar definições de Wolney que andaram escrevendo por aí:

1. Wolney é um menino! A gente olha pra ele e pensa que ele é adulto, mas não se enganem! É um menino que gosta de ler, que vai ao cinema, ao teatro, que desenha e pinta (fala que isso não é coisa de criança!!!)
Naira (antes: colega de graduação/hoje: amiga do peito)

2. Ele é uma continuidade sem fim de círculos coloridos entrelaçados.
Fernando (amigo-irmão)

3. É um cara muito sensato e, sobretudo, uma pessoa que entende os momentos gris que a vida tem.
Jaciara (terceira e única)

4. Um artista com um monte de caranguejos internos.
Hilário Dick (mestre-amigo)

5. Acredito que uma pessoa como ele não é coisa desse mundo porque é uma mistura de real e imaginário.
Edilson (amigo do interior) rsssss

06 de Janeiro de 2008
Imagem: Wolney Fernandes

Amor nos tempos do Cólera

Amor em tempo do Cólera é um filme mediano. Mesmo sendo uma adaptação do livro visceral do colombiano Gabriel Garcia Marquez o filme fica enfadonho em sua última metade. De bom mesmo, eu realço três aspectos: O primeiro, sem dúvida, é a bela trilha sonora, com destaque para três músicas da Shakira que está "latinamente" muito inspirada, diga-se de passagem. O segundo, a participação de Fernanda Montenegro que, mesmo falando em inglês (alguém pode me explicar porque o filme não é falado em Espanhol?) dá um show à parte como a mãe desequilibrada do personagem principal vivido por Javier Bardem, de Mar adentro. E o terceiro aspecto é a atuação da bela e talentosa atriz italiana Giovanna Mezzogiorno que vive todas as fases da protagonista Fermina Daza. Com um elenco internacional e com uma visão parcialmente estereotipada da América Latina (o diretor Mike Newell é inglês) o filme acaba sendo longo demais. Eu cortaria uns 30 minutos pra deixá-lo mais "redondinho".

Para quem ainda não conhece, o enredo conta a história de um amor paciente que dura 53 anos, sete meses e onze dias. É a crônica de uma longa espera, de um desejo que, em vez de perder força, apenas aumenta com o passar do tempo.

Para quem ainda não viu o filme nos cinemas, é melhor esperar saír em vídeo para assistir. A ajuda do controle remoto, para avançar nas partes enfadonhas, será essencial.

Três da Virada

Músicas que embalaram a transição de 2007 para 2008.
1. Living life - Kathy McCarty
2. Noites com Sol - Flávio Venturini
3. La despedida - Shakira

03 de dezembro de 2008
Imagem capturada em http://www.tapedeck.org/index.php

Sorriso das Estrelas

E quando todas as estrelas sorrirem
e quando voar for possível
é preciso estar presente
pra não deixar de sorrir
e poder brilhar como estrela

03 de janeiro de 2008
Imagem: Wolney Fernandes

Vontades Guardadas

"Raquel é uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades: a de crescer, a de ser garoto e a de tornar-se escritora. Até que ela ganha uma bolsa amarela usada e passa a esconder suas vontades ali dentro. "

Lembrando desta estória encantadora contada por Lygia Bojunga no livro “A Bolsa Amarela”, passei a me perguntar: Que vontades eu carrego guardadas dentro de mim?Consegui elencar um montão delas. Vamos lá:

1. Vontade de voltar a ser criança;
2. Vontade de ter ombros mais largos;
3. Vontade de ser ilustrador de livros infantis;
4. Vontade de voltar à Itália;
5. Vontade de falar com meu pai mais uma vez;
6. Vontade de morar no sul do país;
7. Vontade de escrever e dirigir um filme;
8. Vontade de pegar bicho de pé, só pra sentir a coceirinha gostosa;
9. Vontade de morar sozinho;
10. Vontade de ter as vontades realizadas.

03 de janeiro de 2008
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6dekAE8-CFZtsFVY-MwesBKEgAiYG0UWavQ1yBQKeYO-a-wl5jIekR61ZCDSl_AEmy3YvN0-BKoWGJfnD4zys15HbqsLjO6-53ZdwaE0aEpZmwa1ZKIXhSwhWXYXdAnIDDCcUf_K5xnTh/s1600-h/a+bolsa+amarela.bmp

Carta de Amor

Passou a mão pela saia tentando fazer desaparecer o amarrotado aparente e saiu porta afora. Os cabelos escuros, presos num rabo de cavalo não brilhavam à luz do sol forte daquela tarde de abril que seguiu seus passos ligeiros. Estava atrasada. A pressa fez com que esquecesse seus pés doídos de cansaço e nem notar aquele olhar blasé que a acompanhava pela calçada.

De supetão, lembrou-se do guarda-chuva que usava para guardar o sol em tardes ensolaradas como aquela. Parou indecisa olhando o ponto de ônibus à frente e resolveu voltar. Os pés doídos agora já reclamavam por descanso, mas ela ignorou a dor e retornou até a porta do prédio simples e antigo onde alugava um quarto/sala. Os olhos cor de tamarindo tinham as pupilas dilatadas pelo sol e mal enxergaram o moço de camiseta marron que descia correndo a escada que ela tentava subir.

Abriu a pequena bolsa de tecido de chita à procura da chave e, enquanto chegava à porta, sentiu uma pontada forte no pé esquerdo. Resolveu ficar de cócoras ali mesmo, no corredor e derramar sobre o capacho todo o conteúdo da bolsa para encontrar a chave. Vou perder o “bendito” ônibus – pensou. Com um resmungo impaciente resolveu tirar o sapato para aliviar um pouco dor que invadia seus pés.

Foi ali, no instante daquele gesto, que seus olhos enxergaram a ponta do envelope deixado embaixo do capacho. Parou no meio do movimento e puxou o papel até descobrir que era uma carta endereçada a ela. Virou o envelope duas vezes como se procurasse uma confirmação.
Nem se lembra como foi que encontrou a chave, só sentia o peito pulsar de um jeito frenético. Uma pequena vertigem tomou conta do corpo quando ela levantou-se procurando o buraco da fechadura sem olhar pra ele. Deu uma ultima olhada pelo corredor vazio, mas os olhos de tamarindo agora só enxergavam o próprio nome escrito com caneta vermelha em letra irregular no papel já meio amassado: Jesuênia.

Nunca em toda a vida tinha recebido carta alguma, a não ser as contas que não paravam de encher sua caixa de correio todo mês. Entrou pela pequena sala, já esquecida das dores dos pés e do guarda-chuva que voltara para buscar. Fechou a porta com as costas. Suspirou.

Ao abrir a janela emoldurada por vidros embaçados e nem viu seu ônibus passar pela rua dobrando a esquina. Projetou quase metade do corpo para fora da janela, rasgou o envelope e começou a leitura.

Assim que terminou de ler, Jesuênia descobriu-se em meio a uma excitação latente. Nunca recebera uma carta de amor antes, tão simples, tão verdadeira. Aquelas palavras, escritas à mão com caneta de tinta vermelha, fizeram-na marejar os olhos e suspirar. Soltou o elástico que lhe prendia os cabelos em rabo-de-cavalo, deixando que os fios crespos ganhassem vida própria. Sentiu-se, naquele momento, a moça mais linda da rua. Estava tão esfuziante que lançou longe os sapatos e dançou com o canto dos passarinhos que povoavam sua cabeça. Sozinha.

Leu, então, mais uma vez, aquela carta. Seu coração batia em ritmos alternados, quase que em escala exponencial. Com olhos ágeis deslizando por sobre as linhas, ela podia sentir a pressão usada para grafar cada palavra. Seus dedos acariciavam o papel, que exalava um cheiro adocicado. Parecia ter sido especialmente perfumado para ela.

Num dado momento, depois de tanto admirar aquela página, deu-se conta de um pequeno detalhe. Algo que, no ápice do entusiasmo, passara despercebido. Não havia remetente, nem assinatura. Estava apaixonada por um alguém que sequer sabia o nome. Amava, sim, a simples idéia de ter um admirador. E isso, por enquanto, era o suficiente.

03 de janeiro de 2008
Imagem capturada em https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjMW76VpZD956bjE3KOFkCRwENYftrXOkjlND0k2_Qq7ypocADQ-DwZl9R4rVaYHfMPJmbT7mF0CxWRTbkojpSyMf74rJIyS9pMnt6lgrJ4a2BuDkxpW0LIv9aa49iOhVqtuG4gViq1hAe/s1600-h/cartas.jpg

Horizontes Possíveis

Procuro outros horizontes possíveis.
"Pois os sonhos que se alimentam de horizontes são mais que sagrados" (Moço azul).

03 de janeiro de 2008
Imagem capturada em http://bedtimestory.blogger.com.br/

Barquinhos de Papel

Nesta virada de ano aqui em casa, quem deu o tom da festa foram os barquinhos de papel.
Por um 2008 cheio de perigos!

Imagem: Wolney Fernandes

De All Star com gravata amarela

O All Star Converse foi, de longe, um dos melhores presentes que ganhei neste final de ano. Mas também foi um dos poucos que ganhei assim: de forma espontânea e que não era fruto de brincadeiras típicas deste período. E olha que sobrevivi a variações de inúmeros "Amigos secretos". Bendito sejam eles que, bem ou mal, enchem a gente de presentes. Daí fico pensando: Quem inventou essa história de aliar Natal com Amigo secreto? Já prestaram atenção no quanto a brincadeira virou mania nacional neste período?

E é uma tradição recente (Olha o paradoxo!) porque não me lembro dessa everfescência no passado. Será que é porque no interior não existe esse costume? Lembro-me bem que "Amigo secreto" lá em Lagolândia era um evento quase tão importante (!) como a passagem de um cometa. Lembram do Cometa Halley que só passa pelo nosso sistema solar de 76 em 76 anos?. Pois a brincadeira por lá reunia a escola inteira - alunos, professores e funcionários - e tinha sempre um par de anos entre uma edição e outra. Eu mesmo, em toda minha vida escolar, devo ter participado de uns dois apenas. Todas as turmas do colégio participavam e o correio de cartinhas secretas fazia tanto sucesso que no final propiciava até namoros. Sim, pois o legal era enviar cartas para Deus e todo mundo... e nenhuma pro seu amigo ou amiga, só para despistar.

A caixinha de sapato lacrada, com uma fenda na tampa era guardada na secretaria como um cofre valioso com dois horários fixos para ser aberta. Todo mundo se amontoava ao redor da diretora (só ela tinha autoridade máxima para abrir o "cofre") querendo descobrir se tinha sido contemplado com uma carta secreta.

Divertido mesmo era criar e conhecer os mais variados pseudônimos que apareciam: Morena do rio, Galante sedutor, Desprotegida desesperada... Ficávamos até 60 dias nesta troca de cartinhas e expectativas para o grande dia da revelação, onde seriam descobertas todas as artimanhas inventadas por cada um para despistar sobre quem era seu verdadeiro amigo oculto. O presente, na maioria das vezes nem era o mais importante, mas sim as revelações feitas pelos autores das cartinhas criativas.

Hoje em dia, é só piscar que, entre um panetone e um peru há sempre um amigo secreto. E não há mais mistério no ar porque às vezes só se conhece a pessoa sorteada na hora da brincadeira. Há muitas variações divertidas. Uma das que mais gosto é o "Amigo da Onça" onde não vale comprar nenhum presente bacana (pelo menos não pra você), mas sim um presente bem brega e esdrúxulo pra presentear alguém. Esse alguém pode trocar o que ganhou com qualquer outro presente de outra pessoa que já tenha sido contemplada na revelação. A brincadeira é gostosa porque é sempre permeada por muitas surpresas e risos fáceis. Quem me ensinou a receita foi o Edilson, amigo do peito e de Anápolis que todo final de ano reune amigos em sua casa para o evento.

No "Amigo da Onça" e nas suas várias versões adaptadas há sempre aquele/a "desavisado/a" que, para não bancar o "brega", leva um presente bem bacana que é cobiçado por todos. Mas já notei também que muita coisa que fulano acha horrível e sem graça às vezes é disputado por cicrano porque adorou a idéia do presente. Vai entender...

Eu sou sempre um sortudo nestes eventos. Entre garrafas de Catuaba e gravatas amarelas eu acabei trazendo pra casa um sabonete da Natura e um Cristal de Anjos que muda de cor. A garrafa de Catuaba já vou guardar para dar de presente no próximo "Amigo da Onça" que aparecer. Já a gravata amarela está pendurada ali no meu guarda-roupa. Qualquer dia, combino ela com o All Star que minha irmã me deu. Vai ficar chique demais!

Imagem: Wolney Fernandes

Quente e Diferente!


Um pé de pimenta pra deixar o ano de 2008 QUENTE! DIFERENTE!

Imagem: Wolney Fernandes

O Amor antes do Amanhecer

Parece óbvio dizer que não há fórmulas para definir o amor. Para viver o amor em sua forma mais perfeita é preciso, apenas, amar. O problema é que o amor não é uma via de mão única. As escalas de sentimentos entre pessoas que se amam é que são as responsáveis por complicar tudo (e tornar tudo divertido também). Não é possível quantificar, medir, imaginar o tamanho de um amor. Basta amar. As diferenças entre o que uma pessoa sente por outra, e vice-versa, é que dão o tom do relacionamento. A idéia de que o relacionamento perfeito só acontece quando as duas pessoas estão exatamente na mesma sintonia é bem abstrata e soa, pra mim, até meio chata.

Se na vida real, viver o amor é lidar com extremos, no cinema não poderia ser muito diferente. Há filmes melosos demais ou estórias que tratam o amor com certo rancor. Existem alguns poucos filmes que conseguem trafegar na linha fina que separa a perfeição da obviedade. É exatamente nesta linha fina que trafegam dois dos filmes que encabeçam minha lista de prediletos: Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) e Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004).

Na primeira narrativa a francesa Céline (Julie Delpy) e o americano Jesse (Ethan Hawke) se conhecem numa viagem pela Europa e descem do trem para passear em Viena. Passam a noite juntos e acabam se apaixonando. Na hora de ir embora, marcam um novo encontro: seis meses depois, no mesmo local, eles voltariam a se ver. Não trocam nomes, nem telefones. Jesse volta para os Estados Unidos, Céline volta para a França e... o filme acaba. Antes do Amanhecer registra diálogos precisos sobre possibilidades e mostra o encontro de algo que, na verdade, não se encontra: é apenas o acaso pedindo uma chance para se transformar em realidade. Sua beleza reside no perfeito retrato da inocência juvenil e no carisma do casal Julie Delpy e Ethan Hawke.

Em uma das melhores cenas do filme (clip abaixo) notem como as palavras não se fazem necessárias diante dos sentimentos que envolvem os personagens. Há um encantamento que ultrapassa os limites da cabine onde os dois entram para ouvir um disco. Destaque para a música "Come Here" de Kathy Bloom.



Antes do Pôr-do-Sol, a continuação do primeiro filme, é também sóbrio, inteligente, honesto e, acredite, inocente. Nele acompanhamos a história de Céline e Jesse nove anos depois da noite de luar passada em Viena. Será que eles ficaram juntos? Será que casaram? Será que ambos se transformaram em pessoas totalmente diferentes uma da outra? Céline foi aos EUA? Jesse foi para a França? O que aconteceu com a vida do casal romântico? Mais perguntas.

A sinopse de Antes do Pôr-do-Sol é simples. Jesse está em Paris, última escala da turnê de divulgação de seu novo livro, que conta a história de um rapaz que conhece uma francesa em um trem e passa uma noite inesquecível ao seu lado. Na pequena e charmosa livraria, em um canto, Céline observa a cena. O reencontro do casal põe fim a todas as perguntas acima.

Céline e Jesse caminham juntos, agora, pelas ruas de Paris. A câmera segue os dois protagonistas por uma das cidades mais belas do mundo. É possível, de cara, perceber que o tom da conversa mudou. Naturalmente, ao tom sonhador do primeiro filme são adicionadas as experiências dos protagonistas e uma certa melancolia. O filme se passa no tempo real de um passeio pela capital francesa, e tudo é centrado nos diálogos do casal. Em cerca de 80 minutos, Céline e Jesse relembram histórias da noite em Viena, desvendam o obscuro dos nove anos, exibem a mesma inocência (agora, claro, ferida pela amargura) e conquistam o telespectador, impossibilitando o abandono da trama antes que ela seja concluída.

Depois de assistir, pela sexta vez, os dois filmes concluí que ambos flagam o momento em que o amor caminha na linha fina da perfeição. O resultado é uma história tocante, comovente, sincera. Sobretudo, bela e simples, como o amor.

Na janela do 10º andar

Aconteceu tudo muito rápido. Abri a cortina para escancarar a janela semi-aberta e mandar embora um pouco do calor deste primeiro dia do ano. Ao me virar, vi um beija-flor voar com aquela rapidez característica e adentrar pela sala do apartamento por alguns segundos apenas. Meio atônito com a visita inesperada continuei parado e quieto mesmo depois que ele se foi, desaparecendo entre as silhuetas dos prédios.

O susto fez meu coração bater na garganta e sinceramente perdi a noção de quanto tempo fiquei ali parado. Nesse intervalo fiquei imaginando como ele poderia ter chegado tão alto, pois moro no décimo andar!

Uma resposta me foi dada com a música de Flávio Venturini. Da letra, segundo a maravilhosa Adélia Prado, o que minha memória amou e vai eternizar foi:

O que faz o beija-flor
Ter lampejos cor do mar?
Quando eu penso em você
Meu desejo é navegar.

Imagem capturada em http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Beija-flor.jpg

sexta-feira, 14 de março de 2008

Dúvidas Existenciais

Tem muita coisa nesse mundo que eu não entendo:

a) Como a idade das estrelas é calculada?
b) Por que meu quarto nunca pára organizado?
c) Como funciona um coração artificial?
d) Por que o caminhão de lixo faz mais barulho do que um avião?
e) Como funciona essa história de medir a idade de objetos históricos pelo carbono 14?
f) Por que existem cuecas verdes?
g) É a pizza que tem gosto de óregano ou é o orégano que tem gosto de pizza?
h) Por que um diploma demora tanto tempo para ficar pronto?
e) Por que é que a Embaixada Americana pergunta, no formulário do visto de negócios, se eu participei ou financiei algum ato genocida, ou se eu sou filiado a alguma organização que financia ou organiza ataques terroristas? Sendo que o único ato genocida do qual participei foi uma matança em massa de borrachudos no Araguaia (posso argumentar que foi em legítima defesa. Era eu ou eles, e eles estavam em maior número).

Imagem capturada em https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcP_xq9H67o-z49GEiXqVFl9804mqoO0A6117xx6IMcjxAS8S7cf0LHV_umn8djgkc53iNiQ3yk4CNtUg1s9rP9X9b4xrTlmMgqPU6VV2Z5rWZrtGLwbdTskh-2i0qsshZhiZNJdZ-VE9Q/s1600-h/Pinocchio.jpg

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

2008 de Perigos

Deus, ao mar o perigo e o abismo deu.
Mas é nele que se reflete o céu.

Fernando Pessoa

Imagem: Wolney Fernandes

domingo, 30 de dezembro de 2007

Império dos Sentidos

Ver a cor da voz
Ouvir os gestos
Saborear os olhos
Sentir o perfume do toque
Tocar a alma

Imagem: Wolney Fernandes

sábado, 29 de dezembro de 2007

Bicho da Maçã

Hoje, entre uma arrumação e outra, consegui pintar o "bicho da maçã" na minha camiseta nova.
Qualquer hora acabo criando uma grife só de camisetas customizadas e esclusivas.

Imagem: Wolney Fernandes

Livros na Fila

A pilha cresce a cada dia.
Livros que ganhei ou que comprei vão se acumulando na mesinha ao lado da cama.
Quando terei tempo pra saborear cada um?

Imagem: Wolney Fernandes

Sinceridade Sacana

Ainda preso aos meus devaneios tento aos poucos fincar os meus pés de leve no chão... De leve mesmo, porque como já disse Chico a gente vai sonhando, pois sem isso 'ninguém segura esse rojão'. Eu pelo menos não. Umas coisas estão bem concretas e visíveis e outras... É imaginação! Risos. Gosto muito de imaginar, não posso negar.

Fiz umas descobertas interessantes sobre mim nesses últimos tempos. Descobri que eu preciso de atenção. Nunca tinha visto isso em mim. Não sei ainda se gosto ou não dessa descoberta. Acho que não é tão ruim assim porque não é 'venha a mim tudo e ao outro nada'. Foi só uma observação.

Essa é uma das tantas coisas que gosto nesse processo duro de crescimento e/ou envelhecimento. Começo a saber de verdade o que me agrada e o que não. Sem receios, sem vergonhas. Talvez uma sinceridade sacana, não sei, mas quando é pra verbalizar, não ando economizando linhas.

Imagem: minha sombra projetada na parede do meu quarto em um final de tarde.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Women in Art

A idéia é tão simples e por isso é muito original. Um passeio por 500 anos da História da Arte ocidental através de retratos femininos.



Quem quiser conferir a lista completa dos artistas e das obras retratadas é só clicar aqui.

Natal de Descobertas

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

Alberto Caeiro

Imagem: Wolney Fernandes

sábado, 22 de dezembro de 2007

Teias cinematográficas

Gosto tanto de cinema que vira e mexe fico procurando por curiosidades, trailers e músicas de filmes que ainda estão pra chegar aqui ao Brasil. As motivações são bem variadas, mas todas elas são também meio inexplicáveis. O que me fez chegar no longa "Na natureza selvagem" (Into the wild, 2007) foi um cartaz que vi outro dia no shopping. A boa impressão que tive da peça gráfica (com meu olhar crítico) me fez procurar a imagem pelo Google. Daí começou uma teia de novas descobertas: o cartaz me levou à bela trilha sonora, que me levou a Eddie Vedder, que me levou ao Pearl Jam, que me levou ao trailer, que me trouxe essa vontade de escrever no blog sobre um filme que ainda nem vi.

Tenho imaginado que os desejos de liberdades múltiplas que andam rondando meus pensamentos desvairados sejam os fios que teceram esta rede.

Façam seus próprios julgamentos.



Paradoxo do Veneno

Outro dia, visitando o blog da filósofa Márcia Tiburi, encontrei um texto sobre o paradoxo do veneno. Filosófico e poético, como ela mesma descreve, o texto me deixou impactado quando o vi no Saia Justa pela primeira vez. Até hoje ainda não tinha entendido o porquê do impacto. Agora que fui envenenado por uma rosa (qualquer hora explico tudo), posso compreender melhor a força das palavras que reproduzo abaixo:

Veneno “Destruição substancial, essência da morte, caldo da corrupção, prejuízo, perversidade, água maligna, leite do diabo. Peçonha. Ao que nos pode destruir sempre podemos dar o nome de veneno. Veneno não é outra coisa do que o princípio destrutivo cuja natureza fluída vem corromper tudo o que é vivo, bom, belo e verdadeiro. Porém, quem olha o veneno como o mero mal, não entendeu o princípio da vida. A natureza ensina que o veneno é também proteção. Quem tem coragem de enfrentar o veneno? Assim como o bem e o mal se opõem eles também se complementam. A cura está contida no próprio princípio da doença. O bem é tão forte que pode estar escondido no fundo do mais substancial do mal... Mas aí é preciso método. Como fazer para combater o veneno? Qual o seu antídoto? O veneno metáfora da vida? Aquele que não vem da picada da serpente, mas das palavras humanas quando elas se tornam bote?”

Imagem: Wolney Fernandes

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Escadas para o Infinito

Gosto da idéia de uma escada onde não se pode ver o fim.
Esta, é parte de um desenho que eu produzi numa tarde atípica.

Imagem: Wolney Fernandes

Quarto-Lugar

Gosto da vista que tenho da janela do meu quarto. Nela, o luar que atravessa os prédios do centro de Goiânia, banha parte da minha cama com sua luz serena. Nas noites de lua, deixo persiana e janela abertas só pra ouvir o barulhinho da cidade adormecendo e poder enxergar o reflexo difuso que é projetado na parede ao lado da cama.
Gosto de imaginar meu quarto como lugar de descanso e de silêncios necessários. Mas minha alma paradoxal também o vê como meu mundo particular, onde tudo que gosto e preciso esteja ao alcance das mãos.

É curioso quando percebo que nos dias agitados, ao olhar para a bagunça que me cerca tenho a impressão que estou diante de um espelho. Funciona mais ou menos assim: Se o dia-a-dia é tranquilo ele fica arrumadinho, com tudo no lugar. Se o período é caótico ele fica revirado de ponta-cabeça. Nestes dias, tenho a impressão de que "A mulher com fita amarela" que fica encostada perto do violão, me olha de jeito diferente. Seu olhar de censura só não é maior porque ela é cria do Picasso, que adorava desmantelar as coisas para reorganizá-las de um jeito bem peculiar.

Hoje amanheci com uma vontade grande de fazer um exercício cubista aqui. Revirar tudo e organizar de forma diferente. Fiquei animado, mas adiei a decisão porque estou ainda muito cansado das correrias de final de ano e não pretendo passar o final de semana que antecede o Natal organizando livros, cds, dvds e roupas... Pensei no monitor novo do meu computador que vai chegar na semana que vem (o meu antigo pifou!) e usei-o como desculpa para adiar um pouco mais a faxina.

Enquanto escrevo, olho para a bancada perto da janela e imagino: aqui, papel se reproduz com a mesma velocidade que os coelhos. Coloco 5 folhas em um dia e no outro já são 10. Todas espalhadas entre os livros. Impressionante!

Imagem: Wolney Fernandes

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Agenda da CAJU


A agenda 2008 da CAJU ficou pronta e coloridíssima.
Fiz também papéis de parede com algumas das ilustrações para enfeitar os computadores por aí afora. Quem quiser pode baixá-los clicando aqui.
A ilustração da melancia é a mais popular de todas.
(E foi a que mais gostei também) hi, hi, hi, hi!

Receita de Taxista

Foi uma surpresa quando percebi que o motorista de táxi que tinha me trazido para a pousada na chegada era o mesmo que iria me levar ao aeroporto na partida. Do alto dos seus cinqüenta e poucos anos, tagarela como ele só, reclamou da chuva durante o trajeto: Já estamos em Novembro e não tem turista em Florianópolis. Tudo culpa dessa chuva que não pára. Desse jeito o verão não chega. Um absurdo!

Resmungando assim, ele me levou até a Pousada Edelweiss. O local parecia saído de um livro de contos de fadas europeu. De cara, lembrei-me da canção da Noviça Rebelde que tinha o mesmo nome. Fiquei curioso pra saber o que significava. Perguntei pra moça que me atendeu e ela revelou que era uma flor típica da Suíça, lar dos seus avós. A pousada ficava no final de uma ladeira tão íngreme que cheguei a gelar com a sensação de que o táxi não chegaria a alcançar o cume.

Três dias depois e a chuva não tinha parado, mas o humor do taxista era outro. Cumprimentou-me com um largo sorriso como se já fossemos velhos conhecidos. Todo solícito perguntou se tinha gostado da cidade. Na realidade não tive muito tempo pra aproveitar tudo o que a cidade me oferecia, mas respondi que sim sem revelar detalhes. Arrisquei dizer que voltaria com mais tempo no período de alta temporada e ele ficou todo satisfeito. Estiquei a conversa e perguntei há quanto tempo ele morava na cidade.- Moro aqui desde que nasci e amanhã faço 40 anos de casado.Cumprimentei pela data e fiz os comentários de praxe: “Casamento duradouro assim é raro hoje em dia”. Pra minha surpresa ele tirou os olhos da estrada e, enquanto passava a marcha, proferiu com veemência:- E eu tenho a receita!Sem entender muito bem, indaguei: Receita?- Sim, receita para um casamento durar. Veja só como é fácil: Primeiro você precisa encontrar a pessoa que está predestinada para você!Sorri, disfarçando o pensamento irônico que me passou pela cabeça: Como saber quem está predestinado pra mim? Será que acende uma luzinha pra sinalizar a pessoa eleita?- Pra funcionar, a mulher tem que cuidar da parte financeira da casa. Temos conta conjunta e nestes quarenta anos é sempre ela quem faz os pagamentos. Nunca precisei assinar um cheque.

Antes que eu pudesse elaborar qualquer pensamento a respeito da segunda fala, ele continuou: - E depois, a pessoa certa tem que ser como minha esposa!Novo sorriso interno e nova pergunta: Como assim?- Minha esposa não coloca nada fora. Se sobra arroz da janta, ela faz bolinho pro dia seguinte. Se sobra carne ela faz picadinho. O café que me custaria cinco reais na rua, ela me faz tomar em casa para economizar.

Acenei com a cabeça e não consegui esconder o riso que aflorou no canto da boca. Olhei pra fora para amenizar a risada que teimava em vir à tona e avistei o aeroporto. Pelo visto, o taxista nada percebeu, pois continuou todo eufórico a narrar as peripécias da esposa para economizar o suado dinheiro que ele colocava em casa. A esta altura eu já nem ouvia mais o que ele dizia. Minha cabeça já estava imaginando como iria iniciar esse texto aqui no blog.

Imagem capturada em http://butecodoedu.blogspot.com/2006_05_01_archive.html

Loucas significâncias

Para quem duvida dos poderes que me são dados quando publico um blog:

– Não sei o que você quer dizer com "glória" – Alice disse.
Humpty Dumpty sorriu com desdém.
– É óbvio que não sabe... até que eu lhe diga. Eu quis dizer: “Há um belo argumento infalível para você!”
– Mas “glória” não significa “um belo argumento infalível” – Alice objetou.
– Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique... Nem mais nem menos.
– A questão é – disse Alice – se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.
– A questão é – disse Humpty Dumpty – quem será o chefe... E eis tudo.

Texto: Trecho do livro Alice através do Espelho de Lewis Carroll

Imagem: Cena de Alice no país das maravilhas dos Estúdios Disney que eu ousei reproduzir usando lápis de cor e caneca bic, há 15 anos atrás.