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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

10 dias

Abotoei a bragrilha da calça com um movimento preciso e me virei em direção à saída do banheiro. Antes de atravessá-la pude ler algumas obscenidades escritas na porta com caneta Bic e saí distraído sem me dar conta da paisagem estranha que se esparramava diante dos meus olhos.

O lugar eu já conhecia, mas somente por fotos. A praça de cor de telha era mais ampla do que me parecia pelas imagens que me foram apresentadas, mas a catedral imponente que se levantava à minha frente, não deixava dúvidas: estava no sul, na cidade dos anjos.

Olhei de novo e do outro lado da praça, escondido pela penumbra de uma rua escura e estreita, um carro. Parecia um Ford KA, daqueles antigos de cor prata. Um vulto dentro do automóvel parecia o único sinal de que aquela cidade era habitada.

Fui caminhando até o veículo com passos lentos e à medida que me aproximava, o vulto foi tomando contornos mais definidos. Os cabelos loiros bem maiores do que me lembrava estavam soltos sem nenhum penteado como se a mulher tivesse saído do banho e, com movimentos bruscos, só tivesse enxugado os fios usando uma toalha. A pele muito branca fazia um contraste de tons etéreos com a escuridão da noite. Subitamente ela se vira e eu a reconheço quando ela coloca os dedos nos lábios pedindo pra eu fazer silêncio!

- Estou escondida! Não conte pra ninguém, por favor...

Diante da sua imagem e daquele pedido, dei um jeito de fazer minha surpresa e excitação encolherem até que coubessem numa caixinha de fósforos para então propor com um sussurro:

- Fica sossegada - Fiz uma pausa que deve ter durado uns 5 minutos e disse quase sem notar as palavras saindo da minha boca:

- Você é tudo o que dizem mesmo! (gagejei) errr.... hã.... Moro aqui perto e é bem tranquilo por lá. - De repente a paisagem ficou muito familiar e não tive medo de convidar: Não quer ir comigo? Não é seguro ficar aqui na escuridão.

Ela concordou com um sorriso e me pediu pra entrar no carro. Dei a volta e abri a porta do motorista sem acreditar: Estava levando a Madonna pra casa.

Quando bati a porta do carro, eu acordei!

Este sonho curioso é parte da excitação que tem tomado minhas noites nestes dias que antecedem o megashow "Sticky and Sweet" da Madonna em São Paulo. A contagem regressiva, iniciada em agosto deste ano, já está no final. Faltam 10 dias!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Traçados sinuosos

Querida Sofia,

Sempre te escrevo para registrar minhas imperfeições. Minha esperança é que você não se canse de escutá-las porque eu sigo falando delas, ora na tentativa de me cobrar, ora simplesmente tentando me vangloriar por ter a capacidade de constatá-las.

Eu tentei mudar quem eu sou uma série de vezes. Tentei me entregar menos às coisas, ser menos exigente comigo mesmo. Errei uma, duas, três, quatro, cem vezes... Continuo errando e, na esperança de obter certa compreensão do mundo, sempre me esforcei e me esforço. Maltrato-me! De cicatrizes internas meu corpo está cheio e meu ofício é escondê-las com tatuagens travestidas de sorrisos fáceis e compreensões superficiais.

Pensei que estava dando meus primeiros passos para a felicidade de agora e me vi novamente em profunda desorganização, inaptidão em lidar com as mudanças de planos. Por melhor que eu seja, por melhor que eu consiga, falta eu gostar desse meu lado inapto, pouco articulado.

E não, Sofia, não me venha com seus discursos para me convencer temporiamente do contrário. Por viver de extremos, encontro-me doente. Na mais pura das enfermidades diagnosticada pelo meu espelho e nomeada de frustração. A boa notícia é que, desta vez, eu já tenho também a cura. Ela provém de uma confiança que, em forma e conteúdo, me diz: sossega coração!

Longe está o tempo em que eu imaginava a linha do destino que atravessa minha mão como um desenho retilíneo. Afinal, a vida nunca esboça uma linha reta, mas ao contrário, vai riscando traçados sinuosos para que a gente não saiba mais onde pisar. Em tempos de quedas silenciosas só tenho pensado na beleza da recuperação.

Me ajuda a enxergá-la?
Beijos de sempre!

Wolney

Imagem: Wolney Fernandes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Olho de Thundera

Camiseta com o Olho de Thundera dos Thundercats. Quem sabe agora eu consiga uma visão além do alcance.

Onde encontrar: Na Hocus Pocus da Av. Paranaíba, no Centro.

Distâncias

Eu aqui.
Você aí.
Você aqui.
Eu aí.
E juntos é muito bom!

Imagem capturada em http://www.videos.sailingcourse.com/distance_measurement.htm

Um amor quase perfeito

O Filme:
Um amor quase perfeito (Le Fate Ignoranti, Itália, 2001)

Sinopse:
Após o falecimento de seu marido, uma mulher descobre ao acaso uma dedicatória amorosa para o falecido. Determinada a encontrar esta amante, a viúva leva um susto. Antonia descobre que seu marido tinha outra vida, ao lado de outra pessoa.

Grande questão:
Em que momentos a vida passa do nosso lado e não conseguimos enxergá-la?

Detalhes preciosos:
1. O significado de um copo quebrado;
2. A figura de um padre entre os personagens na cena com a música "Gracias a la vida";
3. O jogo de sedução entre marido e mulher na cena inicial do filme.

Frase:
"Como somos tolos! Quantos convites recusados; Quantas palavras não ditas; Quanto olhares não retribuídos. Muitas vezes a vida passa ao nosso lado e a gente nem percebe.”

Música:
Birdenbire - Yasemin Sannino

Cena que adoro:
Aquela em que todos os personagens se reúnem para ouvir a música "Gracias a la vida". Clique aqui para ver.

Da chegada do Natal

"Na parede de um botequim em Madri, um cartaz avisa: Proibido Cantar!
Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem.
Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."
Eduardo Galeano
Por um Natal de cantorias e brincadeiras!
Foto: Wolney Fernandes

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Eu e a Chuva

Sem querer olhei pela janela e vi a chuva cair silenciosa. A paisagem conhecida, agora se mostrava encoberta por uma "brancura em forma de véu". O ritmo compassado dos pingos d'água me hipnotizou. Então eu saí com aquela vontade de que a chuva me cobrisse também. Talvez buscando um jeito de lavar minhas incoerências sem que fosse necessário fazer nada mais além do que caminhar. No meio da Avenida eu dei passos em câmera lenta sem ouvir ou ver quem me rodeava. Ali, erámos só eu e a chuva, naquela intimidade de arrepiar cada pedacinho de corpo desvelado. Ali, a água que me banhava era minha reza. Ali, eu era menino sem medos. Ali, eu e a chuva...

Imagem capturada em http://pamelaalvesc33.blogspot.com/2008/07/pictinary.html

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Angelus

Marca e cartaz para o espetáculo "Angelus" - Santo Ângelo/RS.

Em algum lugar

"- Não há medo mais curto. Na vida ou no amor a dor deve ser sentida. As alternativas são piores. A dor com que amamos é que nos faz especiais. Que nos faz bonitos... Mas essa dor é acompanhada de mais alguma coisa: a esperança. Com sua dor, há esperança! E é onde você está. Em algum lugar entre a agonia, o otimismo e a reza. E é isso que nós temos."

Do 15º episódio da primeira temporada de Brothers & Sisters.

Imagem capturada em http://brothers.and.sisters.free.fr

Amargo Novembro

Olhei para o calendário ao lado do computador e inventei um conto trágico, sem palavras, todo bordado na minha imaginação. Que gosto amargo este novembro tem deixado em mim. Os dias longe do blog completam uma tentativa de assimilar toda esta realidade que de repente me tira o ar.

Sufocado, perco as forças. Eu que já não sou tão forte assim, esmaeço em cores cinzas. A alegria menina se perde em meio ao caos que tomou conta do lado de cá. Procuro certezas dentro do poço escuro, na esperança de também retirar dali as forças que me façam chegar ao final deste mês sem me culpar pelas escolhas que fiz ao longo destes 34 anos.

Amargo novembro das pausas, dos planos virados pelo avesso, do abismo que completa o intervalo entre meus pés e os horizontes vislumbrados. Amargo novembro em que as moendas páram o giro do engenho, em que a despedida desenhada pelos gestos da Pocahontas sai do desenho e vem abraçar meu coração.

Enquanto for novembro permaneço sem forças. Abro a boca e só ouço um grito mudo:
- Cessem os novembros! Tragam-me os dezembros de chuva mansa na janela para colorir meus recomeços.

Imagem: Calendário do Pequeno Príncipe

Viração

Acabou de sair do forno a Revista Viração com desenho meu na capa.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Significados Ocultos

Querida Sofia,

Tenho vivido tempos de silêncios.
Neles, escondo fatos ritmados que compõem a coreografia dessa dança de melodia incompreensível que é a vida. Sei que há uma beleza escondida que me tocará revelando cores repletas de significados ocultos. No entanto, agora, não consigo enxergar nada. Preciso que minhas ousadias pulsantes se façam revolucionárias, pois o meu coração quer assim...
Prometo voltar logo!

Beijos!

Wolney

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Retratos em três tons

Para a Agenda da CAJU 2009, retratos divertidos em tons de vermelho, azul e amarelo. Novidades à vista!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

sábado, 8 de novembro de 2008

Branco no preto ou preto no branco?

Estudo tipográfico para estampa de camiseta.

Mina e Lisa

Mina e Lisa é uma série de internet sobre o cotidiano e os dramas de duas adolescentes japonesas no Brasil. Abaixo, o primeiro dos 24 capítulos:

Vida sem amanhãs

Acordei com aquela vontade de uma vida sem amanhãs. Uma vida simples onde eu não precise mais festejar, em meio a fogos artificiais, todo o meu ano em um único dia. Uma vida de dias doces como brigadeiros e imprevisíveis como os bichos de algodão no céu.

Em dias assim, quando o tempo parece curto demais, escolho uma imagem e tento me dissolver nela. A escolha não é uma decisão consciente, talvez apenas uma tentativa de salvação. A salvação, para o meu alívio, não é monopólio das grandes religiões, nem das doutrinas criadas pelos homens, mas está oculta nos pequenos milagres que nos salvam todo dia.

Minha salvação de hoje é a "A ponte de Heráclito" de René Magritte (sempre ele!):

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Doce Novembro

O Filme:
Doce Novembro (Sweet November, EUA, 2001)

Grande questão:
Um mês é tempo suficiente para mudar toda uma vida?

Detalhes preciosos:
1. A cena do roubo com final surpreendente;
2. Os amigos travestidos da protagonista que ficaram famosos como Lex Luthor de Smallville e Lucius Malfoy de Harry Potter e a Câmara Secreta;
3. A lista de presentes que Nelson oferece a Sarah.

Frase:
“- Por que um mês?
- Porque é pouco tempo para se apaixonar, mas o suficiente para acontecer algo incrível.”

Música:
Wherever You Are - Celeste Prince

Cena que adoro:
A cena em que Nelson espalha calendários com o mês de novembro pela casa toda. Clique aqui para ver.

Frida no Celular

Frida Kahlo para colorir a tela do meu celular.

A imagem do fundo foi retirada do Diário de Frida Kahlo.

Sabor de Chocolate

Toda vez é assim! Basta apenas uma mordida no Galak (aquele chocolate branco que fez sucesso nos anos 80) para que a paisagem que me cerca seja substituída por imagens do passado com gostos, cheiros e sentimentos da minha infância.

O chocolate da Nestlé tem gosto das brincadeiras com minhas miniaturas pouco articuladas de heróis, todas ganhadas em promoções de refrigerantes e das raras idas ao supermercado com minha mãe onde eu ficava “namorando” a sessão de brinquedos. Com o nariz pra frente e as mãos cruzadas às costas (sempre fui um menino muito obediente) chegava pertinho daquelas caixas grandes e coloridas sonhando, um dia, ter um Ferrorama (trenzinho movido à pilha da Estrela), mas me contentando com os bichinhos de plástico que vinham junto com as promoções de margarina.

Penso que as limitações daquele período contribuíram para o enriquecimento de minha criatividade: uma lata de leite ninho cheia de tampinhas de garrafa era esconderijo secreto para tesouros valiosos; figurinhas de Ping Pong coladas umas nas outras viravam rolos de filme animado; pedacinhos de madeira eram as paredes da Sala de Justiça que abrigava um Super-Homem todo azul e uma Mulher Maravilha toda vermelha; cipós viravam corda pra pular; pedras roliças do rio viravam peças pra jogar “Baliza” e por aí vai...

Não sei explicar direito meu saudosismo em relação àquela fase da minha vida. Talvez porque todos os fragmentos de sonhos e as coisas que foram vividas lá atrás formam juntas esse viver adulto que ainda não se encontrou. Hoje, meu desejo é me (re)encantar diante das limitações, tranformando-as em possibilidades que me aproximem daquela paz gostosa com sabor de chocolate branco.

Uma imagem

O que me marcou na fala do Prof. Kevin Tavin, da Ohio State University, foi só(?) uma imagem que eu tentei copiar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saudade

"Desejo é memória do futuro."
Adélia Prado

Imagem: autoria secreta

Fortaleza da Solidão

Por trás de algumas nuvens, posso acompanhar o suicídio do sol. São oito horas (maldito horário de verão!). Um caderno de rabiscos, um bom tempo olhando a cidade pela janela, acompanhando as cores pásteis do entardecer. Na minha filosofia de alcova, meus rituais de solidão começam todos com pensamentos no amanhã.

Desapontado disfarço o sorriso sarcástico ao comparar meu quarto com a Fortaleza da Solidão (aquela do Super-Homem). Lugar onde minhas memórias podem ser descobertas. Lugar onde me encontro e me expresso. Lugar onde reina o isolamento, o distanciamento, o frio...

Perco-me entre os acordes da música que me motivou a escrever isso e sinto medo de terminar só. A cada dia descubro mais de mim mesmo. Rio sozinho ao confirmar minha total incapacidade pra ser um super-homem. As alegrias e as frustrações desse sentimento me vibram a carne. Maldito coração pulsante que enleia mais sentidos na tentativa de achar mais um pedaço do caminho.

Imagem capturada em http://misteridigital.files.wordpress.com/2007/09/fortress-of-solitude-superman.jpg

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tou ouvindo!

01. Mariposa Traicionera - Maná
02. I Believe in you - Il Divo & Celine Dion
03. Escucha a tu corazón - Laura Pausini
04. Stigmatized - The Calling
05. L'Ombra del Gigante - Eros Ramazzotti
06. U want me 2 - Sarah McLachlan
07. Yo te voy Amar - N'Sync

Imagem capturada em http://www.tapedeck.org/master/

Habilidade em ressuscitar

Querida Sofia,

Sem perceber já chegamos em novembro. As lojas e a cidade já decoradas para receber o Natal, que a cada ano parece chegar mais cedo, e meu calendário do Pequeno Príncipe mostrando sua penúltima imagem. É, quando se está ocupado o tempo passa feito trem-bala. Tanto que pareço já estar às vésperas da Páscoa de 2009.

Ultimamente eu ando com uma bandeira branca no bolso, com a missão de fazer as pazes com meus caranguejos internos. Pelo mesmo motivo que decidi freqüentar as aulas chatas da academia para fazer as pazes com meu corpo: preservar o que ainda tenho e recuperar o que me falta, antes que eu morra por conta disso... Pois se morre de arrependimento e coração partido e de chateação também, como posso comprovar nas inúmeras mortes que tive e sigo tendo por aí. Quem diz que só se morre uma vez nunca leu aqueles versos de Elisa Lucinda que você me enviou há 5 anos atrás, lembra?

“A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar vivo todo dia.

Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas (...)"

A última semana foi atravessada por oscilações entre angústias e instantes de sossego. Conheço já aquela minha estranha mania de viver no futuro, me esquecendo que, para existir um amanhã, um hoje se faz presente. Para quem vê do lado de fora, minha vida parece calma, à meia-luz, com trilha sonora instrumental e um monte de possibilidades ao meu redor. Tudo calminho e teoricamente sem traumas, em resumo. Pode até ser, mas então por que é que a única parte do meu corpo que não exala preocupações, a esta altura, é o meu nariz? (e olha que hoje ele amanheceu com uma espinha enorme!). De resto, tudo está esticado ao limite!

Talvez seja a hora de colocar em prática aquela minha habilidade em ressuscitar. Há de se ver o lado bom das coisas - ou inventá-lo, se preciso. O que não é possível é ficar andando com a nuvem de preocupações na minha cabeça o tempo todo.

Hoje estou um chato! Desculpa pela carta-desabafo que também não diz muita coisa, mas é só o que tenho a dizer.

Abraços 'friorozos' (porque de calor, basta só o de Goiânia. Ufa!)
Wolney

Imagem: Wolney Fernandes

domingo, 2 de novembro de 2008

Disney de lápis de cor

Os porquês dos meus desenhos Disney pintados com lápis de cor:

1. Fantasia
Porque sempre quis fazer os desenhos se moverem.

2. Pinóquio
Porque foi o único desenho que meu pai fez pra mim.

3. Branca de Neve e os Sete Anões
Porque eu gostava mais da bruxa do que da princesa.

4. Alice no País das Maravilhas
Porque o quintal da minha casa era aquele lugar mágico.

5. A Dama e o Vagabundo
Porque cachorro é tudo de bom!

6. A Espada era a Lei
Porque na escola eu era como o pequeno Artur: tímido, franzino e servil.

7. Peter Pan
Porque sempre vivi na Terra do Nunca.

8. A Bela e a Fera
Porque nunca fui capaz de definir o belo.
9. Aladdin
Porque eu sempre quis ter meus desejos realizados.


Imagens: Desenhos feitos por mim com lápis de cor, lá no princípio da década de 90. E lá se vão mais de 15 anos.

Em 1933 e agora

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa
02/8/1933

Imagem: Wolney Fernandes