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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tudo é o agora!

Do estreito da janela sinto uma lufada de vento frio. Estremeço. Sinto o cheiro de alecrim que vem do armário do banheiro. Devoro uma lembrança como uma imagem estagnada e meu lembrar não se comporta fazendo canção com o vento que sibila lá fora.

"Tudo é o agora" - em um pensamento fugaz, concluo que talvez seja esta a melhor solução.

Imagem capturada em www.luizabarcelos.com.br/blog/

domingo, 5 de abril de 2009

"Para compor meus silêncios..."

'' Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito ás que vivem de barriga no chão
tipo- água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior que o mundo
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos como as boas moscas
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios..."

Manoel de Barros

Imagem: Wolney Fernandes

Mais dois

Mais dois livros para a pilha enorme que se acumula deliciosamente na minha estante. No entanto, algo me diz que vou furar a fila!

Foto: Wolney Fernandes

sábado, 4 de abril de 2009

Fraquezas permanentes

Querida Sofia,

Confesso que pensei em não mais te escrever, mas minha permanência na solidão atordoada de sábado a noite me fez querer desfiar a trama destes dias difíceis. O outono trouxe um clima mais ameno e mesmo as noites chegando mais cedo, passo por elas sem conseguir me acalmar diante desse mar de fatalidades que me encontro. A morte prematura de um amigo, a falta de dinheiro, as tentativas frustradas de emprego, os sonhos novamente adiados, as saudades tatuadas na pele... É tanta realidade que minha vocação para Dom Quixote tem se esvaido nas brechas inexoráveis da razão.

Da janela do décimo andar, olho ao meu redor e tenho a sensação de que, na vida, estou andando em círculos, pois sempre venho parar no mesmo lugar. Quisera eu conseguir a estranha felicidade de avançar! Mas pareço não ter forças para me mover naquele movimento espiralado que eu tanto vislumbro. Fico aqui repetindo a mesma pergunta: Em que ponto do caminho eu me perdi? Haverá redenção para um sonhador que se perde em fraquezas permanentes?

Tenho raiva! Não de você, mas de mim mesmo, por sempre repetir os mesmos erros sem conseguir aprender com nenhum deles. E pareço gostar da melancolia, pois sempre me permito a ela me lançar sem medo. Daí eu sonho, sofro, choro, mas finjo que nada acontece. Sigo naquela brandura que o "tudo bem!" espalha em conversas reais e virtuais. Prometo ficar no meu canto com meus desenhos, uma vez que eles têm sido minha salvação. Me embrenho pelas cores e texturas e os traçados vão me livrando da incontrolável vontade de emudecer, escurecer e fenecer numa espécie de auto flagelação.

Prometo não escrever mais, mas sei que acabo por não cumprir a promessa. No fim das contas e dos contos, minhas imperfeições insistem em se sobrepor aos encantamentos.

Estou cansado! Quero colo para acordar e, assim, conseguir dormir.
Beijos comedidos.

Wolney

Imagem: Wolney Fernandes

Animais do meu imaginário

Do quintal de casa até o outro lado do rio: galinhas, vacas, peixes e cobras.

Sagrado Coração

Um coração sagrado para perpetuar histórias de anjos e serpentes.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Toda escrituragem

Minha escrituragem está pronta!
Trabalho de 2 anos de mestrado, de 4 anos de graduação e de uma vida inteira em Lagolândia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Das coisas como elas são

Meus medos invisíveis tomam forma e contornos de tristezas indomáveis. Por vezes me pego chorando, mesmo sorrindo... Minhas alegrias fugidias se perdem em mantras e orações que, mesmo conjuradas repetidamente, nunca me livram da rotina dos amores difíceis, do trabalho sem graça, de uma vida repleta de recordações e virtualidades.
Longe de mim, as realidades!
Longe de mim, as possibilidades!
Longe de mim, as felicidades!
E é assim, tão somente, como as coisas são.

Imagem: Wolney Fernandes

sexta-feira, 20 de março de 2009

Das coisas como elas estão

Um porta-retratos embrulhado em papel de seda. Uma reunião. Uma caixa com recortes. Um monte de papéis com cores e texturas variadas.

Duas, não, três camisas penduradas na porta do armário - uma jeans, uma xadrez e uma branca com bordados. E uma nota da mãe avisando que tem comida na geladeira.

Um DVD de um filme antigo sobre a cama, uma mensagem no celular, muitas imagens invisíveis, muito a fazer, um tanto de saudade, um outro tanto de inconstâncias diante do futuro. E assim os dias passam com aquele azul que eu vejo da janela.

Foto: Wolney Fernandes

Poses



"As paredes amarelas estão cheias de retratos [...]
Todas essas poses, tão bonitas poses
Faz qualquer garoto sentir-se como se estivesse colhendo rosas"

Séries de sempre

Troquei a novela das oito pelas séries acima.
Adoro todas!

Listas triviais

Uma amiga enviou-me o questionário abaixo. Achei que seria divertido entrar na brincadeira:

01. O que você estava fazendo há exatamente 10 anos atrás?
Trabalhando na paróquia, encantado com liturgias e peças de semana santa. Estudando para prestar vestibular no final do ano. Descobrindo o que era design gráfico, comprando CDs da Sarah Brigthman e de trilhas de filme.

02. Cinco lanchinhos que você gosta:
- Limonada suíça
- Bolinho de milho
- Chocolate
- Bolo de cenoura
- Biscoito de queijo

03. Cinco canções que você sabe a letra:
- I really want you - James Blunt
- Esquadros - Adriana Calcanhoto
- They live in you - Da trilha do Rei Leão na Broadway
- Turn me on - Norah Jones
- Eu só sei amar assim - Zizi Possi

04. Cinco coisas que faria se ficasse milionário:
- Faria uma viagem pro México e de lá para o mundo inteiro
- Compraria um Loft
- Faria uma sala de cinema particular
- Trocaria de carro
- Ajudaria algumas pessoas sem dizer que sou eu

05. Cinco maus hábitos:
- Perder a hora quando acordo
- Roer as unhas
- Ficar adiando o que tenho que fazer já
- Dar vazão às minhas inseguranças
- Demorar dias pra lavar meus calçados

06. Cinco coisas você gosta de fazer:
- Desenhar, pintar e colar
- Ir ao cinema
- Ler e escrever
- Ficar sem atender celular
- Organizar CDs, DVDs, livros...

07. Cinco brinquedos preferidos:
- iPod
- Lápis de cor
- Jogos de tabuleiro
- Internet
- O Wood do Toy Story

Imagem capturada em http://www.linatree.com/bienal39/

Vertigem

Falta de tempo para desenhar outras coisas, para desengavetar os planos de escrita que tenho guardado. Os dedos coçam , mas não consigo começar nem por um instante - tem tanta coisa para fazer que dá até medo.

É uma vertigem, essa história de fechar ciclos para abrir outros. Você se inclina na beira do abismo e espera que um vento lhe leve para longe, para o outro lado ou direto para baixo, para ver o que está lá lhe esperando.

Então, que o vento me carregue - mais alto, mais longe.

Imagem capturada em http://pt.trekearth.com/gallery/Europe/Portugal/South/Algarve/Cabo_Sardao/photo367199.htm

Desorganizações

Desorganizações para demarcar uma cartografia de afetos.

domingo, 15 de março de 2009

Cenas de Arte



Cenas de filmes com obras de arte. Bela combinação!
Para ver mais, clique aqui.

Saudade de ver estrelas

Ando triste, pelos cantos, dormindo tarde e acordando mais tarde ainda. Passei a desligar o telefone para não ouvir sinal de vida lá fora. Depois de tantos dias de solidão, febre e envelhecimento, queria um gesto para restituir o homem que eu não encontro mais em mim.

Saudade de ver estrelas e até a ponta da lua da minha janela. Ando recolhendo restos de força pelos cantos da casa para refazer meu sorriso e meu olhar. E me permitir olhar não mais apenas para o passado, mas adiante.

Pareço voltar do ponto onde parti e daqui não percebo o entusiasmo que aplacaria tudo o que não coubesse num abraço longo e sôfrego. Como num golpe, as gigantes nuvens carregadas voltaram a espreitar meu desassossego. Mas guardo cada pequena delicadeza para que nelas sejam construídas minhas certezas. São elas que docemente me despertam a cada manhã.

Imagem: Wolney Fernandes

Acaso

Por um descuido do acaso, você descobre: quero ouvir bom dia com sua voz, todas as manhãs!
E dorme sonhando para que ao acordar, a manhã não se acenda em certezas, mas se ilumine com as cores dos 'quereres'.

Imagem: Wolney Fernandes

quinta-feira, 12 de março de 2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Doença

"Pensar é estar doente dos olhos"
Alberto Caeiro

Foto: Wolney Fernandes

Pesadelos da madrugada

Pesadelos quadricularam minha madrugada e esquartejaram meu corpo cansado.
Preciso de tranquilidades!

Imagem: Wolney Fernandes

segunda-feira, 9 de março de 2009

Felicidades Inventadas

Quero ver todo mundo feliz. Invento felicidades e meu desejo, por consequência, é ser feliz no rastro dessa querência. Escrevo e esboço instantes de felicidade porque no meu mundo parece não haver lugar para a dor...

Parece.

Não sei conviver com dores. Sou fraco!
Vivo de fugacidades para que elas encondam o que realmente dói.
Transformo minhas dores em riso, mas em mim elas continuam a doer.

Muito.

Foto: Wolney Fernandes

Fora do Eixo

01. Senegal fast food - Amadou & Mariam
02. Ringa Ringa - A. R. Rahman
03. It's so hard to come home - Kath Bloom
04. Rosas - La Oreja de Van Gogh
05. Piensa en mi - Chavela Vargas

Imagem capturada em http://www.tapedeck.org/index.php

Chega de Saudade

O Filme:
Chega de Saudade (Brasil, 2008)

Sinopse:
Vários personagens e suas histórias são mostrados e entrelaçados durante um baile da terceira idade.

Grande questão:
A vida pulsa em todos os lugares?

Detalhes preciosos:
1. Os movimentos da câmera que parecem nos colocar para dançar com as personagens;
2. As marcas do tempo que o elenco não esconde, mas exibe de forma bem verdadeira;
3. A seleção musical eclética e cheia de referências dos mais variados estilos.

Frase:
(que nesse caso, é um poema)

“Esse homem improvável com olhar de menino fez o meu corpo flutuar sem peso.
Senti uma felicidade sem passado nem futuro.
Teria beijado esse homem cujos olhos alegres me convidavam a voar.
Teria beijado se soubesse fazer escolhas, mas nem quando o mundo escolhe por mim e apaga as luzes acendendo o luar, nem nessa hora eu ouso escolher o que o meu coração palpita.”

Música:
Você não vale nada - Composião de Dorgival Danta

Cena que adoro:
São tantas que nem dá pra escolher. Clique aqui para ver várias delas no trailler do filme.

sábado, 7 de março de 2009

Retornos

Nenhum vaso com flor. Silêncio. Só idéias, cenas do cotidiano, pensamentos. Palcos por todo lado; infinidade de memórias ligam-se a eles. No papel tudo fica estático, mas minha imaginação vê movimento por ali. Transformo cenários em campos de dança ou puro teatro, algum dia, no futuro, como de certa forma já foram, no passado.

Apreendo as quase idéias, carregando comigo o mínimo delas, representadas em linhas soberanas. Tudo fácil de fazer, em qualquer restinho de papel. Desvendando as armadilhas da memória, o cotidiano que estiver soterrado em cada desenho me faz sentir menos afetado e vazio. E sigo assim, dias e madrugadas nesse exercício de voltar para mim mesmo.

"E ao final de nossas longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez." (T.S. Eliot)

Imagem: Wolney Fernandes

segunda-feira, 2 de março de 2009

Complicado demais

"O meu querer é complicado demais.
Quero o que não se pode explicar aos normais"

Texto: Trecho de música do grupo Catedral
Imagem: Andre Sandoval

Botticelli e Van Gogh em Coraline

No filme "Coraline" a 'Vênus' de Botticelli tem peitão e a 'Noite estrelada' de Van Gogh ganha vida. Lindo e assustador, o filme encanta os adultos e deixa as crianças morrendo de medo!
Já não se fazem mais animações como antigamente.
Ufa!
Ainda bem!