Não, decididamente não há presente mais charmoso do que uma foto antiga pra gente se perder em memórias guardadas de tempos não vividos. Esta, que mostra a procissão da Festa do Divino em Lagolândia, eu ganhei de uma tia que a encontrou nos guardados da minha vó, depois que ela faleceu.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Memórias guardadas
Não, decididamente não há presente mais charmoso do que uma foto antiga pra gente se perder em memórias guardadas de tempos não vividos. Esta, que mostra a procissão da Festa do Divino em Lagolândia, eu ganhei de uma tia que a encontrou nos guardados da minha vó, depois que ela faleceu.
"Capturar a Vida"
Entender a vida de uma pessoa (qualquer pessoa) é uma incógnita que incomoda e atiça a curiosidade da humanidade; ou pelo menos a minha!Talvez essa curiosidade explique, em parte, minha predileção por livros de cartas e diários. Esse tipo de produção literária me comove e intriga tanto que outro dia que perguntei: Por que me afetam dessa forma? As respostas seriam variadas, abundantes e contraditórias entre si, mas o fato é que isso acontece.
Escritora compulsiva, Sylvia Plath jogava em seus cadernos todos os detalhes, pensamentos, considerações e ações pelas quais passava, desde os 13 anos até dias antes de morrer. De maneira enfática ela escreveu: “É impossível ‘capturar a vida’ se a gente não mantém diários.”
É possível dizer que nestas páginas estão contidas as chaves para se entender o desenvolvimento da vida? Talvez não. O que acontece é que quanto mais páginas escritas, quantos mais detalhes acumulados, quanto mais pensamentos assimilados, mais as incógnitas aumentam em ritmo, tamanho, profundidade e espacialidade possíveis em relação diretamente proporcional.
Me pergunto também se estes autores de cartas e diários - assim como eu, neste blog - não optaram por registrar em seus diários apenas as melhores partes daquilo que foram. Me parece certo que o indíviduo ao menos suspeitasse que seu diário seria lido por outras pessoas depois de sua morte.
O que deixar escrito sobre si para um provável leitor indefinido/aleatório do futuro? A minha resposta pode ser encontrada aqui, nestes instantes possíveis.
Desenhos ao telefone
Vontades Introvertidas
Eu fui (e ainda sou) um rapaz calado. Adolescente com grandes olhos que percorriam terreiros, estradas, rodapés... e nunca os horizontes. Roupas engomadas, sem cor. Aquela forma de sentar com as mãos cruzadas sobre as pernas e costas arqueadas.Aquele que se escondia na alegria dos desenhos riscados em troca de amizades de recreio. O garoto desengonçado, meio gago, que crescia no banco da igreja lendo estórias em quadrinhos.
Os sonhos porém eram muito vivos, de um brilho profundo que refletiam misteriosas ondas de inquietação que se podia sentir à distância. Alegria, confusão, tristeza e compreensão, tudo era possível sentir nas marés daquele olhar solitário.
Vontades introvertidas de voar de cima do pé do Flamboyant para alcançar os espaços que lhe eram negados. Flutuar por sobre os medos, acenando para a própria imagem refletida neles. Ir além do morro da torre de TV para vir a ser, quando crescesse, o moço/menino feliz!
Imagem: Wolney Fernandes
Instantes Anteriores
a) Num fim de tarde "desguardar" aquilo que o coração carrega como movimento que o ajuda a pulsar;b) Sentir nas conversas sinceras os solavancos da vida lutando para não se esvair;
c) Correr entre bocas abertas e desesperadas, enchendo as mãos com esperanças mais pequenas para devolvê-las ao lugar onde sabia que deveriam estar;
d) Reconhecer que, embora desencontrada e redimensionada, a paixão permanecia, certa e imensa.
Foto: Wolney Fernandes
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Querência
O que mais ele desejava era apaixonar-se por alguém de olhos sinceros. Aqueles com uma cor clara e que, dilatados ou não, refletissem a alma, sem truques. Esperou muito por isso. Ansiou por essa pessoa de gestos limpos e lavados, como frutas descascadas, que embalasse seu presente em colos mornos com a paciência de quem une pétalas em rosas de papel crepom. Alguém que teria nome único, difícil de chamar e com apelido para simplificar. Um cúmplice de lembranças infantis e de desejos contidos no mais banal cotidiano. Com antebraços de abraçar, cabelos de cafuné, que não usaria ouro ou prata e choraria em silêncio diante de aquarelas e telas cinematográficas. Refugiar-se-ia em fortalezas inalcançáveis de solidão, de onde sairia mais feliz e leve, sem ressentimentos, pois que o bailado da liberdade seria natural e procurado como o ar e a água de beber.Foto: Wolney Fernandes
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Infinitas Graças
Texto que acompanha a imagem:"São Judas Tadeu, venho te dar graças por livrar-me de uma situação difícil e poder me esconder a tempo para que meu compadre não me encontrasse com sua mulher em sua cama. Te ofereço isto porque ele nunca se deu conta que é um corno. Juro que nunca mais vou voltar a fazer isto. Perdoa-me, mas o corpo é do demônio. G.R. Tacubaya, México D.F. 28 de Maio de 1989."
Imagem retirada do livro "Infinitas Gracias" de Alfredo Vilchis Roque
sábado, 23 de agosto de 2008
Tudo sobre minha mãe
O Filme:Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, Espanha, 1999)
Grande questão:
A paternidade pode virar maternidade?
Detalhes preciosos:
1. Os padrões, desenhos e arabescos dos papéis de parede e azulejos dos cenários;
2. As referências do filme "A Malvada" com Bette Davis;
3. O texto encenado no palco pela personagem Huma Hojo (Marisa Paredes) no final do filme.
Frase:
"Ficamos mais autênticos quanto mais nos parecemos com o que sonhamos"
Música:
Tajabone - Ismael Lo
Cena que adoro:
O monólogo de Agrado. Clique aqui para ver.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Menino levado ou velado menino?
Parque dos Desejos
Dia desses, em minhas caminhadas pelo parque, minha alma era só desejos.Desejei que as madrugadas, com sereno e neblina, desenhassem sobre as colinas sinais de otimismo.
Desejei que cada cascata cantasse seu próprio sentido em cada ouvido.
Desejei que os pássaros fizessem sinfonia no espaço, que o beijo e o abraço sempre provocassem arrepios e formigamentos.
Desejei todas as cores e o laranja das alegrias internas, surgindo sob a poeira, avançando sobre o capim seco.
Desejei sonhos e poesias escritas, dança e letras de cantos...
Desejei surpreender, causar espanto naqueles que me duvidam.
Desejei que todo dia, nasça com a claridade tênue da manhã, uma imensa gargalhada contando cada segredo.
Imagem: Wolney Fernandes
Retrato de Frida Kahlo
Obra Contemporânea
Sinal de Vida
Querida Sofia,repetidamente te escrevo para dizer que o pequeno corte no coração, provocado pela partida de antes, cicatrizou. Coração cicatrizado, contato praticamente cortado e de novo, a intensidade contida nos instantes possíveis. Você sabe que sempre tive vocação para o sonho acordado... mesmo em tempos assim. Não é bem isso que quero dizer nesse bilhete com jeito de carta, mas fico sempre tentado a repetir.
Sabia que depois que os caminhos foram reabertos, pensei em visitar você? Mas tive medo de encontrar a porta trancada e uma coroa de flores anunciando notícias tristes, já que você não me responde mais.
Talvez essa não-resposta seja um pacto silencioso para não mais falarmos de coisas tristes, acertei? Olha... eu até emagreci. Não o suficiente, ainda! Pois é... alguns dizem que foi o mestrado. Eu prefiro pensar que foi força de vontade mesmo. Sempre desejei um corpo mais esguio, onde as roupas não se sentissem intrusas, mas parte harmoniosa do conjunto. E você precisa ver. Tenho caminhado sempre que posso. Voltas pelo bosque, músicas cantaroladas e borrifos de água no rosto.
Ontem fui ao cinema. Lembrei de você, embora o filme tenha me parecido açucarado, com gosto de propaganda norte-americana. Tempos estranhos esses. Querem nos fazer acreditar num mundo novo, mas esse fim de década me cheira azedo, nauseabundo. Sabe aquela sensação de perda de tempo? Pois é... saí do cinema assim. A outra novidade é que agora tenho tido vontade de dançar. É bom ouvir música e tirar o pé do chão.
Dê sinal de vida!
Beijos detetives!
Wolney
PS. 1: Já parou pra pensar que nem tudo nessa vida fica tão bem explicado quanto deveria?
PS. 2: O Rafael mandou um abraço para você da última vez que nos falamos pelo MSN. Fiquei curioso: de onde você o conhece?
Imagens do Mundo
Imagens de diversas partes do mundo trazidas para mim:A - Panamá (presente da Carmem)
B - Venezuela (presente do Rezende)
C - África (presente da Vanildes)
D - França (presente do Edilson)
E - Itália (presente do Frei Dorcílio)
F - Estados Unidos (presente da Leda)
G - Chile (presente da Gardene)
H - Austrália (presente do Fernando)
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Escrever com Imagens
Em minha prova de Integração Social do ano de 1982, a última questão era bem clara: "Desenhe uma planta completa".Desenhei.
A professora não considerou a imagem, me deu metade da nota e acabou por "Escrever uma planta completa".
Quando será que as pessoas vão perder o medo de navegar nas imagens sem precisar de textos tradicionais para orientá-las?
Será que agora, no Mestrado em Cultura Visual, vão me deixar raciocinar com imagens?
Imagem: Wolney Fernandes
Vontades
Açúcar ou sal? Agridoce? Talvez a vida seja apenas isso. Uma sucessão de expectativas e frustrações. Tudo muito simples, sem necessidade de maiores explicações.Fico aqui, diante do monitor, imaginando como seria ter beijo-de-boa-noite e carícia-da-manhã-cedinho... e talvez assim eu sinta em plenitude uma espécie de presença na ausência. A memória da pele que atravessa os tecidos e corre no sangue, mistura de lucidez com insensatez (dois lados da mesma moeda).
Talvez isso nunca devesse aparecer escrito nesse blog, mas é para registrar, de modo claro e singelo (como o teu olhar no meu), uma vontade de tudo.
Foto: Wolney Fernandes
Colecionadora de Palavras
- Ela colecionava palavras - disse o corretor um tanto apressado para explicar a parede repleta de traços desconexos. O quarto era frio, úmido, mesmo no verão. Miguel inspirou o ar mofado, pensando em sua busca por um apartamento, uma casa, uma casca. Há dias, entrava em mundos outros e ia descobrindo vidas que apenas adivinhava.Sem informação a respeito da biografia dos antigos moradores, esboçava personagens de acordo com o estado do banheiro, do piso, da cozinha... o apartamento da moça que colecionava palavras era triste. Perguntou ao corretor se ela havia morrido. Ele não sabia, ou disfarçou muito bem.
Tentou formar frases com os tais rabiscos. Não foi possível.
Pedra,
sonho,
borboleta,
chuva,
lástima,
lágrima,
meiguice,
triste,
espelho,
e aí seguiam em linhas tortas e com a mesma letra trêmula, sofrida.
Passou o resto da tarde pensando na tal colecionadora. Solitária deveria ser, num prédio decadente, de esquina, no centro. Lembrou do que o melhor amigo disse: "será que escolhemos nossa vida ou nossa vida nos escolhe?"
E mais adiante completou o pensamento: "Não faça de sua nova casa uma casca. Não se enterre lá, como costuma fazer quando quer evitar os encontros..."
Ficou com medo de terminar sozinho ou acabar colecionando fragmentos de coisas acontecidas por receio de apagá-las da memória. Guardar para lembrar que viveu... acumular estímulos para fazer sentido.
Imagem: Wolney Fernandes
Ato V, cena II
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Sete Baladas
01. The heart of the matter - Eagles02. Si tu no vuelves - Shakira e Miguel Bosé
03. Paradise (not for me) - Madonna
04. O seu amor - Mara Maravilha
05. Across the Universe - Rufus Wainwright
06. Frisson - Roupa Nova
07. Só Você - Fábio Jr.
Imagem capturada em http://www.tapedeck.org/index.php
domingo, 17 de agosto de 2008
Moral da História
Depois de alguns ensaios que foram assassinados pela minha falta de tempo, por falta de palavras ou por preguiça mesmo, nasceu este texto, que tem nome esquisito, mas tem gosto saboroso e sonhador de quem sempre se sente um aprendiz.01h28 da madrugada. Estou no meio do caos instaurado por mim em meu quarto: tênis debaixo do guarda-roupa, caixa de fotos perto da porta (sem nenhuma foto dentro porque estão todas espalhadas pela mesa e adjacências), fio dental em cima da mesa do computador, "cadeira-cabide" com uma pilha de roupas usadas penduradas, papéis cortados pela cama, pincéis no banheiro, livros aos montes pelo chão, lixeira transbordando, gavetas que insistem em não fechar em função do entupimento provocado pelas “tralhas” que as preenchem. Enfim, uma zona intransitável.
Pra completar a cena estou eu saboreando uma deliciosa nectarina (fruto da mistura de pêssego com ameixa vermelha) com meu coração sereno. O som toca Lizz Wright e embala essa minha indolência típica dos tempos de calmaria. Pensei em organizar esse caos, mas desisti ao adentrar na bagunça. Ela não me atinge como antes, pelo contrário... relaxa.
Decido aproveitar esse momento incomum. Passo o pé jogando toda a papelada que está sobre minha cama no chão e, sem tirar a colcha, deito de roupa e tudo. Entendo que dentro de mim tudo está paradoxalmente assentado. Hoje, pelo menos, o caos é apenas externo. Ele não me contagia.
Fecho os olhos e faço a pergunta mentalmente: como estou? Feliz, eu diria!
Levanto de supetão, troco o CD e junto com a Zélia Duncan começo a cantarolar: “...e então a moral da história vai estar sempre na glória de fazermos o que nos satisfaz...”
Imagem: Wolney Fernandes
O que é a Vida?*
A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. (...) A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia.Pisca e mama;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
Monteiro Lobato
(*) Diálogo entre Emília e Visconde de Sabugosa xerocado do blog do Cláudio.
Imagem capturada em http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0182b.htm
sábado, 16 de agosto de 2008
Nuances de um coração sem medos
Não, não há explicação! Pelo menos não aquela que, enredada na lógica cartesiana, banaliza as minúcias dos detalhes que movem a dinâmica da vida. A verdade... aquela que se desenha na minha realidade, pode estar na brisa da madrugada que, vez por outra, sopra coisas interessantes enquanto durmo.A aura que envolve meu coração deixa de ter o brilho fosco das jabuticabas para dar lugar a ardência silenciosa dos olhos de tamarindo. E assim ele pulsa, sem hachuras ou ranhuras, entre belezas reveladas pelos sons de músicas retiradas de um antigo baú e imagens de tantos filmes. Livre dos rabiscos que vez-em-quando fazem nublar minhas vontades.
A vida é assim: bela em suas nuances. Cheia de contrastes e variáveis que vão preenchendo nossa existência com um colorido especial, que nem desenho feito com a espontaneidade e a fluidez das tintas. Tristezas pelas partidas vão se alinhando às alegrias pelas chegadas; o novo que enche de surpresa o nosso cotidiano, às vezes tão assoberbado de idas e vindas. Um ciclo eterno de possibilidades.
Em meu coração, consigo "enxergar" o aroma delicioso dos sinais que ajudam a jogar meus medos pela janela do décimo andar. Sinais simples como o calor de um dia ensolarado cuja luz vai preenchendo devagarinho todas as frestas escuras. Que vai arrumando tudo. No seu tempo. Do jeito certo! Sinais que fazem viajar... aqui mesmo, sem sair do lugar e, ao mesmo tempo, completamente fora de órbita.
Imagem: Coração e rabiscos de Wolney Fernandes sobre obra de Pollock
Mundo Possível
Não vou deixar essa fagulha insubstituível que arde dentro de mim nos pântanos da desesperança, do não-é-bem-isso, do ainda-não, do não-de-forma-alguma. Não quero, no futuro, que minha alma perceba a solitária frustração pela vida que eu merecia, mas que nunca fui capaz de alcançar.O mundo que eu desejo pode ser tocado.
Ele existe.
É real...
e possível!
Imagem: Wolney Fernandes
Mais ou Menos?
Estou inquieto e me pergunto:- É agora, neste instante, que eu devo decidir pra onde ir? Que eu devo acontecer? Eu sou feliz? E amanhã?
Nessa inquietude eu tento responder isso tudo de uma tacada só:
- Não quero riqueza, glória ou sabedoria máxima. Nunca me atraiu. Quero rir e, de certa forma, ter com que pagar. Quero desenhar. Não pretendo uma autobiografia e nem mesmo minhas memórias póstumas. Vida despretensiosa, sim. Um leve sorriso, uma certeza serena do mais simples. O conhecimento do elementar. Existem pessoas que enxergam a felicidade como um fim, e não como um meio – o mais importante. Há também aquelas que são felizes hoje, e se arrependem por um amanhã tão mal planejado, tão errado. Eu sigo um meio termo de dar dó, mais ou menos feliz aqui para ser mais ou menos feliz ali. Hoje e amanhã...
Foto: Wolney Fernandes
Evita
O Filme:Evita (Evita, EUA, 1996)
Grande questão:
Quando se chega ao topo, o que permanece e o que se deixa para trás?
Detalhes preciosos:
1. O embate entre Evita e sua consciência, personificada no filme por Antônio Banderas, o Che;
2. As cenas de dança;
3. As músicas que se repetem em contextos diferenciados.
Frase:
"Então escolhi a liberdade."
Música:
Another Suitcase In Another Hall - Madonna
Cena que adoro:
"Don't Cry for me Argentina" entoada na sacada da Casa Rosada. Clique aqui para ver.
O Olhar
"A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo."Rubem Alves
Imagem: Wolney Fernandes
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