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domingo, 23 de agosto de 2009

Falando sozinho

Todos os dias, enfrento a mesma verdade. De que a vida passa rapidamente. E eu assim, parado. Fazendo menos do que posso e desenhando ausências em chão coberto com migalhas que eu mesmo lanço e recolho.

Deixo oportunidades passarem esperando, sem saber, uma que me leve onde eu quero. Mas onde quero chegar? Me pergunto em voz alta e me pego falando sozinho, angustiado comigo mesmo:
- Bobo!
- Não sabe?
- Quando falo sozinho estou falando com você mesmo!
- Durma!
- Estude!
- Emagreça!
- Cresça e saia deste quarto.
- Não!
- Me deixe quietinho com meus filmes e imagens toscas.
- Tenho sono!
- Não me acorde antes do meio-dia, pois o sol já se prenuncia no horizonte.
- Não vejo e quero continuar assim. Um cego brincando de encontrar a saída da Terra do Nunca.
- Crescer dói!

Imagem: Wolney Fernandes

Giramundo na praça

Giramundo na Praça Cívica. Motivo para encontrar amigos/as, comer pipoca com maçã do amor e rir de bonitezas tantas.

Foto: Wolney Fernandes

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Desafio 13


Desafiante da Semana: Adriano Antunes

Tema: "Tijolo Quebrado"

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De Wolney Fernandes, Fissuras Alicerçadas.



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De Adriano Antunes, Última Martelada.

Com que direito penduras em mim a paisagem dos teus sonhos?

Por certo recordas
Teu vandalismo tosco
Suportado por amor
Aplainado pela dor.

O que mais exiges?

Quebraste o reboco
Perfuraste o tijolo
Íntimo exposto
Jazigo nu.

Hoje és...

Instável
Intruso
Insuficiente

Um prego torto esquecido no rodapé do quarto.
(.)

Cinco

Na última semana, as cinco músicas mais executadas no meu iPod:

01. Chasing Cars - Snow Patrol
02. Nantes - Beirut
03. Feel This - Bethany Joy Galeotti
04. Celebration - Madonna
05. Hacer por Hacer - Miguel Bosé e Gloria Gaynor


Imagem capturada em http://www.tapedeck.org/icm/

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Guardando idéias

Quando um guarda-chuva de Magritte não deixa nenhuma idéia escapar pela janela.

Imagem: Painel do setor de comunicação da CAJU.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Em tardes de agosto

Releituras de mim mesmo são péssimas. No passar das páginas, sinto uma espécie de dor gloriosa. Odeio-me nas poucas virtudes e me perco na tentativa de me organizar e dar sentido a meus medos... tecer esse livro de mim. Enquanto isso, em janelas translúcidas com o laranja das tardes de agosto:

- Revejo minha autobiografia de folhas em branco. Como uma pequena caderneta, para você me anotar de ti.

- Invejo um casal de namorados que saiu da loja com celulares e sorrisos. Quantos minutos de ligações eles terão por mês?

Imagem: Wolney Fernandes

Palhaçada

Quem tem medo de palhaço?
Só eu?

Imagem: Wolney Fernandes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quarto amarelo

Quando vestir o quarto com as cores do Van Gogh me ajuda realçar janelas e colorir limitações.

Imagem: Wolney Fernandes

domingo, 2 de agosto de 2009

Desafio 12


Desafiante da Semana: Wolney Fernandes

Tema: "O que é escrito na lembrança vale mais do que o que ficou perdido no passado.”
(Da minissérie "Som e Fúria")

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De Wolney Fernandes, Inversões.

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De Adriano Antunes, Quimera.

aquarela (1991)

"Em linhas e cores de ingênuos 17, construí quem sou. Novas linhas, novas cores, dominam o hoje, mas no fundo, o mesmo garoto que passava os dias escrevendo e desenhando quimeras, anda de bicicleta com o vento batendo no rosto e ainda acredita em sonhos possíveis."

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sonhos ilustrados


Revirando velhos arquivos, encontrei uma ilustração do tempo que eu sonhava ganhar a vida desenhando.

Gulliver - Miguel Bosé

Projetando sentidos

Quando há prazer em projetar alegrias de bolso.

Catando citações

"Caminhamos ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil. Quanto a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo outros a ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar."

Alberto Camus

Ilustração e Foto: Wolney Fernandes

Balanços

Querida Sofia!

Dia desses alguém lembrou você em uma de minhas conversas e fui tomado pelos momentos perdidos nos quais não mais senti vontade de lhe escrever. Estranho foi imaginar que nunca mais minhas inquietudes pudessem chegar até você. Senti uma espécie de escoamento de lembranças e por isso estou aqui novamente. Devo me desculpar pela sinceridade? Ou melhor, será que estou sendo sincero na medida que a ocasião merece?

Outro dia me peguei desejoso de meias verdades. É, cansei de desfiar o discurso da sinceridade porque, de repente, numa manhã, quando ela chega assim sem avisar, dilacera minhas quietudes. Sinceridade nua e crua machuca. Prefiro que ela venha revestida de verdades rendadas e, por favor, diga-me que essa afirmação não é só minha. Ou é?

Eu estou velho. Sim e nem se dê ao trabalho de discursar sobre juventudes tardias. Outro dia entrei no parquinho e uma moça gritou: "Só pode criança nesse balanço". Nunca me senti tão velho, nunca me senti tão pesado. Minha infância nunca mais será a mesma depois daquilo. Então, eu cheguei até aqui, velho.

Um velho que vive mais de lembranças do que de esperanças. É bom lembrar do moço que fui. É bom também chegar aqui neste meu pequeno altar emancipado e celebrar quase sem forças uma antiga reza para um Deus que foi embora. Entre todos esses pensamentos bagunçados, Sofia, ficam as lembranças de um tempo quase sagrado, não fossem tão profanos meus desejos. E mesmo quando falta a promessa, é nesta oração possível que ainda percebo o quanto estou vivo e sou o resto de tudo que amei.

Gosto de te escrever porque sempre termino assim, meio velho, mas menino.

Sou um ser de saudade – o fui sempre e agora ela mora aqui comigo.
Abraços prolongados!

Wolney

Imagem capturada em http://lineneto.wordpress.com/2008/12/05/balanco/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Desafio 11


Desafiante da Semana: Adriano Antunes

Tema: "Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que seu amor - o mais benéfico que jamais tive - seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'."

(trecho do e-mail em que Grégoire Bouillier rompe com Sophie Calle)
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De Wolney Fernandes, Horizontes de Inquietudes.


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De Adriano Antunes, Pensei Que Isso Bastasse.

Pensei, e talvez seja esse meu maior defeito: pensar demais. Tento explicar o mundo, achar soluções para coisas complexas e às vezes até para as mais simples.
Uma louca capacidade de absorver o mundo, como ele é, do jeito que é, e embrulhá-lo para presente com o papel dos meus sonhos e emocionais fitas de seda.

Pensei que isso bastasse...

Pensei, e talvez seja por isso que me aprisiono em equívocos constantes, tentando evitar a dor, minha e dos outros, antecipando reações, controlando impulsos, criando soluções.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que amar fosse algo bom. Que neste ato de amar não precisasse achar respostas para entender, seria só sentir, simples assim.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que a verdade fosse uma prova real de amor-amizade, ofertada sem medo, sem pudor, de peito aberto, cabeça erguida.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que nunca me sentiria só se estivesse cercado de pessoas, em lugares públicos, eventos sociais, grupo de auto-ajuda e até mesmo em funerais.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que o amor pudesse crescer sendo alimentado apenas por um dos lados e que o tempo reverteria o processo, ou pelo menos o igualaria.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que minha tristeza colocada em frases tortas e minha alegria descrita em versos sem rima mostrassem em profundidade minha alma.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que meu amor, essa tal necessidade vital de te querer que impregna meus olhos, pudesse encher de alegria e plenitude esse teu mundo escuro, solitário.

Pensei que isso bastasse...

Mas, tu consomes o que tocas, como um buraco negro que engole tudo ao seu redor, sem distinção, sem julgamentos, sem ponderações. Tu te aproprias e ao mesmo tempo declinas dessa posse. Alguém que tem a sorte de possuir tudo, mas vive do nada por escolha, por capricho.

Pensei que isso bastasse...

Mas na angústia que te faz querer buscar novos horizontes, infelizmente mais sombrios, tu és sugado para dentro de ti mesmo. E nesse espaço vazio, de constantes tormentos, gritas:

“- Pensei que fosse suficiente... sentir-me feliz, generoso...”

Pensei que isso bastasse...

Pensei.
(.)

Pretextos

De onde vem essa inquietude que me entorpece os sentidos?
Almejo ventos de ouvir, pois brisas de silêncio já não me refrescam mais.
Na superfície, desejo imagens caligrafadas com pretextos absurdos. No fundo, quero destampar essa saudade descabida para transbordá-la em canções e sussurros de ninar.

Imagem: Wolney Fernandes

Mais doce no final

"O fim do homem é sempre mais marcado que o seu início. O por do sol, a música de encerramento; assim como a última mordida do doce é sempre a mais doce no final.
O que é escrito na lembrança, vale mais do que o que ficou perdido no passado."

Da minissérie Som e Fúria.

Imagem capturada em http://mmkx.blogs.sapo.pt/4333.html?mode=reply

sábado, 25 de julho de 2009

Sophie Calle, a cultuada artista contemporânea francesa, namorou o famoso escritor Grégorie Bouillier até que ele resolveu terminar o relacionamento por e-mail. A artista, de posse do e-mail do ex, pediu que 104 mulheres o intrepretassem e dessem uma resposta. As 104 manifestações foram reproduzidas em texto, música, poema, foto ou vídeo e reunidas em uma exposição que a artista intitulou "Cuide-se".

A idéia aqui é a mesma. Sete amigas e um amigo toparam fazer o mesmo movimento sugerido por Sophie e responderam o fatídico e-mail usando as mais variadas expressões. Divertida, a proposta explora acima de tudo a ambiguidade — seja por confundir os pápeis de autor/a, narrador/a e personagem, seja por atiçar equívocos de interpretação diante das obras.

Abaixo, o e-mail do Grégoire e as respostas recebidas.

O e-mail de Grégoire para Sophie

"Há algum tempo, venho querendo responder seu último e-mail. Na verdade, preferia dizer o que tenho a dizer de viva voz. No entanto, vou fazê-lo por escrito.

Você já pôde notar que não estou bem ultimamente. É como se não me reconhecesse em minha própria existência. Sinto uma espécie de angústia terrível, contra a qual não consigo fazer grande coisa, exceto seguir adiante para tentar superá-la. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a 'quarta'. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as 'outras', não achando logicamente um meio de vê-las sem transformar você em uma delas.

Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que o seu amor — o mais benéfico que jamais tive — seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'. Pensei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições nem sequer de lhe explicar o estado em que mergulhei. Então, nesta semana, comecei a procurar as 'outras'. Sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Nunca menti para você e não é agora que vou começar.

Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…). Com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Você pode, então, avaliar a importância de minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante de sua vontade, ainda que deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre os seres e a doçura com que você me trata sejam coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você do modo que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.

Mas hoje seria a pior das farsas manter uma situação que, você sabe tão bem quanto eu, se tornou irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.

Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.

Cuide-se."

As respostas

Uma carta

Grégorie, meu querido!

Tenho certeza que você não está nada bem, e o quanto é difícil dizer isso tudo pra mim, mesmo que seja por email. Quero deixar claro que preferiria uma conversa pessoalmente, porque um rompimento exige o encontro desses dois corpos que se amaram por um tempo considerável. Nossos corpos viveram momentos que marcam nossas vidas para sempre, mesmo que cada um agora decide tomar rumos diferentes. Momentos importantes para minha percepção do que era viver o Amor.


Seu email fez-me recordar uma escritora que adoro: Maria Soave em seu livro - A amante, a sábia, a guerreira, a feiticeira reflete sobre o Amor, e diz algo fantástico: que existem pessoas que exigem ser amadas e, por isso, nunca são elas mesmas, e tratam o amor como uma troca econômica, mais que existem pessoas que mergulham no amor, assim de graça, sempre maravilhadas e agradecidas. Estas são pessoas ecológicas, movidas pelo prazer, pela gratuidade. O amor que cultivei por você não foi uma troca econômica e sim um amor ecológico: cheio de prazer e gratuidade. Mergulhei encantada nesse amor que vivemos, e por viver intensamente todos os momentos que passamos juntos, quero que não se preocupe comigo - eu sei me CUIDAR.

Prova disso que saio dessa relação diferente de você: sem angústias e convicta de que fui verdadeira e inteira em todos os momentos que nos dedicamos um ao outro.
Percebo que você tem um desafio pela frente, de se tornar melhor nas próximas relações que surgirão no seu caminho e gostaria que soubesse que irei seguir minha vida e como canta Vanessa da Mata: “Eu vou tentar ser bem mais competente na escolha da próxima paixão”.

Cum Deus!


Cláudia Monteiro Lima
Estudante de Biologia
Brasília - DF

Um vídeo

O coração da bailarina


Naira Rosana
Arte Educadora
Goiânia - GO

Uma letra de música

InevitávelComposição: Indisponível
É tão inevitável, ter que esperar
Deixar o tempo ir, e não mais voltar
Lembrar desses olhares, outros pensamentos
Mesmo estando agora em outro lugar

Espero ainda esbarrar
Com você nessas esquinas
Espero ainda me lembrar
Mesmo que faça muito tempo
De como agente se via
Mas quando eu te encontrar...

Espero não estar
Mas no mesmo lugar
Mesmo tão longe, eu
Não penso em esquecer
De lembrar de você

Jaciara Pires
Goiânia - GO

Uma fotografia

Angélica D'Ávila
Arte Educadora
Santa Maria - RS

Outra carta

Você deveria ser chamado de “INCOERENTE ” e não Grégoire, porque você é a incoerência em pessoa.
É!!!!... porque:
Querer, há muito tempo, responder um e-mail a viva voz e acabar respondendo por escrito é INCOERENTE.
Sentir uma angústia terrível, não reconhecer a própria existência, não estar bem e tomar a decisão de seguir adiante para superar É UMA GRANDE COISA, portanto INCOERENTE.
Estar comigo há muitos meses com o pensamento nas outras e dizer que está mantendo compromisso é INCOERENTE.
Saber o que significa procurar as outras na sua vida e mesmo assim procurá-las é INCOERENTE.
Ser um escritor e não conseguir descrever um desabafo através do que escreve é INCOERENTE.
Ter um amor que nunca vai morrer e ainda ser o mais benéfico que já teve e dizer que é melhor que ele acabe é INCOERENTE.
E por fim, o que você chama de imposições eu chamo de escolhas e agora percebo e me sinto feliz por perceber que eu fiz as melhores escolhas possíveis.

Cresça!


Maysa Braga
Atendimento Publicitário
Goiânia - GO

Uma música escolhida



Por Gardene Leão de Castro Mendes
Assessora de Comunicação
Goiânia - GO