Quando a biblioteca se transforma em um mar de livros.Foto: Wolney Fernandes
Todos os dias, enfrento a mesma verdade. De que a vida passa rapidamente. E eu assim, parado. Fazendo menos do que posso e desenhando ausências em chão coberto com migalhas que eu mesmo lanço e recolho.

Na última semana, as cinco músicas mais executadas no meu iPod:
Quando um guarda-chuva de Magritte não deixa nenhuma idéia escapar pela janela.
"Caminhamos ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil. Quanto a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo outros a ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar."
Querida Sofia!

De onde vem essa inquietude que me entorpece os sentidos?
"O fim do homem é sempre mais marcado que o seu início. O por do sol, a música de encerramento; assim como a última mordida do doce é sempre a mais doce no final.
Sophie Calle, a cultuada artista contemporânea francesa, namorou o famoso escritor Grégorie Bouillier até que ele resolveu terminar o relacionamento por e-mail. A artista, de posse do e-mail do ex, pediu que 104 mulheres o intrepretassem e dessem uma resposta. As 104 manifestações foram reproduzidas em texto, música, poema, foto ou vídeo e reunidas em uma exposição que a artista intitulou "Cuide-se".