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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Realidades possíveis

Depois da partida, chego em casa e percebo que falta um sorriso, uma brisa de cumplicidade, um compasso de dança, um verbo no infinitivo inventado e terminado em "ge"... Choro baixinho as ausências, mas recito amores-perfeitos que adornam sonhos distantes. E assim, em mim, florescem realidades possíveis.

Imagem: Wolney Fernandes

Três Corrupios

Em dois tempos chegaram os três Corrupios desejados. Todos caprichosamente embalados e prontos para usos descabidos. Adorei!

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Operação Alfa-Beto

Com soldadinhos recrutados em feira de antiguidades (presente do Berg).

"Eu não sei desenhar"

Quantas vezes a gente já pronunciou ou já ouviu esta frase? Toda vez que isso acontece, nos esquecemos que desenhar é projetar, com os olhos, com o corpo, com as mãos, com a mente, com nossos desejos.

As imagens abaixo (uma pequena seleção dentre muitas) mostram uma maneira de fazer isso sem utilizar lápis e papel. As autoras são alunas da oficina de desenho que ministrei no mês de janeiro.

"Scooby Doo" [óculos e ventilador]
Joventina Camêlo Moreira


"Casal de Namorados" [alças de sandálias]
Jacirema Teixeira da Costa


"Sem Título" [peças de roupa, sapato e brincos]
Lucineide Pereira Dutra Ramos


"Robô" [celular, alicate, caixa e talheres]
Cláudia Drigo


"Moça Elegante" [bijouterias e tecido]
Míriam de Oliveira Sebastião Moura

ETV - 02


Proposta de Wolney Fernandes:

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."
(Clarice Lispector em Perto do Coração Selvagem)
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De Wolney Fernandes, "O que não se nomeia"

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De Adriano Antunes, "O Retorno"

Acometido de uma gana instintiva pelo desconhecido, de ultrapassar limites, de estabelecer nova ordem, certa manhã, resolvi fugir.

Desesperava-me viver naquele mundinho restrito, naquele lugarejo ultrapassado, sem provar das maravilhas do mundo. Acreditava-me, que um mundo perfeito deveria existir em algum lugar, e se me desse ao luxo de ali ficar, jamais o encontraria.

Coloquei a velha mochila nas costas. Caprichei na quantidade de coragem e vaidade e fui bem econômico com a humildade, afinal; um guerreiro deve ser altivo, destemido e imbatível.

Percorri os mais variados caminhos. Em alguns lugares fiz amigos, colhi sorrisos e semeei meus sonhos. Noutros, recebi incompreensão, deixei cair lágrimas de desencanto e solidão, mas nunca deixei que percebessem o medo da derrota em meus olhos.

Refugiava-me na desculpa de estar lutando pelo meu sonho, de estar tentando ser feliz. E se alguém se machucasse no caminho: ”paciência” - gritava eu – “culpem o cosmo pelo estrago”.

Mas numa tarde quente de verão, de sensação térmica beirando 45ºC, percebi que o chão se abrira em profundo abismo sob meus pés. Não conseguia acreditar no que via. Em segundos meus planos se desfizeram. Olhei para os lados e percebi que a fenda varava leste a oeste. Contorná-lo fazia-se impossível. Minhas forças não seriam suficientes para mais uma tentativa insana. Restava-me pular ou retornar. Então, embora cansado, optei por viver.

Olhei para trás. Observei meu rastro. Não havia percebido que chegara até ali arrastado. Aos poucos fui tomando conhecimento dos meus passos. Pude ver cada tropeço, cada corrida, cada fuga, momentos de hesitação; outros de excitação e alguns onde caminhava em círculos, perdido.

E foi nessa longa volta ao início, no micro-cosmo da minha insignificante e bela infância; de desajeitada e rebelde adolescência, que encontrei exatamente o que eu não via: a liberdade de estar justamente onde se deve estar.

O que eu quero agora, talvez não tenha nome, mas sei que está aqui, plantado, enraizado no afeto daqueles que incondicionalmente esperaram meu retorno.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Invencionices

Bom é perceber que minha memória se tornou imaginação. Assim, as lembranças da minha infância começam a inventar alguns dos meus dias de adulto. Quero livros escritos com terra e lápis de cor. Rabiscos ditando a pedagogia das nuvens, dos silêncios, das cambalhotas, da bolinha de gude e beijo no pescoço.

Imagem: Wolney Fernandes

O "bichinho" da maçã

Chegou!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Preciosa

Preciosa (Precious, EUA, 2009) é um filme pequeno de temática universal que revela cenas de uma vida de silêncios e privações. A narrativa apresenta uma adolescente obesa, analfabeta e grávida do segundo filho, fruto do incesto cometido por seu pai alcóolatra.

Espancada pela mãe (vivida pela comediante Mo'Nique em atuação visceral) e basicamente ignorada pelo mundo à sua volta, Clareece Precious Jones empreende uma jornada em busca de uma segunda chance em uma escola experimental. As muitas tragédias que cercam a vida da protagonista dizem mais da esperança perdida e depois reencontrada do que propriamente das obscuridades típicas uma vida sem perspectivas.

É esse equilíbrio entre a realidade opressiva da personagem e sua esperança, quase impensável, em deixar os dramas para trás que faz de "Precious" um filme intenso e eficaz. Mais do que resultados, o filme apresenta processos. Os caminhos percorridos vão desenhando transformações sutis e encorajando-nos a desengavetar os melhores aspectos da natureza humana.

Para ver o trailler do filme, clique aqui.
Imagem capturada em http://www.adorocinema.com/filmes/preciosa/

Ainda é tempo

E de repente, já é mais tarde do que a gente imagina e mesmo ali, depois do ponto almejado, ainda é tempo de acordar de nossa letargia e voar.

Imagem: Wolney Fernandess

Entretextos Visuais - Edição 2010

O projeto "Entretextos Visuais" (ETV) nasceu de um diálogo entre um escritor e um ilustrador que, em maio de 2009, começaram a trocar experiências pelos percursos da escrita e da imagem. A cada semana, um tema gerador impulsiona criações variadas entre as duas linguagens. A cada semana, similaridades ou disparidades criam relações textuais e visuais para além das intenções de cada um.
A edição de 2009 contou com 13 propostas. Agora, à partir do post abaixo, damos início à edição 2010 do projeto.

ETV - 01

Proposta de Adriano Antunes:

"Senhor... Mire veja: o mais importante e bonito,

do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre
iguais, ainda não foram terminadas - mas
que elas vão sempre mudando."

(Luiz Horácio - Jornal Rascunho Agosto/09)
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De Wolney Fernandes, "[In]completudes".

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De Adriano Antunes, "Ponto de Partida".

- Eu não lembro bem a data, mas o cheiro de terra úmida do pátio da casa de minha avó, ah senhor, prendeu-se ao meu nariz.

Fez uma pausa, olhou o céu e continuou:

- Toda vez que minha família chegava de cansativa viagem desde Santa Catarina para férias na casa de minha avó Alice, meus olhos pequeninos procuravam identificar as grandes ruas, as árvores floridas e a terra arenosa, úmida, que se estendia do portão por entre as folhagens até a porta da cozinha.
Meu coração batia descompassado.

Sorriu por um instante, inclinou a cabeça para o lado e logo os olhos brilharam:

- Eu corria na frente de todos e afoito empurrava aquele portão de ferro pesado pintado de verde escuro. Contornava a casa em direção a cozinha, passando as mãos em um canteiro de margaridas que indicavam o caminho com uma sequência de dentes branquinhos a sorrir e dar boas vindas.

Levantou-se, foi até a sacada em apenas dois passos. Olhou a cidade.

- Eu adorava o conjunto de xícaras de minha avó Alice. Ela sabia telepaticamente, como toda avó, e me esperava com leite quentinho na xícara que eu mais gostava. Era um conjunto de porcelana muito delicado e pintado a mão, como tudo naquela época, onde gnomos faceiros, multicoloridos, trabalhavam alegremente. Eu os achava tão felizes que me tornava feliz em observá-los.

Parou na entrada, pensou um pouco, depois continuou:

- Havia uma grande taquareira nos fundos da casa. Era o quartel general de meus primos. Ali, escondidos por entre taquaras e folhas secas, bolávamos os mais mirabolantes planos. Inclusive o de fugir de casa quando nossos pais exigiam tema feito e banho tomado.

Olhou desta vez para o pequeno apartamento. Observou a mobília, os quadros, as cores. Desviou o olhar novamente para a sacada.

- Hoje, depois de muito tempo, permiti ao meu corpo de adulto percorrer os arredores de minha infância. Sinto que nesses anos todos impermeabilizei o olhar sobre o meu passado andando por caminhos definidos, paralelos. A casa de minha avó continua lá. Três ruas daqui. Mas eu fui crescendo e limitando minha vida ao meu estacionamento, ao prédio, ao horizonte distante que vejo da minha sacada. Mas hoje, por quase duas horas, percorri meu bairro. Reconheci a Relojoaria Lino, onde minha mãe comprou meu primeiro relógio e me transformou em senhor do tempo; o Mercado Rabaioli, de pães quentinhos pela manhã e corridas urgentes no meio da tarde, quando de súbito faltava manteiga para o lanche da gurizada; a Estofaria Estrela, com seus sofás encalhados, na frente do prédio, expondo suas vísceras de espuma.

Sorriu.

- O bom da vida é isso: as coisas só desaparecem quando morrem dentro da gente.

domingo, 31 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O que me atravessa

"'Quem é você?', perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: "Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então."

(Lewis Carroll: Alice no País das Maravilhas)

Sou cartógrafo de afetos, camisetas pintadas à mão, rosto sisudo, gagueiras sem fim, delicadezas pueris, cabelo de corte ultrapassado, olhos de tamarindo, livros de criança, cozinheiro de araque, silêncio dentro da vontade de gritar.

Sou aridez em terra fértil e vento em dias de calor. Menino de lugar nenhum, homem de muitas descobertas, multiplicidades desconhecidas, cuecas de "perninha", pés calçados, inconstância, choro em cinema, havaianas desenhadas, contradição, medo, literatura, preguiças em tardes de terça, excentricidade, birra, chatice, alegria ligeira, tristeza passageira.

Sou um monte de tentativas e mais um monte de erros. Personagem de meu discurso, pamonhas na madrugada, ocultação e revelação desmedidas. Sou as amizades que cultivo, dietas sem disciplina, desenhos de cotidianos e livros no banheiro.

Sou aquilo que me atravessa e me toma pelas mãos, sem que eu saiba bem. Dessas coisas todas e mais outras, sou feito e vou me constituindo vida afora.

Imagem: Luiz Zerbini

sábado, 23 de janeiro de 2010

O Livro Amarelo do Terminal

"A rodoviária do Tietê é uma cidade de coisas perdidas. [...] é uma cidade de pessoas que andam com um monte de fiapo preso aos pés, de gente que derruba café no chão e joga o papel higiênico fora do lixo. De moças que exigem cartões telefônicos e praguejam do alto de seus óculos escuros. [...] A rodoviária do Tietê é uma cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas."

Para Vanessa Barbara, a rodoviária do Tietê é um mundo polifônico. Pela escrita precisa, com toques de um humor prosaico, a jornalista vai trançado uma rede de histórias acerca do terminal. Ao apresentar as personagens anônimas e protagonistas das narrativas que ela recolheu, vai dando-nos instrumentos para adentrar na beleza das chegadas e das partidas; das esperas e dos encontros; das complexidades e das simplicidades da nossa humanidade.

Tudo isso embalado por um projeto gráfico inovador que usa elementos decalcados do universo dos terminais e das passagens antigas. Um bom exemplo de como um trabalho de conclusão de curso (de jornalismo, nesse caso) pode explorar universos que vão além do rigor acadêmico sem perder o foco do seu conteúdo.

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Livro: O livro amarelo do terminal
Autora: Vanessa Barbara
Editora: CosacNaify

Imagem: Capa do livro

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Para celebrar São Sebastião

"Imagem da Igreja de Lagolândia" - O São Sebastião da minha infância.


"Imagem da devoção popular"


"São Sebastião nº 1" - Oscar Magnan


"San Sebastiano d'apres Guido Reni" - Luigi Ontani


"São Sebastião" - Keith Haring


"Autorretrato como São Sebastião" - John Douglas


"Autorretrato como São Sebastião" - Egon Schiele


"Queer Saint" - Joel-Peter Witkin


"Costuras em vales de lágrimas" - Minha versão gótica para o santo.

Mais do santo aqui no blog.

Imagens 1 e 9: Wolney Fernandes
Imagens 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 capturadas em http://bode.diee.unica.it/~giua/SEBASTIAN/

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Agenda 2010 da CAJU

Orquestrando grafites, poemas e calendários.

Pilatos pós-gripe suína

Segunda-feira. A última de 2009. Olhei desoladamente para a enorme fila em curvas que se desenhava à minha frente. No início dela, apenas um caixa parecia se divertir por ser o único atendente do banco naquela manhã. Respirei fundo e me posicionei no final, já arrependido por não ter comigo meu iPod ou sequer uma revista para ler.

Alguns poucos passos depois e já perdido em pensamentos variados ouvi uma voz se destacar no burburinho da fila para questionar: "Você sabia que para Jesus não existe esse negócio de tecnologia, né?" - Localizei, com meu olhar, o interlocutor da questão. Era um homem baixo, todo engomadinho, perto dos 50 anos que, em tom de discurso, voltou a perguntar ao seu companheiro de fila: "Você sabe, não sabe? Pra Jesus não existe tecnologia."

O moço que estava ao lado, arregalou os olhos, mas não se pronunciou a respeito da pergunta dirigida a ele. Talvez temesse que uma simples resposta desencadeasse um falatório sem fim acerca das habilidades tecnológicas de Jesus. Aproveitando o silêncio que se instaurou no ambiente, o "grande questionador" fez de sua pergunta uma afirmação, desta vez se dirigindo a todos da fila: "Vocês sabem que para Jesus não existe esse negócio de tecnologia e...".

Exatamente no ponto em que a afirmação iria se desenvolver, uma mulher intercedeu por todos que estavam ali, dizendo em alto e bom tom:

"Moço! Faça-me o favor! Hoje é segunda-feira, estou há duas horas nessa fila que não anda, só tem um caixa pra fazer todo o atendimento, está um calor danado aqui dentro e não estou nem um pouco afim de ouvir pregação. Então o senhor, por favor, me poupe do sermão."

Novo silêncio se fez na fila, mas dava para ver a expressão aliviada no rosto da maioria das pessoas. Olhei novamente para o homem que iniciou aquele evento, esperando uma resposta dele para nossa salvadora, mas ele nada pronunciou.

De repente, como se qualquer palavra fosse muito pouco para dar conta de sua indignação, o referido homem saiu da fila, foi até o balcão do caixa onde havia um pequeno recipiente com álcool gel e colocou um pouco em suas mãos. Esfregando uma mão na outra em um gesto quase ofensivo ele se virou para todos da fila e olhando todos de forma desafiadora disse sem pronunciar uma só palavra: "Eu lavo minhas mãos!"

Olhando para aquele 'Pilatos pós-gripe suína', sorri disfarçadamente enquanto a fila voltava ao seu estado tedioso de antes.

Imagem capturada em http://bastianocuntrari.blogspot.com/2009/06/come-ponzio-pilato.html

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Epifanias cotidianas

Os começos são sempre os mais difíceis. No entanto, começo 2010 silenciosamente e vou adentrando pé ante pé diante das (im)possibilidades que um novo ano descortina. Talvez, serenamente, eu esteja desejoso das epifanias que se refazem cotidianamente. Daquelas bem simples... daquelas bem óbvias:

1. Acordar com a serenidade das noites embaladas por trilhas sonoras selecionadas;
2. Perceber que ganhar tempo é bom, mas que perdê-lo é melhor ainda.
3. Experimentar movimentos e sabores que conectem meu corpo com a idéia do cuidado.
4. Tirar as idéias do porto seguro e lançá-as em barquinhos de papel para navegarem em enxurradas de ações.
5. Desejar cores que não sei nomear e emoções desconhecidas quando um beija-flor me visitar.
6. Desenhar no parque, no quarto, na pele, no trabalho, na parede, no cantinho do caderno...
7. Namorar minhas vontades a ponto de transformá-las em realidades.

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Prestando atenção em cores"*

"Eu ando pelo mundo
prestando atenção em cores
que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores"

Adriana Calcanhoto

(*) Da música "Esquadros" de Adriana Calcanhoto
Imagem: Wolney Fernandes sobre desenho do cartaz de Volver

domingo, 20 de dezembro de 2009

Mapeando sonhos guardados

Sempre quis apanhar meus sonhos num gesto lento e exato. Segurá-los por entre os dedos na esperança de não perder nenhum deles. Nem aqueles de outrora, nem os que virei a ter um dia. Mas sonhos guardados não florescem, precisam de liberdades para transmutarem-se em realidades.

Há tantas possibilidades, ou então, muitos redemoinhos e atalhos para mapear meus sonhos guardados e, ainda assim, percorro sempre o mesmo caminho. Será hora de me perder?

Imagem de Natália Lotti da exposição coletiva “Transmitindo Traços” da Galeria da Escola de Belas Artes/UFMG.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Passageiro das Minas Gerais

Belos Horizontes das ladeiras de montanha russa;
Dos artesanatos de 40 reais;
Das rosas esquecidas em garrafas de plástico;
Das cores pulsantes dos Irmãos Lumiére;
Das camisas de tamanho único;
Das fotonovelas em feiras de antiguidades;
Das "risaiadas" em madrugadas sem fim;
Dos piqueniques no quarto, regados a vinho servido em copos e conversas descartáveis;

Imagens: Wolney Fernandes

Respigando músicas

Para embalar as noites de dezembro:

Música - Mercy
Artista - Duff
CD - Rockferry

Música - Relator
Artista - Peter Yorn e Scarlett Johansson
CD - Breakup

Música - 24-25
Artista - Kings of Convenience
CD - Declaration of dependence

Música - Shine
Artista - Laura Izibor
CD - Let the Truth Be Told

Música - Bookends
Artista - Simon & Garfunkel
CD - Trilha sonora do filme "(500) days of summer"

Decreto nº 12.955

Quando eu morrer, "se o mundo não se acabar", quero silêncios sinceros, daqueles que não permitem publicações em sites e nem conjecturas a respeito das previsões sobre minha própria morte. Cessem textos de despedidas em orkut e caçadas por boas imagens de mim.
Que as homenagens póstumas se antecipem para que o agora não se perca no depois...

Imagem: El maestro de escuela, 1954 (René Magritte)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Rodas de Conversa

Ilustrações e projeto gráfico para o livro "Rodas de Conversa".

Convicção

"Comer a hóstia será sentir o insosso do mundo e banhar-se no não."
Clarice Lispector

Imagem: Wolney Fernandes

domingo, 6 de dezembro de 2009

Embalos de Sábado à Noite

Na festa do EmbalaEu:

- Meninos com cravo na lapela
- Meninas com rosa no cabelo
- Azuis de crepom escorrendo do céu
- Vozes femininas cantando giros de roda
- Esfirras com gosto de tapioca
- Rabeca e pandeiro massageando pés cansados
- Redes embalando preguiças de um sábado com chuva

Foto: Laila Loddi