Meus olhos cansados de evitar.Foto: Wolney Fernandes
01. Your heart is as black as night - Melody Gardot
"Vento
Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior
Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar"
(*) Trechos da música de Vitor Ramil
Foto: Wolney Fernandes
Sintomas e desconhecimentos que habitam em mim sem que eu saiba bem:
- Almodóvar e Penélope
Há cenas que, de tão belas, dispensam palavras.
É bonito ver como o diretor de "Mademoiselle Chambon" (França, 2010) acredita nos silêncios, nas palavras não ditas e no frescor das sutilezas para contar uma história de amor [confira uma amostra pelo trailer do filme]. Um pedreiro e uma professora são os protagonistas que, aos poucos, travam um dilema entre o desejo e a culpa.
"Cu de galinha é abençoado. Tenho de falar porque senão não tem fim e não aguento mais. Ninguém aguenta. Portanto, digo: cu de galinha é abençoado. De gente também. FOI DEUS QUEM FEZ! Ai! Pronto! Falei! Não aconteceu nada? Isto mesmo que eu queria, cinturinha de boneca. Curitiba, cujo, cubatão, cunhado, caracu, pacu, que é um peixe, paixão, sinal de Jesus. Me benze, Dona Maria benzedeira, me põe em transe para eu falar todos os palavrões do mundo e acordar pedindo comida, não quero mais pedir perdão, quero pedir comida (...)
Por vezes, com abismos diante dos meus pés, minha vontade é pular. E sinto saudades de ter fé porque minhas crenças estão diluídas em poeiras e perfumes, sem horizontes desenhados por trindades e utopias.
Não sei me perder. Insisto numa ilusória eternidade por pura covardia de compreender melhor, a mim, o tempo, a vida, o outro. Ninguém é capaz de sobreviver sem sofrimentos, pois nossas escolhas são pequenas dores no cotidiano. Eu, displicente, carrego meu próprio campo de impasses.
Dona Abadia é uma 'menina' de quase 80 anos, poetisa popular, pé-de-valsa e amiga dos abraços de alecrim. Vez por outra, conta histórias de Lagolândia em versos que ela mesmo escreve entre risos que atravessam acordes de imaginação. Por ocasião da minha defesa de mestrado, ela escreveu pra mim, o poema que reproduzo abaixo e que só agora, 1 ano e meio depois, chegou em minhas mãos: