
Eu me empoleirava no tronco negro e robusto cheio de nós. Era de lá que a vista alcançava as águas esmeraldas do Rio do Peixe. De lá de cima os olhos perseguiam cada pedaço da paisagem. Era bonito ver o sol salpicado no chão de tijolos quadrados da sala de casa. Era dali que as trilhas nos morros pareciam barbante jogado ao acaso.
No espaço entre um galho e outro meus pés se misturavam ao monte de folhinhas caídas ali desde a última seca. O vento balançava as flores que explodiam em nuances laranja, tecendo um movimento que me enchia de coragem. O princípio do movimento valia para a intensidade do sol e para o aumento do batimento cardíaco que sentia na garganta e não no peito de menino.
A vontade de voar eu recebia do mundo, mas o mundo não sabia da minha intenção. O guarda- chuva quebrado era minha asa. Naquele momento que antecedia o vôo eu ganhava a imortalidade e perdia o medo que tinha do vento me levar direto para as raízes retorcidas do flamboyant. De olhos fechados me lançava... e por instantes voava... mesmo com um tempo limitado, que embora constante e inegável, era irresistível.
Imagem: Wolney Fernandes
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