quarta-feira, 6 de agosto de 2008

De All Star com gravata amarela

O All Star Converse foi, de longe, um dos melhores presentes que ganhei neste final de ano. Mas também foi um dos poucos que ganhei assim: de forma espontânea e que não era fruto de brincadeiras típicas deste período. E olha que sobrevivi a variações de inúmeros "Amigos secretos". Bendito sejam eles que, bem ou mal, enchem a gente de presentes. Daí fico pensando: Quem inventou essa história de aliar Natal com Amigo secreto? Já prestaram atenção no quanto a brincadeira virou mania nacional neste período?

E é uma tradição recente (Olha o paradoxo!) porque não me lembro dessa everfescência no passado. Será que é porque no interior não existe esse costume? Lembro-me bem que "Amigo secreto" lá em Lagolândia era um evento quase tão importante (!) como a passagem de um cometa. Lembram do Cometa Halley que só passa pelo nosso sistema solar de 76 em 76 anos?. Pois a brincadeira por lá reunia a escola inteira - alunos, professores e funcionários - e tinha sempre um par de anos entre uma edição e outra. Eu mesmo, em toda minha vida escolar, devo ter participado de uns dois apenas. Todas as turmas do colégio participavam e o correio de cartinhas secretas fazia tanto sucesso que no final propiciava até namoros. Sim, pois o legal era enviar cartas para Deus e todo mundo... e nenhuma pro seu amigo ou amiga, só para despistar.

A caixinha de sapato lacrada, com uma fenda na tampa era guardada na secretaria como um cofre valioso com dois horários fixos para ser aberta. Todo mundo se amontoava ao redor da diretora (só ela tinha autoridade máxima para abrir o "cofre") querendo descobrir se tinha sido contemplado com uma carta secreta.

Divertido mesmo era criar e conhecer os mais variados pseudônimos que apareciam: Morena do rio, Galante sedutor, Desprotegida desesperada... Ficávamos até 60 dias nesta troca de cartinhas e expectativas para o grande dia da revelação, onde seriam descobertas todas as artimanhas inventadas por cada um para despistar sobre quem era seu verdadeiro amigo oculto. O presente, na maioria das vezes nem era o mais importante, mas sim as revelações feitas pelos autores das cartinhas criativas.

Hoje em dia, é só piscar que, entre um panetone e um peru há sempre um amigo secreto. E não há mais mistério no ar porque às vezes só se conhece a pessoa sorteada na hora da brincadeira. Há muitas variações divertidas. Uma das que mais gosto é o "Amigo da Onça" onde não vale comprar nenhum presente bacana (pelo menos não pra você), mas sim um presente bem brega e esdrúxulo pra presentear alguém. Esse alguém pode trocar o que ganhou com qualquer outro presente de outra pessoa que já tenha sido contemplada na revelação. A brincadeira é gostosa porque é sempre permeada por muitas surpresas e risos fáceis. Quem me ensinou a receita foi o Edilson, amigo do peito e de Anápolis que todo final de ano reune amigos em sua casa para o evento.

No "Amigo da Onça" e nas suas várias versões adaptadas há sempre aquele/a "desavisado/a" que, para não bancar o "brega", leva um presente bem bacana que é cobiçado por todos. Mas já notei também que muita coisa que fulano acha horrível e sem graça às vezes é disputado por cicrano porque adorou a idéia do presente. Vai entender...

Eu sou sempre um sortudo nestes eventos. Entre garrafas de Catuaba e gravatas amarelas eu acabei trazendo pra casa um sabonete da Natura e um Cristal de Anjos que muda de cor. A garrafa de Catuaba já vou guardar para dar de presente no próximo "Amigo da Onça" que aparecer. Já a gravata amarela está pendurada ali no meu guarda-roupa. Qualquer dia, combino ela com o All Star que minha irmã me deu. Vai ficar chique demais!

Imagem: Wolney Fernandes

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