segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Intervalo

Cá pra nós, eu acredito ser o intervalo entre peixe e pássaro. Meus sonhos de voar, por vezes, tem a profundidade e a pressão típicas dos oceanos. Se me falta o ar, bato as asas sem pensar. Se começo falando de céu, termino falando de mar.


Desenho: Wolney Fernandes

domingo, 30 de janeiro de 2011

Travessias

Atravessei a rua como se estivesse atravessando uma vida inteira. Mentira! Eu só queria começar o texto como quem atravessa realidades feito ruas soltas por aí. Saber dos moldes de costura, suas linhas e seus traçados com aquela precisão das costureiras. Cruzar realidades, marcar direções retilíneas e avançar.

No entanto, pelo desejo de ser linha, me descubro papel. Pontilhado, encardido e sulcado por rabiscos de um desenho que insiste nos contrários e na distância daquilo que eu almejo.

Não atravesso porque, na verdade, sou sempre atravessado!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Olhares que dançam

Sim, eu já postei esta cena aqui no blog e já citei "Antes do Amanhecer" muitas vezes, mas o que me encanta nunca é demais.

Pelos olhares que dançam, pelos sorrisos que se cumprem em covinhas na bochecha.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Celebrações de final de mês

Para celebrar o final de janeiro:

- Paisagens desconhecidas.
- Moleskine para preencher com desenhos variados.
- Marcadores de texto, de páginas, de idéias, de dúvidas, de alegrias...
- Manoel de Barros completo para ajudar a fazer todo o nada que eu desejo.
- Óculos 3D para dar conta das emoções 2D.
- Disco do Moska para aprender que "o Muito começa devagar e termina antes de começar".

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Volta

O olhar de quem retorna não descansa diante de paisagens conhecidas. As ruas e os quintais, antes campos largos de travessuras, agora parecem encolhidos pela adultice que me toma as vistas. De onde meu olhar alcança, escrevo noites sem o brilho das estrelas.

Dentro de uma gaveta empoeirada, o caderno da época da escola parece amarelar minha infância. A conversa de horas se cumpre em cumprimentos cheios de formalidades. Onde estão as amizades de dia inteiro?

Passeio pelo rio de águas poucas sem desejar atravessar seu leito. Falta a tinta azul daqueles dias de banho sem fim. Os mergulhos eu faço em lembranças profundas, mas o presente sempre me traz de volta à superfície das coisas, trazendo nas imagens de antes, as dores de hoje.

Voltar dói porque há desconhecimentos mútuos. E então, pela primeira vez, sinto saudade do futuro.

Imagem: cena do filme "A Hora de Voltar" (Garden State, EUA, 2004)

Blue Valentine

Chega logo!

Imagem capturada aqui.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Trilha para a festa que eu quero ter





















Lado A
01. Dog days are over - Florence + The Machine
02. I don't feel like dancin' - Scissor Sister
03. Heart of Glass - Blondie
04. Little toy gun - Honeyhoney
05. Castor - Daft Punk
06. Helele - Velile ft. Safri Duo
07. Gloria - Laura Branigan
08. Believe Again - Ronan Keating ft. Paulini
09. Stupid - Tone Damli Aaberge
10. Proud Mary - Tina Turner e Ike

Lado B
01. Malemolência - Céu
02. August Day Song - Bebel Gilberto
03. Efêmera - Tulipa Ruiz
04. O meu sangue ferve por você - Magal
05. Geraldinos e Arquibaldos - Chicas
06. Minas com Bahia - Daniela Mercury e Skank
07. Jeito Sexy - Fat Family
08. Cocada - Roberta Sá e Trio Madeira Brasil
09. Olhos coloridos - Paula Lima e Sandra de Sá
10. Tico Tico no Fubá - Ney Matogrosso

Bônus:
Fuck You - Cee Lo Green
Crazy Little Thing Called Love - Queen

Imagem capturada aqui.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Inquietude frouxa

Essa inquietude que me assola em tardes de sábado começa a ultrapassar os limites permitidos pela minha inércia. Junto a ela vem a famigerada e conhecida dor de cabeça - aquela, que faz morada em cima da sobrancelha esquerda e tira minha vontade de ver mais um filme no vídeo.

Me inquieta a tarde porque a noite se aproxima e junto com ela aquelas vontades [estranhas?] de não ficar em casa, de experimentar a entorpecência que me toma o corpo depois de uma bebedeira, de encontrar desconhecidos para conversas sem fim, de ouvir músicas esquecidas...

Porém, de que adianta tal inquietude se ela sempre me coloca diante do computador? Inquietude frouxa, isso sim! Só serve para fazer a cabeça latejar enquanto o meu desejo é que ela me empurre porta afora, sem rumo e sem hora para voltar.

Foto: Wolney Fernandes

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Desenhos pelo correio

Uma delícia só! Carta que chega pelo correio, post-its com palavras de Clarice Lispector espalhados pela mensagem, desenho no verso e questões que rabiscam diálogos sem fim.

Foto: Wolney Fernandes

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre o nada dos janeiros

Dias escorrem e quando nos damos conta já é véspera de São Sebastião. Janeiro, perto do fim, tece descompromissos de tarde inteira. Demoro pra dormir por conta de minhas vontades que dançam pela madrugada afora e acordo com cegueira branca de Saramago ao pensar no intervalo que separa meu janeiro de 2011 ao janeiro de 2012. É nestas horas que eu odeio essa minha mania de suplantar o presente pelo futuro em ruminações descartáveis.

Ando com vontade de nada. Sabe aquela vidinha boa que te movimenta da casa para o trabalho e do trabalho para casa? Pois é, todo dia topo com ela ao amanhecer. Apaixonadamente ela me beija sempre que o relógio fica no fundo da gaveta e o despertador, mudo, não se cansa do silêncio. Do disco "Muito Pouco" do Moska ao texto poético do Manoel de Barros, todo janeiro sussurra nada em meus ouvidos, pois "se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades."

Imagem capturada aqui.
Citação de Manoel de Barros

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aqui

Quando arrumações no quarto fisgam o olhar com suas variações compositivas.

Foto: Wolney Fernandes

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dos bordados que passeiam pelo corpo

A camisa é minha.
A idéia de bordar escritas sobre a roupa é da Rosi.
O bordado é da Keila.
Os versos são meus e da Clarice.



Fotos: Wolney Fernandes

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Autoajuda disfarçada de autobiografia


A atriz Agnes Zuliani, travestida de Carlota Joaquina, em um texto bem ágil do show de humor "Terça Insana", decreta: "Livro de autoajuda foi ajuda para quem escreveu". Essa máxima se aplica com perfeição ao livro "Eu" de Ricky Martin que terminei de ler esta semana.

Antes que os intelectuais de plantão atirem a primeira pedra, convém explicar que todas as restrições [preconceitos?] que eu mesmo levantei diante da publicação na ocasião de seu lançamento caíram por terra quando li no blog do jornalista Zeca Camargo uma indicação do livro. A provocação que ele fez no texto do blog atiçou minha curiosidade e resolvi encarar a leitura.

É claro que não foi só pela indicação. Confesso que os relatos autobiográficos sempre me instigaram. A escrita na primeira pessoa produz grande fascínio em mim que, em momento oportuno, valeria uma postagem a respeito do assunto.

Havia também toda discussão levantada entorno da publicação que chegou ao mercado editorial alguns meses depois do anúncio [surpreendente?] da homossexualidade do autor. Saber das questões, inquietações, acontecimentos e procedimentos que levaram um astro pop a assumir publicamente sua condição é, no mínimo, instigante e provocadora diante de uma realidade heternormativa - o que, necessariamente, não deveria ser motivo para anúncios oficiais ou pauta para manchetes de jornais e revistas, mas isso também é assunto para outra postagem.

Cheguei ao final com aquela sensação de que o livro com mais de 200 páginas poderia ser resumido em uma lauda sem prejudicar sua consistência. Em nenhum ponto a narrativa consegue se aprofundar nas questões relacionadas por ele, como a própria sexualidade ou o sucesso que ele precisou encarar muito cedo quando passou a integrar o grupo Menudo.

A forma como ele repete os mantras manjados dos livros de autoajuda incomoda demais: "Sofrimento (?!) me trouxe maturidade", "Acreditei e venci", "Foi a hora certa", "Estou em meu melhor momento", "Vamos lutar pela paz mundial"  e por aí vai... Ao final da narrativa, ele se apresenta como um personagem raso e bidimensional, cuja vida, boa e perfeita demais, não parece real. E, se a ocultação das ranhuras que marcam as incoerências tão comuns do cotidiano parece uma escolha para ajudar quem escreveu, não se mostrou nem um pouco interessante para quem leu.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sem Lembranças























"Feliz é a inocente vestal
Esquecendo-se do mundo e sendo por ele esquecida
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança".

[Alexander Pope]

Imagem capturada aqui.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Emoção 3D

Você descobre que sua vida está um tanto monótona quando a maior emoção da semana é conseguir sair do cinema sem devolver os óculos 3D.

Emoção 2D

Você descobre que a maior emoção da semana foi vivida em vão quando coloca os óculos 3D e eles não funcionam com imagens impressas.

Imagem capturada aqui.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Odeio ter que pensar em títulos criativos

Não gosto de academia e me incomoda a obsessão por diversão em carnaval e virada de ano. Me irrita quando a notícia que estive de férias e não viajei parece aviso de que estou com alguma doença terminal.

Detesto encontrar conhecidos/as e ter que tirar assunto do nada só para fazer o papel de "cara educado". Invejo meu vizinho que pedala todos os dias e chega em casa parecendo que estava em um spar. E-mails coletivos (os piores são aqueles que vêm com gifs e powerpoints de auto-ajuda) me fazem olhar com preconceito para quem enche minha caixa de mensagens com eles.

Me irrita quando pessoas pedem explicação por não ligar, enviar e-mail ou sumir do mapa. Odeio ter que atender o celular sempre que ele toca. E odeio mais ainda quando atendo e a pessoa reclama que é difícil falar comigo. Aliás, eu odeio ter que falar alguma coisa quando não estou com vontade de dizer nada.

Odeio emprestar meus DVDs e livros e as pessoas devolverem os mesmos em mal estado. Tenho a maior preguiça de ficar cuidando de carro pra saber se está tudo bem. Me incomoda quando, no sábado, chego em casa na hora em que deveria estar saindo.

Pronto. Falei!

Imagem capturada aqui.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Acidentes

"Acidentes regem todos os cantos do universo. Com exceção, talvez, das entranhas do coração humano."

Do filme "Neve sobre o Cedro" (Snow falling on Cedars, EUA, 2009). Imagem capturada aqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Meus "hegemônicos" prediletos

Tudo bem, eu confesso: não é de hoje que já estou cansado da linear e hierárquica História da Arte com "a" maiúsculo. Chega a ser irritante ver aqueles livros dos "Grandes Mestres da Arte", da "História da Arte Universal", dos "1001 Maiores Artistas" e tantos outros "Melhores do Mundo" por aí!

As compilações apresentam sempre a mesma formatação: artistas homens e, em sua grande maioria, europeuszzzzz... Mas dentro do balaio das artes visuais tenho meus hegemônicos prediletos. Aqueles que meus olhos não cansam de tatear e [re]conhecer. Em pedaços de imagens nuas e singulares, dão-se a saber:








quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que me escapa pelas bordas

Há um clipe da Banda Paramore que me faz querer aquele movimento feito pela vocalista do grupo estadunidense na música "The Only Exception". Em um determinado ponto, quase no final da narrativa, um retorno ao começo é capaz de mudar as consequências de um ato praticado lá no início.

Assustado, é frequente minha vontade de poder voltar aos começos e reescrevê-los. Não tenho pouso para o medo de que as consequências de meus atos marquem, de forma negativa, àqueles/as que de mim se aproximam. Feito desenho que se constrói entre tantas tentativas de se riscar no lugar certo eu queria poder fazer de outro jeito, dizer com outras palavras, olhar de outro lugar.

Infelizmente, linha traçada, mesmo depois de apagada, deixa sulcos [in]visíveis. Se voltar não é possível, resta seguir adiante tentando controlar aquilo que me escapa pelas bordas.

"Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face."

Imagem capturada aqui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Minhas Férias

Hoje é meu último dia de férias :-(
Foram férias sem viagem, mas nem por isso, menos divertidas. Tudo isso porque
- esqueci meu relógio no fundo da gaveta;
- assisti a todos os novos filmes que se acumulavam na estante;
- fiz passeios pela cidade como se fosse turista;
- passei horas em livrarias em muito boa companhia;
- visitei campo de milho repleto de girassóis;
- comi pamonha entre risos e passeios [imaginários] de trem;
- escrevi e recebi cartas daquelas que se envia e se recebe pelo correio;
- desenhei sem compromisso ou datas para cumprir;
- fui ao cinema na primeira sessão de uma segunda-feira;
- dormi às 3h da manhã e acordei às 10h;
- Fiquei lendo gibi na cama com chuva lá fora;
- Criei um blog novo só de imagens.

Foto: Wolney Fernandes

sábado, 1 de janeiro de 2011

Nunca

Um blog novo para registrar um cotidiano repleto de imagens. Todo dia é o conteúdo do "Nunca". Os 365 dias de 2011 em imagens que perfumam meus olhos e em desenhos ditos pelas minhas mãos. Passa !

Marca Rio 2016



Depois do fiasco da Copa de 2014, finalmente uma marca para encher de orgulho aqueles/as que, como eu, vivem fazendo marcas por aí.

Lista de Instantes - Parte 3

A banca de revistas ficava na esquina do outro lado da Panificadora Patrícia em Pirenópolis. Não devia ter mais do que dois metros quadrados, mas era um universo infinito a ser explorado. Era ali que eu me encantava com os gibis e as tantas revistas cobiçadas por meu olhar de menino. Sair de lá com uma revista em quadrinhos era alegria para muitos dias. Se hoje meu gosto pela leitura se estende em horas no banheiro, pequenos intervalos antes de dormir e pilhas de livros a devorar é porque os gibis me ensinaram a gostar de ler. Há sempre um livro novo por onde passeiam muitas horas do meu cotidiano. Diferente das outras duas listas de instantes musicais e cinematográficos, esta terceira e última reune o que eu gostei de ler em apenas uma categoria que necessariamente não apresenta somente títulos lançados em 2010. O que reuniu os livros que apresento abaixo em uma única lista é aquela vontade de permanecer dentro da narrativa mesmo depois que ela termina.

Livros sem fim:
1. Não me abandone jamais
Autor: Kazuo Ishiguro
Mais sobre o livro aqui.

2. De veludo cotelê e jeans
Autor: David Sedaris
Mais sobre o livro aqui.

3. O Livro Amarelo do Terminal
Autora: Vanessa Barbara
Mais sobre o livro aqui.

4. A Chave de Casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Mais sobre o livro aqui.

5. Tudo se Ilumina
Autor: Jonathan Safran Foer
Mais sobre o livro aqui.

6. Tudo é só isso
Autora: Milly Lacombe
Mais sobre o livro aqui.

7. Os componentes da Banda
Autora: Adélia Prado
Mais sobre o livro aqui.

8. Carvoeirinhos
Autor: Roger Mello
Mais sobre o livro aqui.

9. O Filho Eterno
Autor: Cristovão Tezza
Mais sobre o livro aqui.

10. Frida Kahlo - suas fotos
Mais sobre o livro aqui.

Imagem capturada aqui.