segunda-feira, 22 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Afogamento


Na volta pra casa eu caminhava, inquieto, tentando mergulhar nas imagens ao meu redor. Entre uma preocupação e um clique, vi pai e filho saindo do hospital do câncer. O pai caminhava com os olhos dolorosamente baixos. O filho tinha tristeza transbordando no olhar.

Foi ali, naquela tristeza, que me afoguei.

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 9 de julho de 2013

Notações sobre o silêncio


Em meio ao caos que habita o meu peito nas últimas semanas, tenho notado rastros de silêncio por aí:

"O silêncio fala"
[no facebook da Julia Mariano]

"Que silêncio alto!"
[na voz de quem gostou da peça "Uma Noite de Lua" de João Falcão]

"Há um silêncio no qual nenhum som se faz ouvir.
Há um silêncio no qual som algum pode existir"
[do filme "O Piano"]

"Criar o vazio em torno de si para encontrá-lo em si. Não ouvir mais ninguém, não dizer mais nada. Escutar o seu silêncio."
[no facebook do Sérgio Veleiro]

"Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura"
[do poema "Escuta" de Manoel Bandeira]

"Ouvido insone
motor de carros passando na rua;
buzina de carros;
buzina (buzina?) de trem passando longe;
latido de cachorro.
pingos;
tique-taque de relógio;
minha respiração;
pulsação do meu coração;
meus pensamentos."

Rua Fernando Esquerdo, 08/07/2013, 22h43
[no facebook da Késia Decoté]

"De repente a música parou e, na quietude da tarde eu pude ouvir o relógio de pulso no canto da mesa. Tive medo daquele silêncio em forma de tique-taque."
[eu, em uma nota no celular na tarde da última quinta-feira]

Foto roubada no Instagram do Raí Costa Filho. Porque nela o silêncio transborda em delicadezas difíceis de nomear.

domingo, 7 de julho de 2013