terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mais carinho, por favor!


No encarte de um antigo LP do Freddie Mercury:

"De pensamento para pensamento, com carinho e amor.
Quando penso em você fecho os olhos de saudade.
Tenho quase tudo, inclusive a felicidade.
Dedique-me mais carinho, por favor!
De olhos vendados com a presença marcante de seu fechado sorriso, me ponho a ser seu.
Mil e 1 mais 1 beijo!"
Marisley

Foto: Wolney Fernandes

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Docemente pornográfico


"Preciso sair da outra metade para ceder lugar ao iminente ato de foder".
[Ana Cristina Cesar]

Tenho reencontrado com meu desejo. Aquele que pulsa do meio do corpo para as extremidades. Desejo, não! Tesão mesmo. Pra que usar de eufemismos para disfarçar verborragias ditas pelo corpo? Quero escutá-lo, ou melhor, me escutar, já que o meu corpo sou eu. Passei muito tempo sabendo o que podia fazer, mas não podendo fazer o que sabia. Gozando com certa angústia. Imaginando meu pau como uma grande cicatriz. Pronto. Falei!

"Me benze dona Maria benzedeira, me põe em transe pra eu falar todos os palavrões do mundo e acordar pedindo comida, não quero mais pedir perdão, quero pedir comida."
[Adélia Prado]

Me tirem do altar dos pudicos ou então me coloquem junto com as Virgens de seio de fora ou com São Sebastião de torso retorcido por flechas que inflamam ereções involuntárias. Tenho insistido nesse reencontro para que não haja espaço entre um prazer e outro. O tesão, quando adulto, sabe que a felicidade não é um lugar, mas um movimento que se faz para alcançar o gozo.

E me valendo das ousadias que a poesia (sempre ela!) tem colocado em mim, quero registrar que meu tesão é mais do que eu digo e menos do que eu realmente acho. Para me livrar desse impasse, sabiamente tenho usado mais a boca que, entre tantos usos possíveis, está aqui só para sussurrar:

"Sejamos pornográficos, docemente pornográficos".
[Drummond]

Imagem garimpada na internet. Quem souber a autoria, levanta a mão.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Entre nobres e criados


Em uma das melhores cenas de Downton Abbey - série inglesa que tem tomado minha atenção e deslumbramento - diante da fala do advogado Matthew ao explicar que pode exercer a profissão de segunda a sexta e cuidar de Downton nos finais de semana, Lady Violet - matriarca da família que nunca trabalhou na vida - pergunta assustada: "O que é um fim de semana?"

Essa pequena pérola resume o brilhantismo do texto que conduz a trama do seriado que se passa em 1912, período onde transformação era a palavra de ordem. Desde o naufrágio do Titanic até as mudanças provocadas na sociedade inglesa pela Primeira Guerra Mundial, vemos desfiar as reviravoltas  que conduzem o dia a dia da família Crawley, dona da propriedade que dá nome a série.

Mas falar de Downton Abbey é dizer também daquilo que acontece escada abaixo, nos corredores, dormitórios e cozinha onde a "criadagem" também faz fervilhar a vida em suas mais diversas nuances. É impagável e, na maioria das vezes, tocante, perceber como a vida dos criados era intimamente ligada a dos patrões em absurdos difíceis de se fazer entender na atualidade. No entanto, desobediência, insubordinação, romance, traição e pequenas tragédias costuram, com habilidade ímpar, os acontecimentos vivenciados nos ricos aposentos aos vividos nos porões da propriedade.


O conde de Grantham é pai de três filhas e se vê obrigado a casar a mais velha com um homem de dentro da família para não perder o título e a propriedade. Como o pretendente oficial morre no naufrágio do Titanic, a solução é encontrar um primo distante, Matthew, para dar conta da tarefa de "domar" Lady Mary, a filha mais velha.

A partir daí, as mais diversas reviravoltas criam uma história de convivência que, da perspectiva de ambas as classes sociais, conferem a quaisquer espectadores da série inúmeras identificações: riqueza e pobreza, honestidade e deslealdade, tradição e vanguarda... isso sem mencionar o drama e as paixões silenciosas experimentadas por vários personagens.

Contando ainda com uma qualidade técnica que recria com muito esmero aquele período, Downton Abbey merece ser vista e revista porque, além do humor irônico típico dos britânicos, ainda apresenta os diversos modos de lidar com tecnologias advindas da revolução industrial e que mudariam o mundo para sempre.

Qualquer semelhança com a época em que vivemos não terá sido mera coincidência.

Imagens capturadas aqui.

Vontades Poucas


Refiz o caminho dos anos descritos aqui e ao encarar o meu eu de antes encontrei beleza em quase tudo. Estou de bem com o passado.

Quanto ao eu de agora, já não sei. Apenas a certeza de me bastar com aquilo que tenho. E só. Amanheci o ano com vontades poucas. Desenhar mais, descobrir músicas que me embalem em caminhadas sem rumo pelo Centro, viajar para lugares desconhecidos e ler os poemas (tantos) que estão empoeirando na estante.

Coisas que, se não acontecerem, tudo bem e vai-se-indo.

Se o passado parece um rio profundo que tortuosamente segue seu curso entre remansos e corredeiras, o presente é como um córrego raso onde eu posso atravessar com a água nas canelas.

Foto: Wolney Fernandes

sábado, 5 de janeiro de 2013

Gramática


Porque eu ando cheio de adjetivos. O que me falta são substantivos.

Foto de Rosi Martins

Somos Infinitos


Sabe quando o filme termina e dá vontade de ver de novo, na sequência, porque uma vez só é pouco para se dar conta das tantas coisas que a história parece [re]velar? Pois é! Comigo foi bem assim ao terminar de assistir "As Vantagens de Ser Invisível", filme sobre as aventuras e desventuras de um jovem tímido e depressivo ingressando no ensino médio e na vida.

Foram incontáveis as vezes que eu vi essa história antes. No entanto, o filme demonstra que o diferencial não está exatamente na história, mas em como se conta uma história. Adaptado para o cinema do livro de Stephen Chbosky, a produção conta com uma direção delicada onde personagens bem delineados mostram, aos poucos, a imersão em momentos cruciais cheios de temeridade e incertezas da passagem para a vida adulta. 

"Nós aceitamos o amor que achamos merecer."

Fugindo dos estereótipos do gênero, "As Vantagens de Ser Invísivel" consegue ainda gerar um sentimento familiar, provocando identificações por toda a narrativa. Se não pelo jeito introvertido do protagonista, nos reconheceremos no entorno: nos amigos, no prazer de curtir a companhia de alguém, de estar apaixonado, de experimentar o proibido, de se deixar levar pela música que mexe com nossas emoções e até nos medos que nos rondam amiúde.

Simples e, ao mesmo tempo, cru e devastador, o filme consegue combinar leveza com momentos marcantes em cenas e diálogos que se recusam a nos deixar, mesmo depois que os créditos sobem na tela. 

"Estou me sentindo infinito!"

Um dia depois e ainda pulsa dentro de mim a vontade de sentir a liberdade batendo na cara ao som de "Heroes" do David Bowie ou mesmo entrar na dança que a vida faz atendendo o convite de "Come on Eillen" dos Dexy's Midnight Runners.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Instantes Compartilhados


A ideia é escolher um tema e passar o dia recolhendo compartilhamentos relacionados pela timeline do facebook. Ao final, haverá sempre uma lista, no mínimo inusitada, para rechear as possibilidades de encontros e múltiplas associações que só a internet é capaz de viabilizar.

Pra começar, juntei músicas para fazer uma playlist!

01. O que é o que é - Gonzaguinha [compartilhada por Lídia Leal]
02. She's in Fashion - Suede [compartilhada por Alessandro Magalhães]
03. Until the Sun Comes - Rival Sons [compartilhada por Marília Assis]
04. Bullet With Butterfly Wings - The Smashing Pumpkins [compartilhada por Lydia Himmen]
05. Dumb Ways to Die - Tangerine Kitty [compartilhada por André Barz]
06. You Learn - Alanis Morissette [compartilhada por Adson Amorim]
07. Gigantic - The Pixies [compartilhada por Mário Cavalcante]
08. Le Chat du Cafe des Artistes - Charlotte Gainsbourg & Beck [compartilhada por Lupe Vasconcelos]
09. Edge of Seventeen - Stevie Nicks [compartilhada por Yuri Lopes]
10. Consumado - Arnaldo Antunes [compartilhada por Jaciara Pires]

Imagem capturada aqui.

A Volta pra Casa


O segundo suspiro do ano aqui no blog começa com um reconhecimento. Acordei pensando nesse espaço aqui, em todas as situações inusitadas e experiências únicas que tiveram o blog como interlocutor. Preciso retomar todas as coisas sagradas que a minha escrita representa, a metáfora de mim.

E não só! Seja pela escrita ou pelas imagens ditas pelas minhas mãos, todo o meu fazer poético grita delicadamente a língua da vida - sem traduções desmedidas nem interpretações vagantes. É preciso saber ouvir tudo isso. É preciso saber voltar.

Imagem: Wolney Fernandes

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013


a. Desasfixiar pensamentos
b. Fabular
c. Inventar outros possíveis
d. Resistir
e. Voar

Foto: Wolney Fernandes