domingo, 29 de dezembro de 2013

Filmes de 2013


52 sessões no cinema e 47 sessões em casa fizeram de 2013 uma temporada fraca. Compare: em 2011 eu assisti 95 filmes só na tela grande. No entanto, os deslumbramentos continuam tão intensos como nunca. Abaixo minhas escolhas em uma lista de filmes que me atravessaram nesse ano. 

Ah, é bom lembrar que, mesmo estando numerados, não há uma ordem de preferência e que nem todos os títulos foram lançados em 2013, mas se estão aqui é porque tive contato com eles neste ano.

Os melhores filmes do ano:
1. Antes da Meia-Noite
2. Frances Ha
3. O Abismo Prateado
4. Gravidade
5. Blue Jasmine

Os melhores filmes que ninguém viu:
1. Uma Garrafa no Mar de Gaza
2. Deixe a Luz Acesa
3. Elena
4. A Delicadeza do Amor
5. Entre o amor e a paixão

Os melhores filmes que assisti em casa:
1. A Fonte das Mulheres
2. Taxi Driver
3. Carrie, a estranha
4. Carne Trêmula
5. O Iluminado

Constrangimentos do ano:
1. As piadas estendidas além da conta de "Minha Mãe é uma Peça"
2. O trailer incrível do filme mais ruim do ano: "Mamma"
3. As inúmeras maquiagens pesadas de "A Viagem"
4. A morte de "Lincoln" no final do filme do Spielberg.
5. A maquiagem risível que tentou transformar Anthony Hopkins em "Hitchcock"

Cenas inesquecíveis:
1. O por do sol visto pelo casal Jesse e Celine em "Antes da Meia-Noite"
2. Frances correndo pelas ruas de Nova York ao som de Modern Love no filme "Frances Ha"
3. A valsa de "Anna Karenina"
4. As várias mulheres flutuando na água no filme "Elena"
5. O número musical feito pelos comissários pelos corredores do avião em "Amantes Passageiros"

Os cartazes mais incríveis:
1. A vida secreta de Walter Mitty
2. Frances Ha
3. Deixe a luz acesa
4. Elena
5. Era uma vez, eu, Verônica

Personagens inesquecíveis:
1. O mordomo vivido por Samuel Lee Jackson em "Django Livre"
2. Alma, a esposa de Hitchcock, vivida magistralmente por Helen Mirren
3. A protagonista (em queda livre) vivida por Cate Blanchet no filme "Blue Jasmine"
4. A velhinha do filme "Histórias existem quando lembradas" interpretada por Sonia Guedes
5. Fuzil, a matriarca rebelde de "A fonte das Mulheres"

Os filmes que me fizeram escrever:
01. Antes da Meia-Noite
02. Invocação do Mal
03. Blue Jasmine
04. As Vantagens de ser invisível
05. A vida secreta de Walter Mitty
06. Carrie
07. The Bling Ring
08. O Homem de Aço
09. Os Amantes Passageiros 

Imagem capturada aqui.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Imprevisto de Natal


Era sonho de menino: ter um Ferrorama da Estrela para brincar.
Era realidade de menino: meus pais não tinham condições financeiras de me dar um de presente.

Ontem, quase 30 anos depois, um Ferrorama original, reuniu a família inteira em torno do brinquedo que chegou aqui em casa acionando muito mais do que uma locomotiva apenas. A cada volta nos trilhos de plástico, memórias eram acionadas e histórias recontadas. Em meio às lembranças, risos, chuva, choros, sopa quente e outros tantos desatinos.

Era noite de Natal!

A gente só não sabia que a celebração aconteceria um dia antes do previsto.

Foto: Wolney Fernandes

Melhores do Instagram

O Instagram é, sem sombra de dúvida, minha rede social favorita. E nesse último ano, os recursos aumentaram com as possibilidades de postar vídeos e fazer postagens endereçadas. Pra ficar melhor, só falta mesmo um controlador de intensidade para os filtros (ajuda aí, equipe do Instagram!).

Para continuar a brincadeira das listas de fim de ano, abaixo apresento uma inteirinha com as melhores fotos do ano. Vai lá: @wolneyfernandes


Top 5







Os amores de esquina





Os/as anônimos/as que me pegam pelos olhos





As melhores composições





Os autorretratos







As paisagens mais lindas





Os melhores vídeos

1. Tempo marcado
2. Sob o vento das últimas flores
3. Em dias de chuva


As fotos que o pessoal mais curtiu

355 curtidas

360 curtidas

363 curtidas

domingo, 22 de dezembro de 2013

Vidas Secretas


Eu tenho lapsos oníricos. Seja na reunião chata do trabalho ou enquanto caminho pelo centro da cidade, vez por outra, encontro um lugar que foge aos sentidos. É certo que a capacidade de inventar realidades para dar conta dos meus sonhos já foi maior. Hoje são lapsos apenas, mas antes, sonhar era um estado, quase uma permanência. O primeiro fato que me fez sair desse lugar/estado e me me enfiou, goela abaixo, uma realidade de onde não era possível sempre fugir foi a morte do meu pai.

Quando a morte soprou sua sentença ao pé do meu ouvido, há 22 anos atrás, ela não só pronunciou vazios e saudades, como também ditou ordens severas: "Saia daí!" Não há tempo para devaneios futuros porque o presente não espera a brincadeira terminar.

Vários sonhos eu tive que guardar. Alguns se perderam pelo caminho e outros eu escondo em traços de desenhos, em objetos que coleciono, em manchas de umidade na parede ou em percursos feitos pelos meus olhos em cada esquina. São vestígios de sonhos, guardados para ventilar a realidade que caminha em compasso diferente dos meus desejos. 


"A vida secreta de Walter Mitty" [The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013] é recheado com esses sopros oníricos. A cada fuga cinematográfica do protagonista - todas muito bem alinhavadas - eu embarcava, com ele, numa viagem sem passagem de volta. A beleza de cada uma das cenas, brilhantemente fotografadas e ordenadas para agradar os olhos e a alma asséptica de qualquer designer gráfico ajudaram bastante nisso! No mundo idealizado, no meu e no de Mitty, tudo está no lugar e obedece uma grid imaginária que enquadra nosso cotidiano ao som da melhor trilha sonora (Space Oddity do David Bowie, só pra começar!) e o conduz por aventuras mirabolantes sob o azul de um céu que está sempre aberto.

Uma realidade imaginada assim é, de longe, um deleite visual. E se digo "de longe" é porque, de perto, bem ali na tela do cinema e aqui na minha cabeça, algumas delas parecem slides de powerpoint motivacionais. 

Embora fale, exalte e até exagere um pouco nas virtudes de "acreditar em si mesmo", Walter Mitty é mais do que um filme de autoajuda. É também sobre os conflitos do digital sobre o analógico e das estratégias que precisamos rever para que essas duas esferas não se contraponham, mas se complementem em maior ou menor escala, dependendo do modo como nos relacionamos com elas.

A história, bem simples, gira em torno de um homem frustrado que usa a imaginação como maneira de escapar de seu cotidiano opressivo. Chefe do departamento de negativos da revista Life, Walter precisa encarar a realidade quando a foto que irá estampar a capa da última edição impressa da publicação desaparece.


Walter Mitty, como eu, surge como um sonhador naturalmente incorrigível e, ao menor sinal de problema, planta os dois pés nas nuvens. Medos e inseguranças permeiam seu cotidiano fazendo com que ele o recrie mentalmente, imaginando as situações de um ponto de vista ideal.

Quantas vezes eu também já fiz isso? Inúmeras. Na mais recorrente delas, eu saio de casa para estudar, ainda na adolescência, e ganho o mundo sem precisar olhar para trás.

Foi preciso a morte me tocar de maneira tão próxima para que eu compreendesse que "olhar para trás" também é movimento da vida, essa danada que além de não caber nos sonhos, ainda não se desenha em linha reta. Nesse constante ir e vir, eu sigo. E se não dá para saber a trilha da felicidade ou amarrar todas as pontas soltas como no filme, o jeito é aprender a "mastigar as dores e colocar a vida no presente"*.

(*) Citação de Walderes Brito

Filas, paçocas e bem-querer


A casa lotérica derramava gente pela calçada, mas de onde eu estava dava pra ver o começo da fila. Três atendentes, dois rapazes e uma moça tentavam, sem muito sucesso, dar cabo das curvas que se encaracolavam naquele espaço minúsculo. Era da moça, a responsabilidade da fila preferencial. 

Antes de chegar a vez da senhora com saia de passarinhos, vi um homem baixinho se adiantar até a atendente e, com dois toques feitos com o dedo indicador, conseguir a atenção da moça por trás do vidro. Ela sorriu e lhe entregou dinheiro. Junto do gesto, uma expressão apenas: "o de sempre!"

Ele se virou seguindo a orientação e saiu da casa lotérica. Dois atendimentos depois e eu já tinha me esquecido da cena até que, uns vinte minutos depois, vejo o homem voltar com uma marmitex. A moça que já tinha encerrado o atendimento do seu guichê, abriu a porta para receber a encomenda e após um breve agradecimento, foi surpreendida com uma paçoquinha que o homem tirou do bolso e entregou junto com um sorriso.

Passei o resto daquele dia me perguntando quanto de bem-querer coube naquele gesto e quantos gestos de amor podem existir no tempo que dura uma fila? 

Imagem capturada aqui.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A ausência que seremos


Na caixa de mensagens, um pedido: "Se estiver inteiro, vou aceitar que me leve para um parque". Embora eu não soubesse, aquele seria o último desejo do Walderes, registrado em linhas breves, mas cujo sentido eu faço ressoar de um jeito novo depois que ele partiu.

Tínhamos combinado uma tarde juntos, no parque, onde ele iria inaugurar uma cadeira de armar e eu ouviria trechos de um livro que ele tinha gostado bastante. Pediu para ler em voz alta pra mim. Vontade de anunciar as belezas que, em meio as dores que o câncer lhe impunha, também lhe atravessavam o peito nos últimos dias.

Os dias... tão banais até que se saibam últimos, tão cheios de depois até que se mostrem derradeiros. Por distração ou cansaço - nunca se sabe! - entupimos os universos contidos em cada instante na esperança de haver uma próxima oportunidade. O domingo acabou e Walderes não conseguiu ir ao parque comigo. Não estava inteiro. Era preciso juntar os pedacinhos que ele bravamente respigava a cada procedimento médico.

Na última vez que nos vimos, subi as escadas do primeiro andar do seu apartamento, decidido a convocá-lo a ler para mim. Desejava ouvir os trechos descolados das páginas do livro ao som da sua voz serena. Já que não era possível no parque, seria ali mesmo, no quarto onde ele repousava sob os cuidados da mãe. Os princípios da conversa me mostraram que ele não desejava falar, mas ouvir apenas. Perguntou-me tudo sobre os dias que estive em Recife e, enquanto eu falava, sem que ele soubesse, dobrei a vontade de ouvi-lo e coloquei-a no bolso. Ainda não era a hora.

Na saída, fiz carinho e desejei tranquilidades, embora meu próprio coração intranquilo, se apertava ao vê-lo mais silencioso do que o normal. Instantes depois, já no elevador, conjurei uma máxima que ele sempre repetia pra mim: "Coragem, hombre!"

Por todas as vezes que Walderes me encorajou é que, desde as 17 horas do último dia 17, a cada hora tento me rebelar com a morte que o silenciou. Afinal, foi ele quem proclamou valor aos meus desenhos, quem sussurrou direções para eu seguir, quem anunciou um Wolney que nem eu mesmo conseguia pronunciar.

Mais que um amigo, um irmão. Um homem com ideias e jeitos para felicidades.

A saudade, essa fenda que vai nos dilapidando lentamente num traço rápido, já me fez ler e reler o que ele escrevia numa tentativa de ouvi-lo novamente. Receio que, agora, como da última vez, ele só queira escutar. Acho que chegou a hora de levá-lo para o parque, não aquele dos nossos últimos planos, mas um outro que eu carrego aqui dentro do meu peito e onde há girassóis a se perder de vista.

Sentados em cadeiras de armar, eu confessaria:

"Walderes, você bem sabe que eu não sei estradas para longe de mim. Mas sinto vontade de encontrar muitos caminhos que sonhamos juntos em passos tortos, mas ritmados. Já sei que se perder o passo, terei a calma de reencontrar, noutra estação, qualquer coisa que valha. Viu como aprendi? Hoje, eu consegui o livro cujos trechos ouviria da sua boca. Ironia, premonição ou só mais uma coincidência - o que importa isso agora? - depois de chorar um pouco, olhei outra vez para a foto da capa, li o título do livro e me encontrei na certeza da 'Ausência que Seremos'. Fique tranquilo! Meu coração há de ficar também. Enquanto eu leio o livro, aproveita a vista."

A foto é minha. 
O título do texto eu peguei emprestado do livro de Héctor Abad

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Canções de 2013


Tem coisa melhor do que passear pelas inúmeras listas "dos melhores do ano" que pipocam por aí nesta época? A gente se indigna, descobre coisas novas e, no final das contas [e dos contos], se diverte um tanto conferindo os rankings e suas idiossincrasias. Em 2010, 2011 e 2012 eu listei livros, filmes e músicas que embalaram meu ano e gostei de guardar estas referências para, no futuro, poder lembrar e experimentar os acordes, as histórias e as cenas que me emocionaram no passado. Agora, em 2013, as regras continuam as mesmas. Vou começar pelas músicas e reforço o aviso de que nem todas as produções são desse ano, mas se estão aqui é porque tive contato com elas só agora. Vamos lá!

As músicas internacionais de todas as playlists do ano:
1. Instant Crush - Daft Punk
2. Lovers In The Parking Lot - Solange
3. Wings - Birdy 
4. Always Hate Me - James Blunt
5. MegalomaniaDavid Lemaitre

As músicas nacionais de todas as playlists do ano:
1. De Graça - Marcelo Jeneci
2. Fred Astaire - Clarice Falcão
3. Ali sim, Alice - Thaís Gulin e Tom Zé
4. Capim-Limão - Cícero
5. Amor meu grande Amor - Lucas Santana

As músicas de filmes:
1. Together - The XX [Do filme "O Grande Gatsby"]
2. Franky's Princess - Émilie Simon [Do filme "A Delicadeza do Amor"]
3. Freedom Anthony Hamilton e Elayna Boynton [Do filme "Django Livre"]
4. Dirty Paws - Of Monsters and Men [Do filme "A Vida Secreta de Walter Mitty]
5. Turn to Water - Maggie Clifford [Do filme "Elena"]

Os refrãos mais grudentos:
1. Origin of Love - Mika
2. Lovebird - Leona Lewis
3. Wrecking Ball - Miley Cyrus
4. Daylight - Maroon 5 
5. Brave - Sara Bareilles  

As músicas que me fizeram dançar pela casa afora:
1. Blurred Lines - Robin Thicke
2. Dance ApocalypticJanelle Monáe
3. Move in the Right Direction - The Gossip
4. Do What U Want - Lady Gaga
5. Dancing on my Own - Robyn

As músicas que (quase) ninguém conhece:
1. Running To The Sea - Royksopp ft. Susanne Sundfor
2. I Heard - Young Fathers
3. Glow - Retro Stefson
4. Carried Away - Passion Pit
5. Different Pulses - Asaf Avidan

Os discos que ouvi do princípio ao fim
1. Moon Landing - James Blunt
2. O Grande Gatsby - Vários Artistas
3. Coexist - The XX
4. This Is - Icona Pop
5. Love me back to Life - Celine Dion

Globo de Ouro do Ano
1. Felicidade - Fábio Jr.
2. Chuva de Verão - José Augusto
3. Dona Felicidade - Trem da Alegria
4. Meu Mel - Markinhos Moura
5. Separação - Simone


Os clipes marcantes:
1. Mirrors - Justin Timberlake
2. Reflektor - Arcade Fire
3. Queenie Eye - Paul McCartney 
4. Like a Rolling Stone - Bob Dylan
5. The Fall - The Rhye
Bônus: Pompeii - Bastille

Imagem capturada aqui.

domingo, 15 de dezembro de 2013

No meu peito não cabem pássaros


Terminei de ler "No meu peito não cabem pássaros" do escritor português Nuno Camarneiro. Fiquei o domingo inteiro escolhendo um jeito de falar sobre o livro, cuja carga poética é tão intensa e, no final das contas, ainda não sei bem o que dizer. 

Em 1910, três histórias se intercalam para mostrar, de modo engenhoso, personagens muito peculiares e, cujas vidas, são tocadas pela passagem do cometa Halley pela terra. Jorge, um menino de Buenos Aires, circunscreve a realidade em jeitos inventivos e fora do comum, sofre bullying na escola e tenta entender o mundo à partir de um olhar muito peculiar. Fernando é um jovem escritor que desembarca em Lisboa para morar com as tias, estudar e se curar do luto pela morte da irmã. Karl, um imigrante que vive em Nova York, é o mais taciturno dos três. Começa como limpador de vidros e segue expurgando seus fantasmas enquanto pula de trabalho em trabalho para sobreviver na capital do mundo. 

Minha indecisão em como abordar o livro me levou a transcrever alguns trechos que me atravessaram, para que as palavras do próprio autor pudessem pronunciar o que eu [ainda] não sei dizer. Minha única certeza é que "No meu peito não cabem pássaros" é leitura imperdível. Dessas que promovem silêncios, que fazem os pensamentos circularem de um outro modo e que acarinha a pele com arrepios. Escuta só:

"Viver num sítio é ser esse sítio, emprestar-lhe a alma e receber outra em troca. As biografias deviam ordenar-se por lugares, e não por datas. Nesta rua fui assim, numa outra fui diverso. Ninguém sabe descrever uma cidade, são as cidades que nos escrevem a nós."

"A vida é uma dádiva que requer manutenção, precisa de gestos pequenos como dar corda no relógio ou sorrir a quem passa."

"Quem nos livra do mal? Ninguém nos livra do mal."

"Se pudesse, gostaria de levar o sonho da noite para o dia, trazê-lo no bolso e olhar para ele a cada instante, enquanto as pernas fazem as suas coisas de pernas e a boca diz o que dela se espera."

"Um homem atirou-se do alto com uma bíblia na mão. Diz quem viu que chegaram ao chão ao mesmo tempo, mas a bíblia ainda serve."

"Há homens tristes e homens alegres e há também homens velhos. A idade é um caldo frio de emoções passadas, sabores e aromas que se propõem ao acaso na memória dos velhos. O tempo gasta tudo o que roça, pedras e corpos, a todos o tempo arredonda as arestas como se lhes combatesse as formas. O tempo vai-nos mastigando para que a morte nos ache tenros e dóceis. Também a morte é uma senhora antiga com os dentes cansados de roer." 

"Viver como quem passeia cá por baixo, distraído de um universo aonde se há de voltar em alguma hora, até que sopre um frio de fim de tarde e uma voz chame para dentro, 'vamos, que vem noite'."

P.S.: Os três protagonistas são baseados em três autores da literatura mundial: Kafka, Jorge Luís Borges e Fernando Pessoa.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Adiamentos


Comprei esse moleskine em 2008. Prometi a mim mesmo que só iria escrever nestas páginas numa ocasião especial.

O caderninho estava guardado. Minto! Estava perdido mesmo. Escondido, à espera de eventuais ocasiões especiais.

E agora está em cima da estante, ainda por abrir. Ele, à minha espera e eu à espera não sei de quê. Um objeto mitificado e um sujeito que gosta de adiamentos e fantasias.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A sós


Depois de me servir o suco, a senhora do café veio me informar que tinha ali "umas revistas de fofoca" se eu quisesse me distrair. Recusei. A mim, que tinha um livro na mochila e até mesmo um smartphone, não parecia ser dado o direito de escolher passar o tempo sozinho a olhar pela janela observando o próprio tempo.

Um excêntrico, dirão, mas a verdade é que fui me cercar de pessoas no desejo de ficar um pouquinho comigo mesmo.

Imagem de Edward Hopper

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Vida Passa

O tempo de espera era bem pouco, mas foi suficiente para ver a vida passar.


Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vontades


O funcionar exato das engrenagens eu [ainda] não sei, mas a vontade de rio nunca sai daqui.

A foto é de Zachary Yotte

Sem cortinas na janela


Tudo abarrotado do lado de cá: a parte de cima do guarda-roupa, o peito e a estante de livros. A persiana da janela quebrou no primeiro semestre e eu nunca mandei consertar. No lugar, só uma cortina antiga que eu amarrei, desajeitadamente, para fingir uma pequena rusga com os primeiros raios solares.

Não sou uma pessoa prática. Tenho dificuldades de jogar as coisas fora e demoro seis meses antes de querer trocar a persiana quebrada. Mesmo assim, um desânimo mortal me toma ao me imaginar diante de um catálogo inteiro de cores, materiais variados e vinte ou trinta dias de espera até que uma nova persiana fique pronta na justa medida da minha janela.

Com ou sem persiana, não consigo acordar tarde mesmo. Da mesma forma que, apesar da vontade, nunca consigo passar das três primeiras páginas de Grande Sertão Veredas.

Talvez eu goste de brincar com a nesga de sol que a cortina sempre deixa escapar, mesmo estando fechada. Ou de dormir o sono dos justos sabendo que o grande volume de capa dura - encadernado com tecido branco e bordado com letras vermelhas - da obra prima de Guimarães repouse ali do meu lado contendo todas aquelas citações que eu adoro, mesmo sem ter passado por cada uma delas.

Sei lá!

Os abarrotamentos são tantos e, mesmo que a culpa de todos eles seja minha, vez por outra eles transbordam pelo meu peito, pela estante, pela janela. Quando isso acontece, sempre espero que o destino equilibre minhas forças com a Mega Sena acumulada, com o amor que, sem avisar, interfone para o décimo andar e diga: "estou aqui!" ou qualquer coisa que se abra num grande carnaval.

Para ultrapassar a barreira da lamentação, por ora me basta apenas essa desconfiança de que na vida exista um momento em que finalmente aceitamos nossa natureza e podemos admitir sem vergonha que gostamos de janela sem cortinas, mesmo correndo o risco de termos nossos sonhos assaltados pelo sol nas primeiras horas da manhã.

Foto: Wolney Fernandes

"Um pequeno retorno à felicidade"

E se Deus for uma criança assim?



sábado, 26 de outubro de 2013

A Lua Me Disse


Coloco o livro na mesinha à minha frente enquanto sou enforcado pelo último botão da capa que envolve meus ombros e aperta meu pescoço. Reclamo ao cabeleireiro, mas o papo que ele trava com a mulher  ao lado parece bem mais eloquente que o meu pedido de socorro.

Tenho sorte porque a atenção da mulher sob a touca de papel alumínio se volta para o livro que eu deixei na mesa: "Posso ver?" ela pergunta já estendendo a mão sobre o mesmo. Incapaz de pronunciar uma palavra, eu aceno que sim com a cabeça, e finalmente meu desespero é notado pelo cabeleireiro que afrouxa a capa e dá início à preparação do corte.

"Máquina 1 ou 4?"

Antes que eu responda ele já está com a máquina de número 1 ligada e, graças a minha gagueira, quase saio de lá pronto para me ingressar no exército. Respiro fundo enquanto a dona do lado folheia o livro demonstrando todo o interesse em encontrar naquelas páginas um sentido para sua vida.

Depois da máquina, sinto a tesoura raspar de leve a minha orelha e minha atenção se volta para as mãos rápidas do cabeleireiro com aquele medo-menino de ter parte da orelha arrancada. Fecho os olhos e rezo.

Minha oração é interrompida pela dona do lado que me cutuca para perguntar de onde é o autor do livro. Abro os olhos com medo do que vou ver no espelho e respondo rapidamente que Valter Hugo Mãe é de Portugal. Boquiaberta, a senhora revela aos quatro cantos do salão que o referido escritor parece ter burilado para ela os trechos devorados naqueles minutos de leitura de "Nosso Reino".

Já conformado com o estrago que as mãos pesadas do profissional vai fazer na minha cabeça, vejo que minha vizinha de espelho anota algo que ela encontra no livro: "Estou pegando o endereço da editora para tentar contato com ele. Sou espiritualizada e minha vida é regida pela lua. Encontrar esse livro aqui só pode ser um sinal. Preciso desse homem na minha vida" - explica como se estivesse fazendo a lista de compras da semana.

Antes que eu consiga esboçar um sorriso, uma funcionária do lugar aparece por trás da leitora e ameaça tirar a touca que ela traz na cabeça: "Vamos cortar desta vez?" pergunta a profissional. "Nem pensar!" responde com eloquência e completa: "Lua minguante, minha filha! Ninguém toca em um fio do meu cabelo nesse período".

Prometo a mim mesmo que da próxima vez, vou esperar um eclipse lunar antes de me aventurar novamente por salões do Centro da cidade. "Lua minguante para o cabelo, mas crescente para as coisas do coração" ela me explica em tom confidencial com o endereço da editora anotado em um pedaço de papel que ela dobra e guarda entre os seios fartos.

Não consigo conter meu riso e, por um instante, me esqueço da festa que acontece na minha cabeça e para a qual nem fui convidado. Meu sorriso morre ao olhar no espelho e ver o barbeiro abrir a gaveta à minha frente com um movimento rápido.

Ele pega a navalha. Eu engulo seco.

Imagem capturada aqui

Vozes femininas


No embalo de vozes femininas fiz o caminho de volta para Goiânia. Nessa toada, a viagem foi recheada com boas descobertas.

01. Proud - Heather Small
02. Wildest Moments - Jessie Ware
03. PrimeTime - Janelle Monáe
04. O Céu do Dia em que Nascemos - Daniela De Carli
05. Running to the Sea - Royksopp ft. Susanne Sundfor
06. Satellite - Little Boots
07. Thirteen Thirtyfive - Dillon
08. Kiss - Mélanie Laurent
09. Cross Your Fingers - Constance Amiot
10. Do You Remember - Ane Brun
11. Daniel - Bat For Lashes
12. Por que Brigamos - Bárbara Eugênia
13. Riverside - Agnes Obel
14. It's Not - Aimee Mann
15. Runaway Love - Alice Gold
16. Concha do Mar - Ana Clara Horta
17. How Many People - Ayo
18. This Girl`s Prepared For War - Bic Runga
19. Palavras do Coração - Bruna Caram
20. For Everything A Reason - Carina Round

Foto: Wolney Fernandes

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Valsinha


Na saída do cinema, a chuva.
Aproveitei para dançar com ela.

Foto: Wolney Fernandes

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Pela beleza dos começos


Eu que gosto dos começos, no meio da viagem para o décimo andar do meu prédio, abro o livro e encontro isso aqui:

"era o homem mais triste do mundo, como numa lenda, diziam dele as pessoas da terra, impressionadas com a sua expressão e com o modo como partia as pedras na cabeça ou abria bichos com os dentes tão caninos de fome.

era o homem mais triste do mundo, diziam, incapaz de fazer mal a alguém, apenas metendo dó, com olhos de precipício como se vazios para onde as pessoas e as coisas caíam em desamparo. mas era impossível não os fitarmos, fascinados por eles como ficávamos..."

O livro é "Nosso Reino" do Valter Hugo Mãe.
Quem me emprestou foi o Walderes.
A foto é da Mariana Leme. Achei aqui.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Na última parada


Um Degas enfeitava a última parada em Orizona. Junto dele, um pedido da moça do caixa: "Depois vocês voltam, tá?"

Foto: Wolney Fernandes

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quando já se conhece a temperatura da água


Um dia, a gente acorda, olha pra frente e vê que o presente já é o futuro. E daí sente uma necessidade de renovar o contrato com seus desejos, sabe? Ou quem sabe rompê-lo, diante dessa certeza meio angustiante, de que o presente não está assim tão legal quanto você desejou lá no passado.

Já não são tantos os horizontes. Já se conhece a temperatura da água e o balanço do barco já não nos tira do prumo. Bom que não dá enjoo. Ao menos não nesse menino que, mesmo depois do recreio, vive rodopiando e acreditando que a brincadeira pode continuar na sala de aula.

Traçar novos rumos, no presente, parece mais difícil do que no passado. O coração, macio como a pluma da almofada do velho sofá, já está bordado com desenhos de antes. Em função disso, a maior vontade de todas é deixar a vida seguir seu rumo sem novos arranjos e arrumações. Deixar os pingos correrem em maratona para seus "i" enquanto se desfruta de brisa fresca.

Vento no rosto é bom, né? Escrevo tudo isso com uma certeza só: sejam quais forem os planos, quero sempre essa sensação pura de quando se tem sete anos de idade. Mesmo que a barriga já insista em desafiar o botão da calça e os pêlos do peito já estejam cada dia mais brancos.

Foto é do Pedro Fonseca. Peguei aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Volta


Na passagem para Orizona/GO, o moço do guichê escreveu assim: Volta.

Tudo bem, eu volto!

Foto: Wolney Fernandes

domingo, 8 de setembro de 2013

"O menino que carregava água na peneira"


Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre os orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menina fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho, você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

[Manoel de Barros]

Imagem capturada aqui.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Esperame En El Cielo"


Meia tarde garimpando músicas pela internet. Um céu inteiro de boas canções.

01. Megalomania - David Lemaitre
02. I Need My Girl - The National
03. Changing of the Seasons - Two Door Cinema Club
04. Electricity - Orchestral Manoeuvres in the Dark
05. King and Lionheart - Of Monsters and Men
06. Tell Me a Tale - Michael Kiwanuka
07. Ballad of the Band - Felt
08. Já vou tarde - Phill Veras
09. Different Pulse - Asaf Avidan
10. Wrecking Ball - Miley Cyrus
11. Born Too Late - Dent May
12. Break it to You Gently - Camera Obscura
13. Weight - Mikal Cronin
14. Action Is My Middle Name - Morissey
15. Esperame En El Cielo - Mina

A foto eu encontrei aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ponto de continuação


Faltava uma esquina só. Na fome típica do trânsito do meio-dia, avistei a Kombi, parada, metade na rua, metade na calçada. O sinal fechou. Então eu pude ler no adesivo colado no vidro traseiro daquele veículo:

"Saudade do meu pai"

Nos minutos seguintes, me apropriei daquela saudade e pensei na ausência do meu próprio pai nesses vinte e dois anos desde a sua morte. Deu vontade de saber como seria uma conversa nossa, que irritações seriam derivadas de manias, minhas e dele, e se seus cabelos já estariam brancos. Dentro dessa vontade, descobri que sou forte nos outros e frágil em mim mesmo. Todas as vezes que tentei ir embora daquela saudade, não consegui.

Chorei um pouquinho só. Não pela impossibilidade de respostas, por incompreensão, mágoas ou desvios, mas pela vontade de colo.

O choro foi de saudade.

Tentei tirar uma foto, mas o sentimento colado na traseira da Kombi ficou ilegível diante da buzina que já gritava a pressa do sinal verde. Não me prolonguei. O choro foi curto, mas depois tive tempo de escrevê-lo. Aquela saudade foi apenas um ponto de continuação. Um pequeno milagre para entender que meu pai é a parte de mim mais resistente ao mundo.

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Respostas


Porque a falta de rumo também nos paralisa.

Porque cometer os mesmos erros é bobagem, mas a gente nunca se dá bem com os novos.

Porque gastamos uma grana que não tínhamos em livros e sobremesas.

Porque enquanto ensaboamos a batata da perna, revelações metafísicas nos assaltam.

Porque a beleza nos cerca e tomará conta de nós, se nós tivermos coragem.

Porque é na bagunça do quarto que se encontra nossa vocação.

Porque os olhos da Birdy são, ao mesmo tempo, oceano de tristeza e encantamento.

Porque é uma delícia acreditar, mesmo no escuro do cinema, que alguém vai gostar da gente por toda a vida, que o todo talento será recompensado e que teremos coragem de tacar a lagosta viva na panela com água fervendo.

Porque nunca é tarde demais para outra colher de doce de leite.

Imagem encontrada aqui

Inspira, expira e pira!


Ganhar dinheiro, ir pra academia. Checar e-mails e curtidas no facebook enquanto o sinal não abre. Ler os clássicos e as indicações dos amigos, saber cozinhar feito chef de programa de culinária, ter paz de espírito - encontrada na posição de lótus, é claro! Estar bem informado das consequências provocadas pela variação do dólar em Taiwan, ser popular no instagram e manter uma dieta com alimentos da moda que ninguém sabe bem de onde vem.

Tempo, tempo, tempo...

Vou conseguir. Eu sei que vou conseguir: Inspira um, expira dois e pira no três!

Imagem de Jonathan Lichtfeld

domingo, 25 de agosto de 2013

Quem tem medo não olha!


Por ocasião dos festejos de São João, reza a tradição na pequena Lagolândia que, à meia-noite do dia 23 para o dia 24 de junho, quem tiver a coragem de verificar o próprio reflexo nas águas do Rio do Peixe garantirá, no mínimo, mais um ano de vida. Pobre daquele/a que não identificar sua imagem nas águas escuras porque não terá a sorte de alcançar a mesma data do ano seguinte.

Nunca tive coragem de arriscar uma olhadela. Já pensou? Olhar e não me enxergar?

Não é de hoje que meus medos me beijam na boca e não foram poucas as vezes que, em função desses beijos, não me enxerguei. Quando criança, era assim: Não gostava de ficar descalço, mas insistia em caminhar no cascalho como os outros meninos; Tremia diante de desconhecidos, mas tinha que "fazer sala" para não parecer mal educado; tinha medo de filmes de terror, mas assistia sob a lei que impus a mim mesmo de fechar os olhos nas cenas mais assustadoras.

Quem tem medo não olha, descobri assistindo Psicose no Domingo Maior.

Adulto, tive medo de ser artista e, mesmo fazendo arte desde sempre, preferi não olhar para aquilo que faz circular meus desejos de alegria. Havia, e de certo modo ainda há, uma necessidade de justificar meus rompantes poéticos por outras vias. A pedagogia e o design estão no topo do ranking dessas justificativas. Por elas, eu camuflei meus pequenos fazeres artísticos com um discurso que me distanciava cada vez mais de mim mesmo. Aos poucos, a arte foi esquecida no banco detrás para que minhas vistas se apoiassem na estrada das coisas de fora, das urgências que nem sempre embalam o meu coração.

"Como medir a distância que te separa do que você diz?"

A frase escrita na entrada da última bienal de arte em São Paulo já me preparava para o que eu veria ali. Muito daquilo que a bienal abrigava parecida dialogar intimamente com o que eu já fazia e, de repente, minha insistência em não querer enxergar o artista que eu sempre fui me pareceu distante demais, vazia demais.

Aquela experiência me trouxe o espírito da retomada e da reinvenção daquilo que eu sempre fui. É claro que não foi apenas o passeio pelos corredores da mostra que acionou essa vontade que eu já trazia aqui dentro de mim, mas foi quando o desejo transbordou e onde eu pude perceber que, apesar dos meus medos, eu já tinha coragem suficiente para olhar o que eu faço de um outro lugar... mais próximo, mais singelo e, exatamente por isso, forte o suficiente para me fazer encarar o artista que eu viro a cada dia.

Quero me reaproximar de mim mesmo. Diminuir a distância que me separa do que eu digo e não fazer disso um fardo. Há tantas possibilidades, muitos redemoinhos e atalhos para se percorrer o mesmo caminho, mas ainda assim, prefiro percorrê-lo com a sensação da volta pra casa.

Eu quero voltar a mim, sem pedir carona.

Imagem: Wolney Fernandes