quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres


Quando abri esse livro e vi que ele começava com uma vírgula tive duas certezas: a primeira é de que só uma escritora absurda como Clarice ousaria começar um livro assim. E a segunda era de que eu precisava ler o que havia depois daquela vírgula o quanto antes. Demorou um pouco até poder começar a leitura, mas quando resolvi encarar, houve tantas identificações com os sentimentos, medos e dúvidas da personagem principal que a história parecia escorrer das minhas vísceras direto para as páginas do livro.

A trama é bem simples: Lóri e Ulisses tem um relacionamento que desloca a mocinha de seu lugar comum e a coloca em campo movediço sem que nenhuma de suas certezas se confirmem como tal. Diante desse estranhamento de si mesma, Lóri empreende uma jornada muito íntima na tentativa de experimentar outros jeitos de ser.

"O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas."

Dona de uma escrita que parece riscar com uma faca cada pedaço da pele de quem lê, Clarice consegue destrinchar, com desenvoltura, uma série de questões ligadas ao prazer, a fé e a coragem que toda mudança exige da gente.

De um lado temos as certezas de Ulisses diante de seus sentimentos e do outro os medos que Lóri vai encarando capítulo a capítulo. À medida que adentramos nas dúvidas de Lóri e nas certezas de Ulisses, vemos que a jornada rumo a aprendizagem do prazer pode alterar o modo como se encara a vida em todas as suas outras dimensões.

Uma aprendizagem assim deveria ser ensinada em todo canto, em todos as etapas da vida, para nunca mais se esquecer. Difícil e necessário, esse livro da Clarice, sem começo e sem fim, conseguiu instaurar em mim, uma vontade (será uma coragem?) de olhar para meus medos de frente. Só por isso, o livro já vale uma espiada!
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Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco

domingo, 22 de junho de 2014

Como respirar debaixo d`água


Como respirar debaixo d'água em 17 lições:

01. Vista pro mar - Silva
02. Bobagem - Céu
03. Façamos - Elza Soares e Chico Buarque
04. Concha do mar - Ana Clara Horta
05. De papo pro ar - Ney Matogrosso
06. Ouro de Tolo - Caetano Veloso
07. A Verdade sobre o Tempo - Pato Fu
08. Não é proibido - Marisa Monte
09. Envelhecer - Arnaldo Antunes
10. Vira Pó - Karina Buhr
11. Tempos Modernos - Lulu Santos
12. Vagalumes Cegos - Cícero
13. De Graça - Marcelo Jeneci
14. Voa liberdade - Jessé
15. Brincar de Viver - Maria Bethânia
16. Questão de Tempo - Nara Leão
17. Preciso me encontrar - Cartola

terça-feira, 17 de junho de 2014

Poema para Walderes


Dezessete. Essa data pode ser nosso poema. Uma rima onde tudo está contido: a alegria que a vida realça e a saudade que a morte desdobra. E assim, ficamos os dois para sempre neste dia. Eu porque nasci e você porque morreu. Meu aniversário de vida é seu aniversário de morte. Um memorial daquilo que foi e é parte importante também agora. Estendidos como versos, dor e contentamento se recitam mutuamente, em uníssono. E assim, os dias dezessetes passam a ser essa garantia de nunca esquecer. 

Plantado de volta na terra que te pariu, ainda estende suas raízes até o chão das minhas tristezas e faz desabrochar presentes... faz chover doçuras e circular perfume de agoras.

Imagem de René Magritte

Dezessete


Tem dias que cada passo dado, cada movimento que o peito faz e cada mergulho em pensamentos que te assolam merecem ser embalados por uma canção.
Hoje é um desses dias!

01. Lucky Man - The Verve
02. Live and Learn - The Cardigans
03. Hero - Family of the Year
04. Green Lights - Aloe Blacc
05. Nowhere Man - The Beatles
06. Real Life - Cat Power
07. It's Amazing - Jem
08. Scenic World - Beirut
09. Waves - Blondfire
10. The Symphony - Snow Patrol
11. Memoir - Charlotte Gainsbourg
12. Blowing in the Wind - Bob Dylan
13. Feel it All - KT Tunstall
14. Uptight Downtown - La Roux
15. It's My Life - Bon Jovi
16. It's Wonderful LIfe - Black
17. Que Sera Sera - Doris Day

E é bom que seja assim!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Para ler Ulysses


A ideia é bem simples: começar a ler Ulysses do James Joyce no Bloomsday de 2014 (para entender do que se trata, clique aqui). A tarefa é bem árdua: acompanhar as 18 horas do dia do Sr. Bloom embalado por um ritmo alucinado de fluxo de consciência e outros caprichos de Joyce.

Já vi muitos leitores abandonarem o livro por sua complexidade. Sei que se trata de uma leitura exigente e a vontade aqui é combinar jeitos e compartilhamentos que ajudem a leitura a fluir com mais prazer, mesmo que de forma vagarosa. Na medida que avançar, vou registrando minhas impressões, inquietações, dificuldades e deslumbramentos deixados pela leitura. Quem sabe, no Bloomsday de 2015 eu consiga chegar ao final do livro?

Começando em 3, 2...