quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dentro do Sonho

Eu me localizo naquele vão entre o fim e o esquecimento, entre o amor e a realidade das coisas, entre o purgatório e o céu. Aqui em casa, no meu peito, meus caranguejos internos (sim, eu os tenho. Veja aqui) não bebem água há 3 semanas, esquecidos no turbilhão. Estranhamente, não morrem. Há tantas coisas que sobrevivem sem alimento e, no entanto, não posso dizer que haja tristeza porque a tristeza torna tudo turvo e, embora tudo não esteja exatamente claro, também nada está perdido. Enfim, é o que sinto. Pisco os olhos e, nesse tempo, sonho de novo aquele sonho do céu.

A tarde é de um domingo cinza-azulado e Deus é todo respostas: existe um Mar Vermelho no meu peito e ele diz que vai separá-lo para que eu possa atravessar. Então Deus me manda correr e quando penso que estou longe dele, tropeço numa nuvem empoeirada e caio em seu colo. Deus me segura e me leva para a despensa. Pergunto com cara de quem entende tudo: Deus, quando as coisas somem, elas ficam guardadas aqui? Deus apenas sorri. Parece que tudo vai se resolver. Então durmo dentro do sonho.

16 de março de 2008
Imagem: Wolney Fernandes

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