sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Quarto-Lugar

Gosto da vista que tenho da janela do meu quarto. Nela, o luar que atravessa os prédios do centro de Goiânia, banha parte da minha cama com sua luz serena. Nas noites de lua, deixo persiana e janela abertas só pra ouvir o barulhinho da cidade adormecendo e poder enxergar o reflexo difuso que é projetado na parede ao lado da cama.
Gosto de imaginar meu quarto como lugar de descanso e de silêncios necessários. Mas minha alma paradoxal também o vê como meu mundo particular, onde tudo que gosto e preciso esteja ao alcance das mãos.

É curioso quando percebo que nos dias agitados, ao olhar para a bagunça que me cerca tenho a impressão que estou diante de um espelho. Funciona mais ou menos assim: Se o dia-a-dia é tranquilo ele fica arrumadinho, com tudo no lugar. Se o período é caótico ele fica revirado de ponta-cabeça. Nestes dias, tenho a impressão de que "A mulher com fita amarela" que fica encostada perto do violão, me olha de jeito diferente. Seu olhar de censura só não é maior porque ela é cria do Picasso, que adorava desmantelar as coisas para reorganizá-las de um jeito bem peculiar.

Hoje amanheci com uma vontade grande de fazer um exercício cubista aqui. Revirar tudo e organizar de forma diferente. Fiquei animado, mas adiei a decisão porque estou ainda muito cansado das correrias de final de ano e não pretendo passar o final de semana que antecede o Natal organizando livros, cds, dvds e roupas... Pensei no monitor novo do meu computador que vai chegar na semana que vem (o meu antigo pifou!) e usei-o como desculpa para adiar um pouco mais a faxina.

Enquanto escrevo, olho para a bancada perto da janela e imagino: aqui, papel se reproduz com a mesma velocidade que os coelhos. Coloco 5 folhas em um dia e no outro já são 10. Todas espalhadas entre os livros. Impressionante!

Imagem: Wolney Fernandes

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