sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sinal de Vida

Querida Sofia,

repetidamente te escrevo para dizer que o pequeno corte no coração, provocado pela partida de antes, cicatrizou. Coração cicatrizado, contato praticamente cortado e de novo, a intensidade contida nos instantes possíveis. Você sabe que sempre tive vocação para o sonho acordado... mesmo em tempos assim. Não é bem isso que quero dizer nesse bilhete com jeito de carta, mas fico sempre tentado a repetir.

Sabia que depois que os caminhos foram reabertos, pensei em visitar você? Mas tive medo de encontrar a porta trancada e uma coroa de flores anunciando notícias tristes, já que você não me responde mais.

Talvez essa não-resposta seja um pacto silencioso para não mais falarmos de coisas tristes, acertei? Olha... eu até emagreci. Não o suficiente, ainda! Pois é... alguns dizem que foi o mestrado. Eu prefiro pensar que foi força de vontade mesmo. Sempre desejei um corpo mais esguio, onde as roupas não se sentissem intrusas, mas parte harmoniosa do conjunto. E você precisa ver. Tenho caminhado sempre que posso. Voltas pelo bosque, músicas cantaroladas e borrifos de água no rosto.

Ontem fui ao cinema. Lembrei de você, embora o filme tenha me parecido açucarado, com gosto de propaganda norte-americana. Tempos estranhos esses. Querem nos fazer acreditar num mundo novo, mas esse fim de década me cheira azedo, nauseabundo. Sabe aquela sensação de perda de tempo? Pois é... saí do cinema assim. A outra novidade é que agora tenho tido vontade de dançar. É bom ouvir música e tirar o pé do chão.

Dê sinal de vida!
Beijos detetives!

Wolney

PS. 1: Já parou pra pensar que nem tudo nessa vida fica tão bem explicado quanto deveria?

PS. 2: O Rafael mandou um abraço para você da última vez que nos falamos pelo MSN. Fiquei curioso: de onde você o conhece?

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