sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Esvaziamento

Assim, de supetão, fui acometido por um esvaziamento. O que culminou com a minha presença inerte frente ao computador por quase duas horas, vazio e sem idéias. Caminhei até a janela. O céu me engoliu com sua não-cor por onde nuvens bailarinas de um balé despreocupado e invertebrado se arrastavam suaves, ao acaso.

Nuvens são passatempos dos ventos que com elas brincam. Encobrem o sol em brasa, suicidas, para então serem derretidas. São instantes caprichosos e únicos em toda eternidade, que não ficam mais uma hora, às vezes nem mais um minuto, para que possamos admirá-las.

Mas da janela do décimo andar, eu quase podia tocá-as. Quase podia sentir o cheiro doce, quente e seco no instante em que estiquei os braços um tanto acanhado para tentar tocá-las. Tão perto e tão longe. Jamais saberei explicar o que me preencheu de modo pueril e o que me fez voltar para a realidade naquele instante.

Sei que preferi descer, sentar de novo em frente ao computador e apreciar ao longe o espetáculo que não poderia ser apenas meu.

Imagem: Wolney Fernandes

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