quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sr. Normal

A imagem que ilustra esse texto é Golconda de René Magritte, feita em 1953. Sempre achei que as pinturas dele tem o singular propósito de nos transportar para um universo simultaneamente poético e filosófico com todos os ingredientes de uma inquietação marota. Gosto também do que ele diz sobre a obra:

"Há aqui uma multidão de homens, homens diferentes. Quando pensamos numa multidão, contudo, não pensamos num indivíduo; do mesmo modo, estes homens estão vestidos de igual, tão simplesmente quanto possível, para sugerirem uma multidão... Golconda foi uma rica cidade da Índia, uma maravilha... Acho uma maravilha poder caminhar pelo céu na terra. Por outro lado, o chapéu de coco não constitui surpresa - é um artigo de complemento, nada original. O homem de chapéu de coco é o Sr. Normal, no seu anonimato. Eu também uso um; não tenho vontade de me destacar das massas."

Que obra de arte eu gostaria de ser?

Sempre que me faço esta pergunta, a imagem do Sr. Normal me vêm a cabeça. Gosto da possibilidade de caminhar pelo céu na terra e da expressão poética sugerida pelos homens que, apesar de comuns, são portadores de uma singularidade que o banal chapéu de coco, a meu ver, realça. Gosto também da idéia de uma normalidade destacada pela diferença, se acaso pudermos ver para além dos fatos iguais e da postura idêntica e estática.

Alguém se habilita?

No clipe abaixo, uma 'releitura' da obra, feita por Rufus Wainwright com a música "Across the Universe". Genial!

Um comentário:

maria disse...

Hola Wolney,
Te mando un link. No sé si lo conocerás. Creo que te gustará -creo-. Unos sombreros llevan a otros sombreros. Ambos trasmiten incomunicación pero, es curioso, son sujetos que no parecen sufrir por ello.
Espero que lo disfrutes.
Saludos,
María
http://www.rodneysmith.com/