sexta-feira, 24 de abril de 2009

501

Variações em temas diversos para minha postagem de número 501:

- "Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada."
[Caio Fernando de Abreu]

- "A Igreja é o melhor lugar. Lá o gado de Deus pára pra beber água, rela um no outro os chifres e espevita seus cheiros que eu reconheço e gosto a modo de um cachorro. Igreja é a casamata de nós. Tudo lá fica seguro e doce, tudo é ombro a ombro buscando a porta estreita."
[Adélia Prado]

- "Desejo e esperança só existem perante as ausências. Como sentir saudades da pessoa amada se ela está ali, ao alcance da mão? Mas, quando a distância se interpõe, a saudade brota da falta, das palavras de amor que não podem ser ditas, por não haver ninguém para ouvi-las, e dos gestos de carinho que não ocorrem, porque o corpo se foi... Desejo e esperança são testemunhos da ausência."
[Rubem Alves]

- "Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras da boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham."
[Machado de Assis]

Imagem: Wolney Fernandes

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