terça-feira, 6 de outubro de 2009

No Café de Pina Bausch

Em dois atos, a Companhia de Dança-Teatro de Pina Bausch (Tanztheater Wuppertal) fez remexer, viceralmente, inúmeras emoções em pouco menos de duas horas de espetáculo. Tudo pareceu incerto diante daqueles movimentos que me desafiaram.

Em Café Müller, o enredo aberto me fez dançar simultaneamente, ora no palco, ora na platéia, pois me conduziu a cotidianos de verdades e fantasias. Por vezes, era eu no palco afastando as cadeiras para que a mulher sonâmbula se movesse no compasso da vida. Em outras ocasiões eram os movimentos da mulher cega que me impeliam a imaginar quais as cadeiras que me impedem de caminhar/sonhar.



Então, arrebatado pela beleza de um palco todo coberto com terra, vejo a vibração da Sagração da Primavera me questionar de modo preciso: que paixões movem meu corpo?

Acaba o espetáculo, mas a pungência daqueles movimentos permanece em mim, feito a terra que gruda nos corpos suados dos/as dançarinos/as. Saio enlameado com as incertezas que me impelem a seguir adiante, mas nunca em linha reta, dançando em cotidianos espiralados de sentidos.

Imagem capturada em http://www.danceviewtimes.com/2008/03/dance-with-mean.html

Nenhum comentário: