sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vazio

Hoje quero tão pouca coisa. Talvez o sussurro de algumas palavras serenas, em tom de tranquilidade ventilem meu vazio. Talvez encerrar o dia num exercício assombroso de reinvenção.

E quem disse que eu consigo? Dói-me demais saber que sou motivo de decepções. É uma dor que lateja insuportavelmente em meu peito e cabeça. Fico assim, oco, vazio, mudo, castrado, inerte... Sempre preferi sofrer sozinho para depois me acertar com meus fracos mecanismos de auto-piedade.

Hoje posso tão pouca coisa. Talvez voltar para minha natureza original de mais observar do que agir... ou então, tatear lentamente buscando as verdades que desapareceram no início de quem sou. Expurgar a culpa, toda culpa, que ainda sobrar por estar tão perdido. Reconhecer que meus defeitos também são as minhas vigas. Minhas paredes. Meu chão.

Hoje sei tão pouca coisa sobre ser forte, decidido. Vibram em mim, angústias... aquelas velhas conhecidas que me fazem temer a segunda-feira de enfrentamentos. Vribam também os planos soviéticos para desarmar meus silêncios e dizer sem medo o que sacode minhas entranhas.

O que me resta são os 'quereres' que preenchem meus vazios. Os mais variados: Quero ser irônico para desarmar pessoas só com palavras. Quero auto-estima. Quero pernas fortes que possam me levar mais longe dos meus temores. Quero olhos sem miopia para também enxergar cada um deles. Quero me contornar e me preencher com os movimentos que fizeram meus sonhos dançarem com a mais linda cumplicidade já experimentada até hoje.

Foto: Wolney Fernandes

2 comentários:

Deire Assis disse...

"É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar."

Abraço em você!

Martinho Mendes disse...

:) Gostei deste texto.