segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mary e Max

"A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras [...] tem fendas e cascas de banana."

A aparente simplicidade da frase acima, elaborada por um dos personagens da animação "Mary e Max" (AUS, 2009), consegue resumir toda a complexidade embutida em nossas cotidianidades.

Contrastes como estes dão o tom do filme, desenvolvido com técnica de stop-motion, sobre a amizade entre uma menina australiana de 8 anos e um estadunidense de 44. Ambos começam a trocar respondências repletas de pensamentos filosóficos sobre a vida e, do improvável, nasce uma amizade que se estende por 20 anos.

A narrativa, cheia de sutilezas, além de cutucar os vícios e as fobias da sociedade contemporânea também consegue colorir nosso olhar em tons sépia e preto-e-branco. Apesar de tristonha, a história é profunda e bonita porque é envolta por diversas camadas.

Lembrou-me o livro "Griffin & Sabine", recheado de cartões postais e cartas trocadas entre os personagens que, aos poucos, revelam confidências e indagações acerca do mundo que os cerca.

Terminei o filme emocionado e com uma vontade louca de abrir a caixa de correio e lá encontrar pedaços de vida em texturas de papel, desenhos inacabados e cheiro de chocolate.

Imagem capturada em http://www.cinemaemcena.com.br/

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