quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quando tudo é solidão

Sim! Me incomoda ter que explicar meu caso de amor com a solidão. Há quem encare minhas idas ao cinema, parques, viagens ou passeios sozinho com espanto e incredulidade. Há também aqueles/as que sapecam um diagnóstico precoce diante do fato de não "estar com alguém": é mentira, medo ou depressão! Procurar um tipo de cura e paz que só podem vir da solidão não parece mais um caminho possível. Solidão virou patologia ou crime, pois não há redenção para quem decide inflingir a famosa lei "jobiniana" que, poeticamente, decreta: "é impossível ser feliz sozinho"!

Aviso aos navegantes: não se trata de não acreditar que a felicidade é intensificada quando compartilhada. Nem de adotar a solidão como um estilo de vida permanente, mas de não depositar toda a esperança de salvação fora de mim mesmo. Não estou sozinho para buscar companhias diferentes ou ter o campo livre para "ir à caça" em rituais que, falsamente, sugerem que só é possível aproveitar a vida de forma descompromissada.

Dentro dos longos espaços solitários que tenho vivido, brotam coisas bonitas e simples. Por vezes, até penso em escrevê-las, mas, sei lá, tenho preferido guardá-las em fronteiras que se movem entre angústias e sonhos bons. Sem aquela invenção de personagens ou exigências de que eu seja quem as pessoas queiram ou precisam. É nesse vazio que me movimento em [re]descobrimentos de mim mesmo.

Quando tudo é silêncio, relembro que viver é dar sentido ao que não tem sentido algum. Se essa liberdade cobra um preço alto para a maioria, para mim é uma dívida fácil de quitar. Portanto, minha resposta, que vem em forma de pergunta, faz coro com Marisa Monte ao questionar: "Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?"

Foto: Wolney Fernandes

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