terça-feira, 3 de maio de 2011

O Céu de Suely

A impermanência instaurada pelas utopias que nos movem vida afora é o azul que dá o tom do filme "O Céu de Suely" (Brasil, 2006). Uma falta que vai além do material move Hermila, a protagonista, a voltar para sua cidade natal no interior no nordeste. Um filho no colo, a espera de um amor que nunca chega e a descoberta da solidão fazem com que ela decida rifar uma noite de sexo para conseguir o dinheiro necessário para que a vida continue à partir dali.

O retorno se cumpre pela vontade de partir novamente. Na inquietação diante de um cotidiano sem surpresas, cada trecho da narrativa parece extrair significados que não precisam de auto-explicação. A mudança experimentada por dentro marca um descompasso com a aparente imutabilidade que se cristaliza do lado de fora.

Uma parábola que não termina quando o retorno para a casa parece não dar conta das questões plantadas no coração. Nas palavras de T.S. Eliot: "E ao final de nossas longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez". A resposta silenciosa que o filme dá a esta sentença vale cada pedaço de céu mostrado em diversas sequências durante a história. Destaque para a última cena, talvez um dos finais mais belos que o cinema nacional já mostrou.

Imagem capturada aqui.

Um comentário:

Cristiano Casado disse...

Realmente este filme tem uma poesia incrível com a qual me identifico bastante. Obrigado por me fazer relembrar de uma cena muito bonita.
Lindo o post!