domingo, 19 de junho de 2011

Meia-Noite em Paris

Eu sempre achei que havia nos anos 1960 um certo glamour no modo como as pessoas levavam a vida. E poderia enumerar outras tantas épocas de outrora nas quais eu gostaria de viver, principalmente por acreditar que o estilo de vida no passado era bem mais a meu gosto do que agora, no presente. Gil, personagem de Owen Wilson no novo filme de Woody Allen consegue a proeza de realizar esse sonho.

"Meia-Noite em Paris" (Midnight in Paris, 2011) flerta com essa idéia de maneira impecável. O cenário é Paris e a época em questão são os anos 1920, quando F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Salvador Dali e tantos outros nomes conhecidos circulavam por ateliês e cafés da cidade. Insatisfeito com sua profissão como roteirista de Hollywood, Gil está passando ferias em Paris com a família da noiva e em uma noite, misteriosamente, é conduzido ao passado.

Inspirado como nunca, Woody Allen coloca seu protagonista em contato com históricos artistas e faz com que os acompanhemos em situações inimagináveis. Vê-los em confusas histórias de amor, ciúmes e inveja discutindo, displicentemente, temáticas tão conhecidas no presente é um dos pontos altos da película. E tudo narrado de forma simples e descontraída. A cada nova personalidade que aparece na tela, uma surpresa se instaura do lado de cá.

No entanto, o filme não se resume nessa mera ode à nostalgia, mas utiliza de maneira inteligente, o fato de que o passado, assim como o presente, é tão vivaz e mutável que é capaz de alterar nossa forma de entender e nos posicionar diante do mundo e suas questões.

Vale cada gota de chuva (quem assistir entenderá o porquê).


Imagem capturada aqui.

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