segunda-feira, 21 de novembro de 2011

[a]guardando instantes
A Todo Instante por Odailso Berté


Instantaneamente vários deles desfilam pela minha memória: o poço onde fios de cabelo viravam cobras, o açude rodeado por pés de ariticum e guavirova, o parreiral onde a cobra verde me assustou, os canteiros de flores que ajudei minha mãe fazer, a xícara de café com leite sobre a mesa na manhã em que acordei sozinho, o dia em que calcei uma sandália feminina envergonhando meu pai perante amigos, a flor amarela que avistei perto do limoeiro, as garças brancas na aveia verde, o lapso entre o músico e o policial, amor e título, exigência e displicência, o medo de...

Desde sempre os movemos e somos movidos por eles. Revendo-os me abraço e me [co]movo. Vou e volto neles, pois me constituem. Os que foram e os que virão, com suas cobras, flores, sandálias e amores.

Parafraseando Cazuza, o instante não pára. O mundo não pára, nos não paramos. Quer dizer, um dia vamos parar, depois de [a]guardarmos muitos instantes. Mas eles seguirão acontecendo.

Odailso Berté veio do sul e vive inventando passos de dança para levantar a poeira e as folhas do cerrado. Para conhecer mais: Dançamentos

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