sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dezessete de Fevereiro de 2012 - Sexta


Estou a pé. A cidade, sedutora, se despe mais à vontade pelo toque do meu caminhar. Os tempos não são marcados pelo sinal vermelho e a geografia escondida em calçadas desenhadas me abraça em curvas que percorro com música e devaneio.

Pensamentos sem freios se misturam a notas musicais. Tropeço. Tenho uma dessas doenças estranhas que me deixa boquiaberto frente a texturas, reflexos e composições urbanas, sempre mutantes. Gosto de me imaginar assim, mutável... aquele que, diante de paisagens tão conhecidas, celebra estranhamentos ao dobrar a esquina.

[suspiro...]

Nenhum lugar me deixa mais pleno do que dentro desse Wolney - versão fevereiro de 2012. Porém, ainda sinto dores nestes pés que me trouxeram até aqui! Penso que toda mudança termina [ou começa, não sei] com uma fenda. Nem que seja para marcar o lugar dos tropeços.

Eu vivo mudando porque esse movimento me alimenta. Mas, apesar de ser um delicioso jantar, parece que as mudanças nunca são suficientes para o café da manhã do dia seguinte. Então eu sofro com os estranhamentos - meus e dos outros - advindos dessa movimentação.

Odeio a noção de que é preciso sofrer para aprender, pois já faz muito tempo que o sofrimento não é gasolina suficiente para minha ignição. Todo aprendizado deveria brotar daquele caminhar frouxo que ajuda a gente perceber no céu uma nuvem e desejar guardá-la no bolso.

Foto: Wolney Fernandes

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