terça-feira, 1 de maio de 2012

Eu, leitor


Eu aprendi a ler em uma cartilha azul com uma fada na capa. O título eu não lembro, mas sei dizer das volutas que moldavam cada cacho do cabelo da fadinha que eu desenhava exaustivamente.

Meu primeiro gibi era um do Chico Bento, de 1982, que eu mantenho até hoje com certo orgulho. A porta de entrada no mundo dos quadrinhos foi pela Turma da Mônica, mas transitei pelos clássicos Disney - de Tio Patinhas a Urtigão - passando por uma fascinação pelo Homem-Aranha e toda legião de heróis dos universos Marvel e DC.

Na escola, mergulhei na literatura pela Ciranda de Livros e sei de cor e salteado os títulos que lia e relia sem me cansar: O Menino Maluquinho do Ziraldo, Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato e A Bolsa Amarela da Ligya Bojunga só para citar os que me atravessam até hoje.

As revistas de moda e fotonovelas da minha mãe ajudaram a cultivar meu amor pelos periódicos e meu sonho em trabalhar numa banca de revista para poder ler o dia inteiro.

Na adolescência conheci os livros de bolso da literatura pulp e devorei histórias de amor aos moldes dos romances açucarados do tipo Júlia, Sabrina e Bianca. Dos mistérios de Agatha Chistie eu nunca conseguia descobrir quem era o assassino, mas me deleitava em saber cada detalhe dos crimes ardilosamente calculados e tão bem descritos nos livros da autora.

Pelos livros da Ediouro [que podiam ser encomendados pelo correio] me aventurei nas histórias em que eu podia decidir o final e passeei por cavernas com Ali Babá! Quando entrei em uma biblioteca pela primeira vez, meu amor pela literatura nacional estava latente. Foi nessa época que me encantei por Machado de Assis, José de Alencar e tantos outros figurões da nossa história.

Ainda hoje, toda vez que entro em uma livraria, minha vontade é sair de lá com um livro que me rouba o olhar pela capa ou que me seduz pelas linhas das sinopses tão bem escritas em orelhas cada vez mais sofisticadas. Assim, a pilha de livros vai aumentando, naquele movimento lento que, sem pressa ou hora para terminar, vai desfiando leituras de todo dia... de dia inteiro.

Foto: Wolney Fernandes

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