domingo, 5 de agosto de 2012

Depois das férias


15 dias de férias não foram suficientes para me tirar dessa apatia que tento, porcamente, esconder. Todas as atividades que tenho que retomar amanhã me parecem, hoje, cadafalsos sustentados pelas horas que terei que enfrentar dando respostas vagas para perguntas que não quero responder: tudo bem? como foram as férias? aproveitou bastante? viajou?...

Todos os planos feitos para estas férias eu deixei escorregar por entre os dedos por displicência e desarranjos intestinais. Meu quarto, revolto por dias de ermitão, parece o melhor lugar do mundo para passar mais uma leva de dias. Um laguinho de água parada para ficar ancorado sem ter que pensar em navegar. Minha vontade ainda é emendar um filme atrás do outro para não ter que pensar nas contas a pagar na segunda.

Cresce em mim aquela vontade de anonimato. Deixar o telefone tocar até cair, não ver e-mail novo na caixa de entrada. Poder entrar nos lugares sem que ninguém saiba quem sou. Falar pouco e, nesse silêncio, encontrar o sossego que eu almejo sem saber direito o porquê.

Foram 15 dias de tentativas. Talvez displicência não tenha sido o que de fato fez os dias de folga escorregarem pelos meus dedos. Marquei almoços, visitei amigos, conheci pessoas, peguei sessões de cinema às 11 da manhã, fiz piquenique... mas de que adiantou tanto empenho se nada do que fiz plantou coragem para retornar à vida de todo dia, de dia inteiro?

Lá se foram as férias sem os sorrisos ou os frescores de quem carrega um tantinho de felicidade. Talvez esse tenha sido o preço a pagar por fingir que a vida já voltou ao normal.

Foto: Wolney Fernandes

Um comentário:

Lili disse...

Espelho aqui.
Força, é preciso.