domingo, 30 de setembro de 2012

Em cada canto de setembro


No parque, uma família chega e o cachorro, em disparada, escapa para se refrescar no lago.

No bar, peço um cozumel ao garçom e ele, todo sem jeito, responde que não tem mel.

No facebook, um amigo do ensino médio me chama de beato ao saber que estou solteiro. Pergunto se ele se casou e me surpreendo quando ele responde que está saindo do terceiro casamento.

No shooping, uma mulher pede para que eu a fotografe entre a mãe e a filha.

No cinema, um avô senta ao lado do neto para assistir o filme na fila da frente. De dois em dois minutos, o menino pergunta quanto tempo ainda falta para a sessão começar.

Na livraria, a primeira linha de um livro me convence que vale a pena comprá-lo: "No final ela morre e ele fica sozinho".*

No trabalho, um ex-aluno vira meu professor.

Na pamonharia, a dona, de cara amarrada, me atende com um muxoxo inaudível querendo me fuzilar com os olhos quando peço uma pamonha. Sendo o único cliente do estabelecimento, trato de comer rapidamente sem olhar em sua direção. Ao me dirigir até o balcão para efetuar o pagamento, percebo que ela tenta esconder, sem sucesso, um livro da coleção Sabrina: "Prisioneira da Paixão". Saio dali com um sorriso escondido no canto da boca.

[*] Citação do livro Bonsai de Alejandro Zambra.
Imagem capturada aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

AMEI!!!! Todo mundo devia ler o que você escreve.
Saudade de tu bichinho.
Bianca.