terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dias assim


Acordar na segunda-feira antes do despertador tocar e ter tempo para ouvir as trilhas do Abel Korzeniowski no banho.
Ir para o trabalho e sair de lá sem hora marcada para estar em outro lugar.
Almoçar naquele restaurante de comida caseira ouvindo as músicas mais bonitas, escolhidas a dedo no dia anterior.
Passar na porta do cinema no Centro no exato momento em que a sessão de um filme bom está para começar e ficar para assistir. Comprar pipoca e água com gás sem precisar de enfrentar fila. Entrar na sala e descobrir que a cópia do filme é legendada.
Voltar para casa depois da sessão e, no caminho, encontrar caixas de correio personalizadas para fotografar.
Em casa, depois do banho, adiantar dois trabalhos iniciados e ficar respingando imagens pela internet.
Convesar com amigos que querem saber do seu dia e, por puro desinteresse, ficar trocando pensamentos e conversas desimportantes enquanto o disco preferido toca sem pressa de acabar.
Ter vontade de tomar sorvete de creme e não ter preguiça de sair a pé para comprar.
Voltar sentindo os pingos da chuva que, sem aviso nenhum, começaram a cair.
Ler duas páginas do livro de cabeceira e adormecer em seguida sem fechar a janela do quarto.

Ontem foi assim e meu desejo é que seja assim para sempre.

Foto: Wolney Fernandes

Um comentário:

Paulo Henrique Lima disse...

Lembrou a primeira página do livro Deus foi almoçar.