sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quando já se conhece a temperatura da água


Um dia, a gente acorda, olha pra frente e vê que o presente já é o futuro. E daí sente uma necessidade de renovar o contrato com seus desejos, sabe? Ou quem sabe rompê-lo, diante dessa certeza meio angustiante, de que o presente não está assim tão legal quanto você desejou lá no passado.

Já não são tantos os horizontes. Já se conhece a temperatura da água e o balanço do barco já não nos tira do prumo. Bom que não dá enjoo. Ao menos não nesse menino que, mesmo depois do recreio, vive rodopiando e acreditando que a brincadeira pode continuar na sala de aula.

Traçar novos rumos, no presente, parece mais difícil do que no passado. O coração, macio como a pluma da almofada do velho sofá, já está bordado com desenhos de antes. Em função disso, a maior vontade de todas é deixar a vida seguir seu rumo sem novos arranjos e arrumações. Deixar os pingos correrem em maratona para seus "i" enquanto se desfruta de brisa fresca.

Vento no rosto é bom, né? Escrevo tudo isso com uma certeza só: sejam quais forem os planos, quero sempre essa sensação pura de quando se tem sete anos de idade. Mesmo que a barriga já insista em desafiar o botão da calça e os pêlos do peito já estejam cada dia mais brancos.

Foto é do Pedro Fonseca. Peguei aqui.

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