quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Casos de Amor

A semana que passou foi semana do Salão Nacional do Livro Infantil. Entre livros e crianças por todos os lados vaguei pelo evento me dividindo entre "comprar ou não comprar" e entre oficinas e palestras com escritores e ilustradores que eu adoro.

A Marilda Castanha, ilustradora mineira de mão cheia, me fez entender que os livros que a gente ilustra são para a criança que fomos um dia (ou que ainda somos) e a Lygia Bojunga contou seus seis casos de amor com livros. O monólogo perfeito apresentado pela escritora me fez recordar dos três primeiros livros que eu li. Vamos a eles:

Eu tinha 9 anos quando chegou a Ciranda de Livros lá na escolinha de Lagolândia. Eram 15 livros novinhos, dispostos em bolsas de plástico que ficavam penduradas na parede da secretaria. A grande novidade era a possibilidade de levar os livros pra ler em casa. De todos, o Menino Maluquinho do Ziraldo foi aquele que elegi para me aventurar. O traço ágil do Ziraldo, me fez engolir o livro em um dia. O resto da semana eu "tirei" as ilustrações com o papel de seda que vinham entre as páginas do meu caderno de desenho. Lembro-me do Menino Maluquinho com o olho maior do que a barriga e de como me impressionou aquele jeito todo divertido do Ziraldo mostrar aquela idéia (Aqueles/as que conhecem o livro entenderão o que estou dizendo. Quem ainda não leu, é só correr até a livraria mais próxima pra saber).

O segundo volume foi Caçadas de Pedrinho do Monteiro Lobato. Esse eu não pude devorar em um dia porque as aventuras da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo eram bem mais detalhadas e com muito menos ilustrações. Eu tinha até medo de não dar conta de tanto texto, mas a medida que ia avançando, ia me encantando com as peripécias da Emília e do seu universo que eu já conhecia da TV e que ali, á minha mão e á mercê da minha imaginação parecia ainda mais divertido.

Depois de "Caçadas de Pedrinho" nada mais me amedrontava. Parti então para "A bolsa amarela" da Lygia Bojunga. Um volume bem grandão, mas com uma linguagem tão próxima do meu dia-a-dia que foi amor à primeira lida. A Raquel (personagem do livro) virou minha amiga de imediato! De tempos em tempos eu retornava até a Bolsa só para experimentar novamente aquela boa sensação de re-encontro com meus personagens preferidos: O André (amigo imaginário da Raquel), o Afonso (o galo de briga que ela carregava na bolsa), o alfinete de flauda, a família que se revezava em tarefas diferentes e por aí vai.

De lá pra cá, me enveredei por gibis da turma da Mônica, de heróis tímidos como eu (Homem-Aranha) e das aventuras do Tio Patinhas com seus sobrinhos. Passei pelos clássicos da literatura nacional, li romances açucarados, livros de terror e suspense (Bendita Aghata Christie!)... Virei um devorador de livros de todos os temas e sabores e depois de crescido tive a sensação de que deveria encontrar-me novamente com as obras que me conduziram pelo caminho dos tijolos amarelos.

Reencontrei aquele menino (maluquinho) que fui (ou que ainda sou?) nas páginas dos livros daquela Ciranda e ele me ensinou coisas que esqueci ou que ainda não tinha assimilado. Volta e meia vivo caçando minhas vontades guardadas na bolsa amarela para poder lidar com elas e assim salpicar minha trajetória com punhados de felicidade.

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