sábado, 9 de agosto de 2008

Festa dos Doces

Manhãs sem nuvens revelam o céu de azul intenso. O vento frio trazido pelas águas do Rio do Peixe fazem do mês de julho em Lagolândia o melhor do ano inteiro. As festas se espalham por toda a região fazendo a rotina pacada da cidadezinha se transformar.

Nesta ocasião começa a movimentação para a maior celebração feita na cidade. A Festa do Divino ou Festa dos Doces reúne tradição e religiosidade em torno de preparativos para três dias com muitos doces, bolos e rezas. Três festeiros - um imperador, uma rainha e um rei - são escolhidos um ano antes para comandarem a urdidura dos festejos. As fogueiras construídas em louvor ao Divino Pai Eterno, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito são queimadas ao lado do “ranchão” onde o arrasta-pé só termina na madrugada.

Em minhas memórias de menino, tudo convergia para estes dias de fartura e alegrias onde laranjas e mamões eram transformadas em doces, distribuídos de graça, para os que moram ali e para os que chegam pra celebrar junto. O mês de julho é o mês eleito para comprar roupa e sapatos novos. Dias com cheiro de bolos e biscoitos feitos no forno à lenha e colocado em latas para esperar as visitas que chegam da cidade grande.

As alvoradas nos dias da novena acordavam a gente às 4 horas da manhã com fogos e cantos típicos do Divino. O frio da madrugada era tanto que saíamos enrolados em cobertores para acompanhar o grupo que rezava, mas também fazia serenatas pela cidade afora até chegar na casa do festeiro pra tomar um café da manhã acompanhado de um forró "sanfonado" que só terminava com o nascer do sol.

Sagrado e o profano se misturam até hoje para alegrar a vida da cidadela. Mesmo há 11 anos distante desta preparação deliciosa, fecho os olhos e consigo ouvir a bandinha tocando marchinhas em frente a Igreja: panpanranran panpan raran panpanranran panpan raran...

10 de Julho de 2008
Imagem: Wolney Fernandes

Um comentário:

Leo Fonseca disse...

“Lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo” (Adriana Falcão) Escolhi esse exemplo pra dizer que de fato nossas recordações são capítulos das nossas vivências, com certeza estas lembranças guardadas nos nossos arquivos mantêm o espírito aquecido e não se perdem com o tempo e mesmo longe de tudo, basta a gente querer voltar pra encontrar os mesmos cheiros, as mesmas cantorias, a mesmas fé que guiam estas cidadezinhas para que não caiam no esquecimento. Parabéns pela iniciativa.