sábado, 16 de agosto de 2008

Nuances de um coração sem medos

Não, não há explicação! Pelo menos não aquela que, enredada na lógica cartesiana, banaliza as minúcias dos detalhes que movem a dinâmica da vida. A verdade... aquela que se desenha na minha realidade, pode estar na brisa da madrugada que, vez por outra, sopra coisas interessantes enquanto durmo.

A aura que envolve meu coração deixa de ter o brilho fosco das jabuticabas para dar lugar a ardência silenciosa dos olhos de tamarindo. E assim ele pulsa, sem hachuras ou ranhuras, entre belezas reveladas pelos sons de músicas retiradas de um antigo baú e imagens de tantos filmes. Livre dos rabiscos que vez-em-quando fazem nublar minhas vontades.

A vida é assim: bela em suas nuances. Cheia de contrastes e variáveis que vão preenchendo nossa existência com um colorido especial, que nem desenho feito com a espontaneidade e a fluidez das tintas. Tristezas pelas partidas vão se alinhando às alegrias pelas chegadas; o novo que enche de surpresa o nosso cotidiano, às vezes tão assoberbado de idas e vindas. Um ciclo eterno de possibilidades.

Em meu coração, consigo "enxergar" o aroma delicioso dos sinais que ajudam a jogar meus medos pela janela do décimo andar. Sinais simples como o calor de um dia ensolarado cuja luz vai preenchendo devagarinho todas as frestas escuras. Que vai arrumando tudo. No seu tempo. Do jeito certo! Sinais que fazem viajar... aqui mesmo, sem sair do lugar e, ao mesmo tempo, completamente fora de órbita.

Imagem: Coração e rabiscos de Wolney Fernandes sobre obra de Pollock

Um comentário:

Odailso Berté disse...

Ei... Atenção, você, essa fala sua, de anos passados, cala e fala tão forte em mim. Os anos passaram, mas o teor dela soa forte ainda. Talvez agora ela ecoa em tons tão profusos que não consigo mais ser sensato ao ouví-la, quero o risco, a saudade, os desejos incontidos. Fale mais, fale sempre...