domingo, 7 de setembro de 2008

Prefácios

Sou daqueles leitores ávidos e esquizofrênicos, do tipo que não consegue ir ao banheiro sem levar palavras junto. É terrível, e admito que sou um dependente. Já cheguei a ponto de pegar catálogos de máquinas agrícolas - e até uma lista telefônica! - para me acompanhar. Lastimável.

Mas isso me dá alguma vantagem (eu sei, não muita) na hora de definir o que eu acho bom e o que eu não acho. Por exemplo, adoro prefácios. O prazer em ler um bom livro só pode ser bem aproveitado se o prefácio for instigante e esclarecedor. É como degustar de vinhos: primeiro se observa, sente-se o aroma e só depois se coloca a bebida na boca. Nenhum destes passos é supérfluo.

Minha lista de hoje traz alguns livros com prefácios que valem tanto quanto o texto principal:

Livro:
Conversas com Almodóvar
Prefácio de Frederic Strauss
Trecho:
"Nada mais belo que o amor paternal da mulher que já foi homem; nada mais belo que o elogio da feminilidade autêntica feito por um homem que se tornou mulher."

Livro:
Memória e Sociedade - Lembrança de velhos de Ecléa Bosi
Prefácio de João Alexandre Barbosa
Trecho:
"Narrar é também sofrer quando aquele que registra a narrativa não opera a ruptura entre sujeito e objeto."

Livro:
Confidencial de Walderes Brito
Prefácio de Agostinha Vieira de Mello
Trecho:
"Transbordar um despudor com que deveríamos falar da vida, do corpo, etc e tal. Despudor que deveria cobrir a gente, dos pés à cabeça de dignidade... e de simplicidade."

Um comentário:

Zahar disse...

Olá Wolney, sou Bruna Pallini da Edelman, agência de comunicação da Zahar. Que bom que leitura faz parte do seu cotidiano.
Strauss conseguiu colocar na introdução de "Conversas com Almodóvar" a linha que conduz a entrevista, por isso ficou tão bom.
Abraços