
Houve um tempo em que minha janela se abria para o vazio ensolarado deixado pela ausência do pé de Flamboyant. As trilhas do abismo inventado já não permitiam a travessia de um garoto que carregava tantos medos. Duas dúzias de dúvidas se misturavam às pedras que só serviam para dificultar as descobertas solítárias de quem só tinha 13 anos.
Vivo um tempo em que minha janela se abre para horizontes de nuvens espessas. E se não há mais o pé de Flamboyant, eu o desenho. Com os cipós que atravessam os alicerces, eu tranço sonhos que transformam trilhas em estradas. Por vezes, abro minha janela para que ela descortine os desejos que trago escondidos aqui dentro e, assim, o mundo volta a ser aquela rua de infinitos brinquedos.
OBS.: Este texto nasceu depois que eu li o poema "A arte de ser feliz" da Cecília Meireles. Clique aqui para ler.
Imagem: Wolney Fernandes
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