quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Caminho das plenitudes

Não sabia ao certo o motivo. Talvez tivesse sido o vento raro do final de tarde. Da janela do décimo andar foi impelido a caminhar. Enquanto descia no elevador refez o percurso mentalmente e sorriu como se tivesse a certeza que descobriria na paisagem conhecida novas cores e nuances. Apertou o play do Mp3 sem se preocupar em escolher uma canção que o embalasse. Naquele entardecer, o som do seu coração aliado aos acordes do vento é que o conduziriam em passos lentos pela calçada.

Sempre foi assim: ele e seu mundo particular. Sempre calado, enfrentou os dramas que só a ele pertenciam. O reflexo do vidro de um carro estacionado próximo a calçada o fez lembrar de quando entendeu o que era bonito ao mesmo tempo em que se achava feio. Ao perceber que estava adulto, negou! E, quando adulto, percebeu que tinha muito a amadurecer, pois suas recusas duraram tempo demais.

Demorou uma vida inteira pra chegar a uma conclusão que o moveria no caminho das plenitudes: Nunca se negar nada e pensar que tinha direito a tudo!

Pensando em como sair dali, caminhou entre as pessoas sem vê-las. E não parou.

Imagem capturada em http://www.cardiophile.com/2007/12/walk-towards-healthier-life.html

Um comentário:

Vertigo disse...

Sorri...
Vai mentindo a tua dor.
E ao notar que tu sorris,
Todo mundo irá supor
Que és feliz.