terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sinal de Eternidade

Vô Jorge eu nunca conheci. Minha mãe é quem se encarrega de manter sua memória presente. Com admiração e ternura, ela conta do homem de traços simples que, pela maturidade, parecia pensar à frente do seu tempo: pai amoroso, esposo sensato, comerciante justo, homem do campo e regente da Folia do Divino. Até hoje é conhecido pela dedicação com a qual ele conduzia a vida de sua família no interior.

Sua fúria ele partilhava com a terra - conta minha mãe ao explicar como ele lidava com as angústias e infortúnios da vida de casado.

"Seu Nenzinho" era como todos/as o conheciam. Quase 40 anos depois da sua morte, a simples menção de seu nome faz as pessoas que o conheceram enxergarem em mim, seu neto, uma extensão do homem bom que ele foi. Título que desmereço, mas que o mantém respirando ao meu redor, desafiando o tempo com lembranças alheias que, mesmo não sendo minhas, me trazem sorrisos e inquietações.

Há um tempo atrás, mexendo em guardados antigos na casa que meu avô construiu em Lagolândia, encontrei a bandeira do Divino de uma das folias que ele regia. Gasta e empoeirada, ela ainda conversa beleza e significado que transcende sua materialidade. Emoldurada, virou sinal vivo da presença de vô Jorge na minha história. Sinal concreto de uma eternidade bonita que anseio tocar.

Foto: Wolney Fernandes

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