quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Docemente pornográficos" *

"Cu de galinha é abençoado. Tenho de falar porque senão não tem fim e não aguento mais. Ninguém aguenta. Portanto, digo: cu de galinha é abençoado. De gente também. FOI DEUS QUEM FEZ! Ai! Pronto! Falei! Não aconteceu nada? Isto mesmo que eu queria, cinturinha de boneca. Curitiba, cujo, cubatão, cunhado, caracu, pacu, que é um peixe, paixão, sinal de Jesus. Me benze, Dona Maria benzedeira, me põe em transe para eu falar todos os palavrões do mundo e acordar pedindo comida, não quero mais pedir perdão, quero pedir comida (...)

Ainda bem que as Madonas têm os seios expostos e o Menino não cobre seu pintinho. Deus não me fez até a cintura pro diabo fazer o resto. Ou tudo é bento ou nada é bento. (...) Já apedrejei outros, roendo-me de secreta inveja do que julgava ser os prazeres da danação e eram os querubins cantando. Eu só conheço uma língua, é nela que serei arguida e direi o que desde já balbucio entre lágrimas, horror, cansaço e suculentos nacos de alegria: Ó Senhor, eu quero amar tudo."


(*) Título retirado do Poema de Carlos Drummond de Andrade
Texto de Adélia Prado
Imagem capturada em http://one-of-those-women.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

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