sábado, 20 de novembro de 2010

Felicidades de verdade e risco

Era 08/08/2008. Lembro porque foi o dia da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim. Espalhados pela mesa estavam o retrato de Frida Kahlo, a camiseta verde e uma vontade grande de presentear.

Pintei aqueles desejos, ainda envolto pelos florescimentos do encontro. Amava a possibilidade de, naqueles traços, colocar toda a simplicidade de um sentimento bom que nascia tímido, mas que riscaria novos mundos, dobraria mapas e construiria istmos.

Dali em diante, entre amor absoluto e outros contingentes, foram várias camisetas pintadas numa equivalência simbólica a emblemas que tocavam o coração do lado de fora e de dentro do peito.

Pintava camisetas coloridas para fazer tocar uma música que, imaginada eterna, silenciaria nas veredas que eu mesmo atravessaria. Pela primeira vez fui amado por aquilo que não sabia que tinha. Porém, pelas minhas marcas enigmáticas que interrogam e acossam, me vi soprando para longe, sem explicações cabíveis, o que antes era sonho e desejo.

Nesta semana, recebi de presente duas camisetas pintadas com as cores e as dores que eu mesmo ajudei a realçar. Junto delas, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã ou em dias incertos, aquela vontade de [re]conhecimentos e enfrentamentos.

Por elas, traçada pelo outro entre abraços partidos, ao contrário do que foi dito, uma certeza: sou eu quem precisa de orientação para me firmar em felicidades de verdade e risco.

Mais ou menos assim:



Foto: Wolney Fernandes

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