quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre o nada dos janeiros

Dias escorrem e quando nos damos conta já é véspera de São Sebastião. Janeiro, perto do fim, tece descompromissos de tarde inteira. Demoro pra dormir por conta de minhas vontades que dançam pela madrugada afora e acordo com cegueira branca de Saramago ao pensar no intervalo que separa meu janeiro de 2011 ao janeiro de 2012. É nestas horas que eu odeio essa minha mania de suplantar o presente pelo futuro em ruminações descartáveis.

Ando com vontade de nada. Sabe aquela vidinha boa que te movimenta da casa para o trabalho e do trabalho para casa? Pois é, todo dia topo com ela ao amanhecer. Apaixonadamente ela me beija sempre que o relógio fica no fundo da gaveta e o despertador, mudo, não se cansa do silêncio. Do disco "Muito Pouco" do Moska ao texto poético do Manoel de Barros, todo janeiro sussurra nada em meus ouvidos, pois "se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades."

Imagem capturada aqui.
Citação de Manoel de Barros

2 comentários:

suzanne disse...

muito bom...

Amanda Marques disse...

Adoro essas reflexões assim, tão sinceras...