sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Porque o amor também tem fim

De início, a narrativa já prenuncia uma tensão típica dos finais em uma cena que parece não se encaixar nos começos. Uma garotinha faz ecoar pela estrada o nome da sua cachorra de estimação que está desaparecida. A partir dali, de forma vertiginosa, mergulhamos no cotidiano do casal vivido por Ryan Gosling e Michelle Williams no filme Blue Valentine (EUA, 2010).

Os dois partilham uma vida de frustrações que, aos poucos, se desdobra em um acerto de contas doloroso. O filme narra uma historia de amor sem as idealizações que o próprio amor constrói. Saem os clichês românticos e entram em cena as alegrias e desassossegos típicos da vida real. Pela tensão prenunciada no início, seguimos a história de um amor que tem fim no começo e que começa quando o filme termina.

Tão verdadeiro, que por vezes incomoda assistir planos e sonhos sucumbirem à uma realidade bem mais dura do que aquela idealizada pelo desejo de partilhar a vida com alguém. E não há como não se identificar. Para tanto, basta que tenhamos vivido amores desfeitos, pois estão lá todas as nuances que permeiam um romance. Do flerte aos encantamentos, das identificações às frustrações, da música à dor que o som da palavra "acabou" faz ressoar. Tudo porque o amor também tem fim.

O curioso é que ver essa premissa na tela parece fazer doer ainda mais o que na realidade já é doloroso o suficiente.

Imagem capturada aqui.

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