domingo, 30 de outubro de 2011

Instantes Possíveis

Um gesto que o olho percebe, um sorriso não ensaiado, uma dor que não tem nome, um pensamento fugidio... reflexos soltos, instantes espontâneos e fugazes que, registrados, tornam-se preciosos, vitais. São instantes de liberdade... são instantes possíveis.

E essa vontade enorme de segurar forte, de não deixar escapar nenhum destes instantes, de possuir cada cheiro que eles ventilam. Essa vontade eu sempre quis pra mim. Por isso pego imagens, músicas e poesias emprestadas, arrisco algumas novas porque, nos mínimos detalhes, eu quero me traduzir.

Mas não adianta! Em cada chance que eu tenho de exercitar meu ato inocente de me possuir, o tempo me arranca. Como em uma brincadeira de esconde-esconde, tendo me moldar em frases curtas e imagens sem foco. Tento agarrar a memória do que eu era... do que eu sou.

Paro um momento e faço silêncio porque daqui a pouco tudo muda e acabo me sujando com o barro molhado que vivo tentando moldar os pensamentos escritos aqui.

Não tenho certeza se esse é um texto sobre os labirintos que desenham meu campo de desejos. Para tanto, falta um pouco de ironia, um pouco de brincadeira, de poesia e sagacidade. Na verdade o 999º texto deste blog é só pra dizer que estou construindo um rosto novo para meus instantes. Um texto sobre arrumações de toda ordem.

Para marcar a milésima postagem, programada para o próximo Dia dos Mortos, faço questão dos ritos encharcados de afetos e das brincadeiras que tiram sorrisos do olhar. Uma única certeza para um monte de dúvidas que continuarão descritas aqui, ao sabor de minhas vontades... a todo instante.

Foto: Wolney Fernandes

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