quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E agora, aonde vamos?


O filme é sobre o conflito religioso no interior do Oriente Médio e mostra as cicatrizes deixadas por anos de embates sangrentos motivados por discordâncias de credo. No entanto, a trama de "E agora, aonde vamos?" (Et maintenant on ya o ù?, 2011) é tão verdadeira que a identificação se estabelece já na primeira cena, pois a insanidade de conflitos entre irmãos e vizinhos é passível de ocorrer em qualquer lugar ao redor do mundo.

A diretora Nadine Labaki introduz humor e ironia em meio ao pano de fundo de tensão no qual se desenrola a história e permite a nós, espectadores ocidentais, uma visão menos estereotipada daquele povo. Em uma pequena vila isolada vivem pacificamente duas comunidades: uma cristã e outra muçulmana. Quando conflitos religiosos estouram no país, as mulheres da vila sentem que a paz está ameaçada e passam a sabotar a entrada de informações sobre a guerra para distrair os homens de começarem sua própria luta.

Para não verem seus filhos e maridos mortos por algo que não acreditam valer a pena, as mulheres se unem em planos mirabolantes e, juntas, funcionam como uma coluna vertebral da aldeia. É bonito de ver os esforços de mães e esposas para diminuir a população do cemitério local. E tudo feito com muito bom humor. Desde religiosas fervorosas simulando falsa conexão com uma santa até a fabricação em massa de bolos de haxixe sem que em nenhum momento o filme soe ofensivo ou emita julgamento sobre nenhuma das crenças.

Dizer mais talvez estrague as surpresas e também as dores espalhadas por toda a narrativa. Dramas e alegrias vem como ondas seguidas uma após a outra em um movimento muito parecido ao que a vida faz. Ao final, a mensagem que fica é aquela que já está explícita no título - se vivemos divididos e só vemos diferenças, afinal, aonde vamos?

Um comentário:

Raí disse...

Foi uma bela surpresa. Está na minha lista de DVDs/Blu-Rays de 2013.
Simples e direto. Sem perder a poesia.